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Tratamento de Homesickness no SickKids

As vezes a gente fica reclamando da vida e se esquece de aproveitar as coisas realmente importantes que temos bem pertinho da gente.

No sábado, saímos de manhã para comprar uns brinquedinhos para as crianças, almoçamos em casa e fomos andar de bicicleta pelo bairro enquanto a chuva não vinha. Com a chegada da chuva o Sergio e o Edu foram jogar xadrez e de repente aquela tarde fria e chuvosa se tornou o início de um enorme pesadelo.

Do nada, o Eduardo começou a reclamar de dor de cabeça, parou de jogar e foi se deitar com as mãos cobrindo os olhos, sem querer conversar, sem querer que tocássemos nele e adormeceu. Eu dei a ele Tylenol e um tempo depois ele se levantou vomitando.

Fiquei desesperada, liguei para uma amiga pedindo uma indicação de hospital e seguindo o conselho dela, levei-o ao Sick Kids e foi a melhor coisa que fiz.

Fomos muito bem tratados e apesar de ser um sábado à noite não esperei mais do que 30 minutos pelo atendimento na emergência. Após explicar o que o Edu teve, eles já tiraram uma amostra de sangue e decidiram fazer uma Tomografia para averiguar se não tinha algum coágulo ou coisa parecida na cabeça dele.

Com todos os resultados negativos (ou positivos porque não tinha nada errado nos resultados!!!) eles começaram procurar qual o motivo de uma dor de cabeça repentina como aquela em uma criança. Resolveram fazer uma punção da medula espinhal (acho que foi o momento mais estressante da minha vida) porque desconfiaram que pudesse ser uma meningite e me avisaram que o Edu teria que ficar 48 horas em observação até que os resultados estivessem prontos.

A punção foi feita na madrugada de sábado para domingo e de manhã cedinho fomos transferidos para um quarto no setor onde as crianças ficam em isolamento por suspeita de doença contagiosa. Preventivamente o Edu já tomou no soro dois antibióticos potentes e um antiviral e continuou no hospital até as 48 horas se completarem aguardando o resultado da cultura do líquor.

Ontem à noite o Sergio foi ficar com ele para que eu pudesse descansar um pouco e ficar com as meninas. Hoje de manhã apesar do resultado negativo da cultura eles ainda seguraram o Edu mais um tempo para ver se o neurologista queria fazer mais algum exame, mas graças a deus não foi necessário e hoje, no final da tarde, o Edu retornou para casa.

Ele está super bem disposto e até disse que gostou de ficar no hospital. Como sofreu uma leve sedação, ele não se lembra da punção, que eu infelizmente não vou conseguir esquecer jamais. Com todos os resultados negativos e todos os testes neurologicos dentro da normalidade, a conclusão a que chegaram é de que ele provavelmente teve uma enxaqueca.

O grau de detalhamento do relatório que me mandaram é uma coisa impressionante. Na descrição do que o Eduardo teve eles escreveram até que a dor começou quando o Edu jogava xadrez com o pai, rs.

Estando alí presa com meu filho, sem poder ver minhas filhas e longe do meu marido, eu tive tempo de sobra para ver que temos que olhar para a frente (como bem me disse a Silvia). A vida é feita de escolhas e temos que escolher o tempo todo, querendo ou não. Infelizmente não podemos ganhar sempre mas podemos aproveitar melhor o que já conquistamos. E eu tenho tudo pra ser muito feliz.

Nestes dois dias sozinha com o Edu, eu aproveitei a presença do meu filho o máximo que pude. E ele com certeza aproveitou a minha sem ter que dividir com ninguém. Vimos vários filmes, jogamos vários jogos e conversamos muito. Devido à suspeita de meningite ele ficou em isolamento, preso dentro do quarto. Ontem ele já pôde andar pelos corredores e conhecer aquele lindo hospital e à tarde, enquanto eu esperava o Sergio para "trocarmos o turno" ficamos jogando aviãozinho pelo quarto. Agora eu estava aqui pensando no mico de ficar feito uma criançinha pelo quarto correndo atrás dos aviões de papel que o Edu jogava, rs.

PS: Não posso deixar de agradecer imensamente à Denise que foi muito solícita e atenciosa e me orientou a procurar o SickKids. Realmente eu não poderia ter tido atendimento melhor. Quero agradecer também aos amigos Ricardo, Cristina, Elaine e Claudio pelo apoio constante e por saber que sempre posso contar com vcs. E aos queridos amigos Renata e Dory que se dividiram cuidando das meninas, da minha casa e nas caronas. Sem vcs o nosso pesadelo teria sido muito pior. Obrigada