Nov 30, 2009

Será que vai ser hoje??? (Não foi)


Eu bem sei que todos os torontonians estão felizes da vida com o "maravilhoso" mês de novembro que tivemos: temperaturas amenas quase o tempo todo e muitos dias de sol.

Mas eu confesso que estou ansiosa pela primeira neve da minha vida. Sempre que vejo na previsão que vai nevar durante a semana fico esperando impaciente pelo dia, mas até agora só tivemos alarmes falsos e neve que é bom, nada!!!

Agora, olhando a previsão para esta noite eu fiquei super animada: não é possivel que a previsão do tempo erre totalmente. Pelo menos de madrugada alguma coisa deve cair deste céu, rs.

Me desculpem os "velhos de casa" mas estou torcendo muito pra acordar amanhã de manhã com tudo branquinho!
UPDATE: estou decepcionadissima porque a neve desta noite foi um chuvisquinho de gelo que mal deixou o carro esbranquiçado. OK, a expectativa continua...

Nov 29, 2009

Sem música

Uma colega do curso de inglês, mexicana, disse que não gosta de música.

Pra mim, música é uma coisa muito importante. Não importa o que eu esteja fazendo estou sempre "ouvindo" música: de verdade ou só na minha cabeça. Fico sempre cantarolando alguma coisa e sempre tenho um versinho pra responder para as crianças.

Eles já estão acostumados porque eu vivo dando respostas às perguntas deles usando alguma música, rs. A música tem um poder muito grande sobre mim; me faz pensar, questionar, me relaxa e dá uma sensação de que tudo vi ficar bem.

Geralmente eu sinto "aquela vontade de chorar" e choro, choro muito, mas é de alegria de saber que existe alguém tão sensível no mundo que consegue traduzir o que eu estou sentindo de forma tão poética.


O Sergio já me ameaçou varias vezes de proibir que eu ouça algumas músicas que me fazem chorar copiosamente, rs.

Nov 26, 2009

Vale tudo pra não perder o pretendente


Alguns anos depois de me casar eu descobri que o Sergio sofria de umas tonturas até então não explicadas. Ele passava dias com tontura e se ele não comentasse ninguem percebia. O pior é que ele tem este problema desde criança mas só aparece de vez em quando. Quando ele começou sentir isso novamente, após o casamento, fomos procurar ajuda e descobrimos que agora (mais ou menos ha uns 10 anos) existe um exame que pode ajudar no diagnóstico. Ele foi diagnosticado e quando as tonturas reaparecem ele faz o tratamento e fica bem (vou pedir pra ele escrever sobre o assunto).

Agora, aqui no Canadá, ele começou a reclamar de uma dor estranha na face. Parece uma nevralgia e então eu fico sabendo que ele sempre teve este "outro" problema também. Que já fez tudo quanto foi exame e nada foi descoberto. Mas desde que nos conhecemos ele nunca tinha comentado e então só estou descobrindo esta história agora.

Quando percebeu que eu fiquei meio "brava" por ele nunca ter comentado nada, ele se defendeu:

- Eu precisava garantir que vc se casaria comigo, oras!

Mas a vingança é um prato que se come frio e estou comendo o meu agora, rs. Ao ler o meu post anterior, onde eu conto o meu "probleminha" com organização, o Sergio veio todo gentil pro meu lado dizendo que agora entendia a minha demora na hora de sair. E que, só agora ele entendeu que eu não ficava no espelho ou distraída vendo e-mails no computador, mas que na verdade eu sou uma "pessoinha doente".

- Pois é querido, eu também tenho os meus segredinhos e precisava segurar o pretendente!
E vcs, também guardaram muitos segredinhos pra segurar o pretendente?

Nov 25, 2009

O próprio coelho da Alice


Inspiradíssima neste post aqui do Croissant da Carol Nogueira, eu tenho me sentido exatamente como o coelho da Alice no País das Maravilhas: estou sempre com pressa, sempre sem tempo, sempre na correria e no final, as vezes eu nem sei porque estou correndo tanto e sempre fazendo coisas chatas.

Na verdade vou confessar aqui só pra vcs que tenho um grande defeito de fabricação: eu preciso de uma sequência para fazer as coisas.

E que raios isso significa, Marilena?

Funciona mais ou menos assim: eu monto uma sequência maluca para realizar determinadas tarefas e só consigo passar para a próxima quando a anterior está completa. Geralmente eu tenho uma obrigação para fazer antes de alguma diversão e enquanto a obrigação não é feita eu não consigo me divertir muito, rs.

Então, antes de fazer um bolo (diversão), por exemplo, eu tenho que necessariamente arrumar a cozinha do almoço (obrigação). Não importa que com o bolo eu vou sujar tudo de novo, mas não consigo fazer o bolo enquanto a louça do almoço nao esta lavada.

Não consigo sair de casa se as camas estão desarrumadas, ou se a sala está com bagunça, mesmo que sejam duas bonequinhas que as meninas deixaram em cima do sofá, rs. As vezes está todo mundo no carro pronto pra sair e eu estou terminando de juntar os últimos brinquedos que estavam espalhados em algum lugar.

Não preciso dizer que acabo sendo sempre a última a sair e todo mundo de cara feia achando que eu estava na frente do espelho arrumando o cabelo, rs.

Apesar de não ter mania de limpeza (igual uns e outros que conheço por ai, rs, rs, rs) eu não gosto de estar me divertindo se tenho obrigações incompletas me esperando. Fico sempre com um certo sentimento de culpa pensando que em algum momento vou ter que terminar aquilo e acabo não me divertindo como poderia.

Só que as tarefas são muitas e não acabam nunca e assim eu ando sempre correndo, sempre sem tempo, sempre olhando no relógio e tentando fazer o tempo parar. Eu me sobrecarrego de atividades desnecessárias e acabo não usando meu tempo com coisas divertidas e que tenho vontade de fazer.

É bem verdade que já melhorei muito aqui no Canadá. Primeiro porque meu marido-ajudante me auxilia muito com as tarefas chatas e diminui meu trabalho em uns 40%. Segundo porque foi tão grande a espera para estar aqui e foi tanto tempo de mãos amarradas sem poder realizar muitas coisas que eu acabo me obrigando a aproveitar as coisas e me policio para não me escravizar novamente com as tarefas chatas do dia a dia e relaxar um pouco.

Ainda assim, estou sempre sem tempo e com uma lista enorme me esperando o tempo todo. Sim, eu faço lista de tarefas. E elas me ajudam muito a me organizar e a organizar meu maridinho que, ajuda mas é bagunceiro, rs. Minha agenda sempre tem uma listinha de tarefas e no armário da cozinha eu sempre tenho uma listinha de compras.

Ontem, eu fiquei especialmente chateada porque fiquei organizando a casa e acabei não brincando muito com as crianças. Esta noite não dormi bem porque a Luísa está tossindo e eu acordo o tempo todo. No meio da noite ela veio para minha cama e então não consegui dormir mais mesmo, mas a deixei com a gente. Agora, elas estão dormindo e eu aproveitando o tempo livre pra fazer coisas que gosto, como ler as noticias, meus blogs preferidos e escrever um pouco. Mas o peso na consciência está aqui comigo porque minha lista de tarefas está bem aqui na minha frente me chamando para a correria...




Nov 19, 2009

Network do bem

Não resta dúvidas de que aqui no Canadá o tal do network é muito importante. E acho que não poderia ser diferente porque no fundo nós não passamos de ilustres desconhecidos e apesar do governo canadense ter feito um minucioso levantamento sobre as nossas vidas, eles não liberam estas informações para nossos futuros empregadores.

Além do emprego, conhecer pessoas nos ajuda muito nas dificuldades do dia-a-dia. Com uma dica aqui e outra ali, vamos tornando a adaptação muito mais facil e prazeirosa.

O problema é que muitos imigrantes acabam fazendo desta idéia quase uma profissão e perdem mais tempo tentando fazer o network do que efetivamente vivendo as suas vidas.

Como estamos todos "sozinhos em terra distante" muitos bobinhos, como eu, acabam caindo no golpe do Network e sendo usados por pessoas que se fingem de amigos mas que na verdade estão esperando apenas te usar como "trampolim" para conhecer outras pessoas e/ou usar a sua experiência para faciliar suas vidas por aqui.

Em apenas 8 meses já passei por algumas experiências bem desagradáveis que me magoaram profundamente e acabaram me deixando um pouco com o pé atras em relação a novos relacionamentos. Eu fico sempre me perguntando se aquela pessoa simpática e generosa, realmente simpatizou com a minha família ou se está de olho em algo mais que eu ainda não percebi que tenho.

Um dia, desabafando com alguns amigos (estes sim, verdadeiros), eu percebi que esta história do Network é muito mais séria e comum do que eu imaginava. Quase todo mundo com quem conversei já passou por alguma situação parecida e ainda tem muita gente sendo usada por aí: alguns até sabem e não ligam, mas muitos nem imaginam.

Eu já comecei escrever este post varias vezes mas sempre acabo deletando e deixando pra lá. Mas esta semana eu acho que estou meio de saco cheio de gente interesseira e resolvi publicar, rs. Acho tão ridículo e infantil uma pessoa se aproximar de outra só pra conseguir favorecimentos; usar os outros como se fossem objetos e depois sair descartando as pessoas como se fossem lixo.

Eu tenho feito sim o meu network: tenho conhecido muita gente, conversado sobre o Canadá, sobre a nossa profissão, sobre as nossas dificuldades por aqui e sobre muitas outras coisas. Mas é um network quase inconsciente, onde nós conhecemos as pessoas por acaso e nos aproximamos ou não delas dependendo das nossas afinidades.

No nosso network do bem, todo mundo é bem vindo. Não podemos ajudar ninguém a arrumar emprego, nem temos muitas dicas sobre o Canadá, mas ficamos super felizes em dividir o nosso tempo e nossas emoções.

PS: Infelizmente gente interesseira existe há muito tempo. Jimmy Cox já falava deles em 1923, quando escreveu a linda Nobody Knows You When You're Down and Out, que a, também linda, primeira dama francesa interpreta no vídeo aí de baixo.



Nov 15, 2009

Quem me vê assim tão santa dormindo...

... não imagina a peça que eu sou!!!

Todo dia eu faço uma rotininha para as crianças irem dormir e sempre funcionou super bem. Mas já faz algumas semanas que a Helena vem tentando conturbar o ambiente. Na hora de ir pra cama ela sempre reclama que está com fome. Mesmo sabendo que ela jantou bem, agora eu sempre ofereço um danone antes de escovar os dentes e ainda pergunto se ela quer mais alguma coisa depois. Normalmente um danone basta.

Acontece que hoje nós fomos ao Santa Claus Parade e eles estavam exaustos e famintos na hora do jantar. Eu fiz um arroz-feijão básico e um refogado de camarão e as crianças comeram muiiiiito. Na hora da rotina eu perguntei se a Helena queria danone e ela disse que não e ficou por isso.

Mas na hora de ir pra cama, começou a ladainha:

- Mamãe, eu estou com fome!!


- Não Helena, porque vc não comeu antes de escovar os dentes?


- Mas eu estou com fome; ninguem me dá comida. Eu vou dormir com fome? (choramingando).

- Então está bem (irritada), vem aqui na cozinha que vc vai comer!!!



Fui pra cozinha e preparei um pratão de arroz, feijão, camarão e salada de alface com tomate. Como eu ainda não tinha jantado, eu aproveitaria e comeria aquela comida, que segundo eu imaginava ela nem experimentaria.



Ledo engano: a Helena não só experimentou como comeu quase tudo e ainda comeu o resto da salada que seria do Sergio. Tentando ser cínica eu ainda perguntei se ela queria uma frutinha pra completar. Ela olhou para a fruteira e pediu o que???? Uma banana nanica (que aqui são enormes) e comeu inteirinha.



E eu fiquei com o maior carão, sem contar o peso na consciência de quase te-la deixado dormir com fome, rs.

Nov 14, 2009

Lavagem cerebral

Estou aqui vendo no You Tube o show do Pearl Jam que eu assisti em São Paulo em 2005. Já perdi a conta das vezes que eu ouvi os Cd's dos dois dias de shows que eles fizeram em São Paulo e até hj eu lamento por não ter podido assistir lá no meio da galera.

Mas tenho andado muito feliz ultimamente com esta história da família aprendendo inglês. De uns tempos pra cá as crianças têm se interessado muito por música e como ouvem Pearl Jam desde sempre , eles já estão mais que acostumado com a voz do Eddie Vedder.

Esta semana estamos ouvindo um CD piratex que comprei na Galeria do Rock em São Paulo e que tem uma parte do show acústico que eles fizeram na MTV e mais algumas musicas do The Who gravadas por eles.

Como se nunca tivesse ouvido antes, o Eduardo ficou maravilhado com a versão acústica de Alive e ele quer que eu coloque a música 500 vezes. Já a Helena pede pra ouvir Last Kiss, que eles tambem gravaram. O CD que o PJ lançou este ano já está na cabeça deles e o Edu vive cantando algumas músicas: muito lindo o meu Eddie: e eu nem escolhi o nome dele por isso, rs. E assim eu vou fazendo a cabeça deles, rs.

O que é legal nas crianças é que elas não têm preconceito e se o som as agrada, pronto, elas não estão preocupadas se é música brega, se é música culta ou seja lá o que for. As minha crianças têm ouvido só os poucos Cd's que trouxemos do Brasil e eu não vejo a hora de trazer tudo e dar a eles muitas outras opções.

Dos que trouxemos o Edu gostou muito do Nirvana acústico e vive com My girl na cabeça. Mas simplesmente virou fã do Roberto Carlos. Pois é: nós trouxemos o acústico do Rei, como o Sergio adora dizer, e ele amou. Vive cantando "É proibido fumar" mas já conhece todas as outras e já sabe até as faixas:

- Mamãe, eu quero ouvir a 3 agora. Pula a 4 porque eu não gosto desta música (Detalhes, rs).

Hoje ele estava no carro cantando Jesus Cristo. De repente ele me pergunta como era Jesus Cristo em inglês. E começou cantar:

- Jesus Christ, Jesus Christ, Jesus Christ I'm here!!!

Pronto, estou toda cheia!!!

Goodwill


Goodwill é o nome de uma rede de lojas de usados aqui de GTA. Hoje, pela primeira vez, nós fomos até uma destas lojas por indicação da minha professora de inglês. Ela sugeriu que eu fosse até lá para comprar livros.

Na verdade nós acabamos indo em duas lojas. Na primeira nós compramos 12 livrinhos infantis e gastamos apenas $2.80 (dois dolares e oitenta centavos, para não ter dúvidas, rs). E todos os livros estavam em ótimo estado. Muitos deles parecendo novos. Só depois que pagamos foi que percebemos que hj todas as compras tinham 50% de desconto.

Depois que as crianças descansaram um pouco, nós resolvemos ir a uma outra unidade da GoodWill para ver se encontrávamos algo interessante e acabamos comprando mais livros.

Mas o que mais chamou a minha atenção nestas lojas foi o quanto é normal as pessoas comprarem coisas usadas por aqui. Nestes locais vc encontra de tudo um pouco e as pessoas não têm muito preconceito. A Moça que ficou na minha frente na fila do caixa comprou uns enfeites para a casa dela, umas roupas e um sutian. O cachecol que ela comprou estava visivelmente usado, lavado e re-lavado. Eu quase me ofereci pra fazer um de tricôt novinho pra ela. Não sei quanto ela pagou mas ainda assim...

Eu vi várias pessoas comprando pratos, xícaras, vasos, discos de vinil, fita cassete e o Sergio viu um rapaz escolhendo uns talheres amassados. As pessoas vão andando pelas estantes olhando com atenção cada ítem, cada detalhe e procurando naquele mar de coisas algo que possa ser útil para suas casas.

O mais legal é que vc encontra todo tipo de gente nestes lugares. Pessoas muito bem vestidas (talvez tenham comprado tudo ali, rs), mas que vc percebe que não estão ali para mobiliar a casa e sim à procura de algo diferente para compor a decoração. Eu mesma fiquei com vontade de garimpar também mas como as crianças estavam com a gente eu tentei ser o mais breve possivel (não que eu consiga).

Agora o meu problema mesmo é com roupa usada!!! Acho que eu preciso de mais uns anos de Canadá pra talvez começar a me acostumar com isso. Eu vi muitas coisas bonitas e aparentemente bem novas mas eu ainda tenho preconceito.

Não que eu não aceite doações, rs. Minhas crianças já ganharam muitas coisas de inverno este ano e eu estou usando sem parar porque logo logo eles vão perder tudo, e novinho. Mas foram doações feitas por amigos, pessoas que a gente conhece. Este negócio de usar roupa de desconhecido não faz muito a minha cabeça não. E não é só roupa de vestir. Eu também não gosto de usar lençol, nem cobertor, toalha, etc.

Apesar de mim, este comércio de usados por aqui é um grande sucesso. As pessoas chegam aos caixas com o carrinho lotado de roupas e outros objetos e parece que ninguem se preocupa muito com o antigo dono. O que importa mesmo é a grande economia.

Nov 5, 2009

Meia furada: não pode!


Não sei se já comentei isto, mas aqui no Canadá todo mundo tira os sapatos para entrar em casa. Desta forma, todo mundo tira os sapatos quando entra na casa dos outros também. Muitas casas têm um closet perto da porta onde vc pode pendurar os casacos e deixar os sapatos guardados pra não ficar aquela bagunça na entrada da casa.

Na minha o closet não fica exatamente na porta, então os sapatos acabam ficando jogados na entrada, mas os casacos ficam no closet.

Ontem eu estava assistindo um jornal local e eles estavam na casa de uma família fazendo uma reportagem. Quando a camera mostrou a sala de estar onde a reporter fazia as perguntas, eu vi que todo mundo, inclusive a reporter, estavam descalços. A reporter estava sentada no sofá naquela "pose de reporter", anotando o que eles falavam com sua meia fininha e a filha do dono da casa um pouco mais à vontade com um dos pés no sofá.

E eu me lembrei que no dia em que fomos fazer o picking apple, eu estava em casa com uma meia super quentinhas mas furadinha no dedão do pé. Na hora de sair eu pensei em trocar de meia, mas ponderei que pra ir colher maçãs provavelmente na lama (tinha chovido uns dias antes) aquela meinha quentinha era mais do que adequada.

Sai com a minha furadinha mesmo pois nós só íamos passar em frente à casa da Renata e eu nem ia descer do carro. Acontece que quando chegamos na casa da Renata, o senhor marido dela e outro casal de amigos ainda não tinham chegado e eu acabei entrando na casa dela para esperá-los. Qual não foi minha surpresa quando tirei o sapato????

Exato: a meia com um furo no dedão do pé. Rapidinho eu puxei a meia pra frente, escondi o furo e fiquei meio que arrastando o pé para o furo não aparecer de novo, rs.

Ninguém percebeu, é claro, mas foi assim que eu aprendi que aqui no Canadá meia com furo não tem muita vez. A gente nunca sabe quando vai ser convidada a entrar na casa de alguém, né?


Nov 2, 2009

Vacinação com jeitinho brasileiro

Hoje de manhã nós decidimos ir ao Etobicoke Civic Centre tentar tomar a H1N1, ou pelo menos vacinar o nosso grupo de risco: Helena e Luísa. Chegamos lá mais ou menos umas 11 horas da manhã e entramos na fila. Haviam vários seguranças orientando as pessoas e ficamos sabendo que íamos entrar no prédio, falar com uma enfermeira, receber uma senha para voltar em outro horário para a vacinação.

Em mais ou menos 1 hora nós já tínhamos conversado com a enfermeira e pegado 4 senhas para voltar as duas horas da tarde. Nós bem que tentamos pegar uma senha para o Eduardo já que eles iam vacinar a família inteira mas a enfermeira disse que não podia, que ela tinha que ver a criança, que ele não era do grupo de risco, bla bla bla...

Então o Sergio me deu uma olhada "significativa" e resolvemos que eu ou ele não tomaria a vacina para que o Edu tomasse. Quando estávamos saindo, um segurança que estava ouvindo a nossa conversa com a enfermeira nos falou em off ir buscar o Edu e leva-lo a tarde.

Voltamos às duas com o Edu e eu tentei novamente conversar com uma outra pessoa que estava dando orientações e ela disse que era impossível porque ele não era do grupo de risco e somente crianças abaixo de 5 anos estavam sendo vacinadas. Disse também que apesar de termos 4 senhas somente as meninas iriam tomar a vacina.

Em menos de 30 minutos fomos atendidos novamente e recebemos 4 fichas para preencher; 3 de criança e uma de adulto. Conforme as pessoas terminavam de preencher a ficha já iam entrando na salinha e tomando a vacina. Não preciso dizer que demoramos um certo tempo para preencher tanta ficha, rs.

Quando já estavamos vacinados, o Sergio perguntou o que ele tinha que fazer para receber a vacina. E explicou (jeitinho brasileiro) que eu e as crianças tinhamos ido sozinhos de manhã (meia verdade) e por isso tinhamos só 4 senhas.

A moça pensou um segundo, chamou uma outra pessoa e com aquele tal olhar "significativo" perguntou se não teria uma ficha disponível para o "pai" também ser vacinado. Dalí a pouco volta a moça com uma fichinha verde e Sergio também ganhou sua dose de H1N1 atenuado.

As crianças receberam somente meia dose e então eles recomendam que recebam outra meia dose daqui há 21 dias. A Luísa foi a primeira e nem chorou, ainda mais quando viu um monte de pirulitos para ela escolher. A Helena fez um charminho mas também não chorou e se distraiu com o pirulito. Já o Edu fez a maior choradeira, coisa que nunca tinha feito antes. Infelizmente agora ele entende bem o que está acontecendo e fica com medo. Na segunda dose ele será com certeza o primeiro, rs.

Pra quem mora aqui na região eu acho que é um lugar bom pra se tomar a vacina. Apesar de todo mundo dizer que só quem tem prioridade está sendo vacinado, se vc tem filho com menos de 5 anos prepare-se porque provavelmente vc será vacinado também.

Agora vamos ver as reações nos proximos dias.

Nov 1, 2009

Psicologia infantil


Eu detesto, abomino, acho o cúmulo do absurdo ver certos pais chantageando um filho para conseguir que ele faça algo que não quer:

- Eduardo, se vc não comer eu vou ligar para a fulana avisando que nós não vamos mais!!!

Eu sempre prefiro conversar, contar uma história verídica, explicar porque é preciso fazer aquilo que eu estou pedindo, mas eventualmente o tempo e a paciência se esgotam e eu acabo tomando atitudes radicais.

- Crianças, venham aqui para cortar as unhas!!

Luísa e Helena chegam esbaforidas e brigando para ver quem vai ser a primeira. Elas adoram cortar as unhas. Já o Eduardo, detesta.

Não sei se algum dia eu o machuquei ou se foi algum outro trauma mas toda vez é a mesma ladainha: "não quero cortar", "vc vai me machucar", "então só o dedinho da mão", então só as unhas da mão", etc, etc...

Eu já pego o cortador preparada para longos minutos de negociação e muita conversa: explico que se a unha esta comprida vai encher de sujeira e que quando ele comer alguma coisa esta sujeira vai para dentro da barriga dele; explico que se a unha está muito comprida ela pode enroscar na meia ou em alguma outra coisa e pode descolar do dedo e que então vai ficar doendo muitos dias; e para cada explicação sempre o Sergio e eu temos uma história verídica do quanto sofremos com uma unha machucada.

Enquanto vou contando as histórias, ele vai se distraindo e eu vou cortando o que dá. Mas, as vezes ele não está mesmo a fim e não tem argumentação que dê jeito. Então, temos que tomar medidas mais drásticas:

- Tudo bem, então, se vc não cortar a unha vai ficar igual o Zé do Caixão!!!

- Quem é o Zé do Caixão?

- É um homem que tem uma unha enooorme!!! A unha dele é meio escura e vai fazendo uma curva assim ó: parece que vai entrar na mão dele! (descrição com muitos gestos e caretas, pra ficar bem impressionante).

Ao mesmo tempo que explicava como as unhas do Zé do Caixão são nojentas, eu já prendi os pés dele entre as minhas pernas e fui cortando sem parar de falar. E já está prometido: amanhã vou mostrar umas fotos bem bonitas das mãozinhas do José Mojica pra ver se ele entende porque eu insisto tanto para que ele me deixe cortar as suas unhas.


Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!