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Coisas impensáveis



Tem coisas que a gente ouve a vida inteira e passa a creditar como sendo verdade absoluta.


Eu cresci ouvindo dos meus pais que "feijão é que cria brasileiro" e que "arroz e feijão é a melhor combinação para uma alimentação saudável". Assim, mesmo não gostando muito de feijão eu sempre fiz feijão lá em casa, em São Paulo e continuo fazendo aqui no Canadá.


Acontece que de uns tempos para cá as crianças parecem que enjoaram de feijão e quase ninguem mais come quando eu cozinho. Como feijão não está a preço de banana por aqui (nem a banana) eu não tenho cozinhado muito pra ver se eles ficam com "saudades" e estou tendo que pensar em alternativas. O arroz também não tem feito muito sucesso por estas bandas e, em especial o Edu e a Luísa não têm comido arroz com a voracidade que tinham antigamente.
Então ontem, eu fui ao supermercado e acabei demorando mais do que queria e quando cheguei em casa tive que improvisar alguma coisa para o jantar. Fiz purê de batatas, filé de frango grelhado com brocoli e uma salada de alface, tomate, cenoura e pepino. Pra acompanhar eu descongelei uns mini-croissants. Todo mundo comeu super bem e não sobrou quase nada, rs. Eles tomaram suco de laranja e após a refeição comeram frutas variadas: pêssego, kiwi, pera e maçã.


Não teve arroz e feijão mas eles comeram bem, a Luísa mais do que de costume e eu fiquei pensando: será que força-los a comer arroz e feijão todo dia é mesmo o correto?


Eu até entendo que no Brasil e, principalmente na minha infância, era muito importante comer arroz e feijão. Ficaria muito caro para os meus pais nos sustentarem só com frutas, verduras, carnes e derivados do leite. Apesar de nunca ter faltado nada em nossa mesa, algumas coisas eram muito caras para o salário do meu pai e eram "racionadas". Sempre tinha carne por exemplo, mas não dava pra todo mundo só comer carne na refeição, o que no final das contas era bom porque só proteína não é o mais saudavel.


Mas no caso dos meus filhos a história é um pouco diferente. Primeiro porque arroz e feijão aqui são tão caros quanto outros alimentos, mas principalmente porque meus filhos gostam muito (mas muito mesmo) de hortaliças, legumes e frutas. Todos comem carne mas não trocam uma saladinha por um bife e então, sem saber, seguem a pirâmide alimentar nas suas preferências.

Enfim, estou mudando um pouco algumas coisas na refeição das crianças e dando um pouco mais de liberdade a elas na hora da refeição. Eles não gostam de bobageira, não são chegados em lanche e comida prontex. Geralmente, quando estão com fome me pedem um queijinho ou uma maça ou vão até o armário com um banquinho e "roubam" uvinhas pra enganar o estômago. Quando a fome aperta eles são unânimes:


- Mamãe, posso comer uma banana?


Sendo assim, acho que posso mudar os meus conceitos com eles e montar cardápios antes impensáveis.