Jan 29, 2010

Bullying

Infelizmente bullying é uma realidade e talvez esteja presente em todos os cantos do planeta. No Brasil é muito comum, assim como nos EUA e aqui no Canadá. E é preciso ficar muito atento porque as vezes as coisas começam de bobeira e quando vc vê já estão maiores do que a criança pode suportar.

O Eduardo fica na escola das 8:45 AM até as 3:20 PM, então ele tem dois pequenos intervalos chamados de snacks, um antes e outro após o almoço. Eu sempre mando o almoço e para os snacks eu mando alguma coisinha que ele goste como cookies, queijinho ou alguma fruta.


Um belo dia, conversando com o Edu eu descobri que os cookies que eu mando para o snack dele eram divididos com os amigos. Pelo que ele me explicou quase ninguem leva nada para estes intervalos pequenos e então todo mundo vem pedir um cookie para ele.

Apesar de apreciar a gentileza do meu filho, eu fiquei meio brava porque estas coisas são caras por aqui para eu ficar alimentando a escola inteira com cookie e também porque nesta história o Edu acabava não comendo o quanto eu gostaria que ele comesse. Na reunião que tive com a professora, nós acabamos conversando sobre isso e ela disse que é expressamente proibido dividir o lanche com os amigos. Segundo a professora é muito perigoso porque existem muitos casos de alergia entre as crianças, sem contar os problemas religiosos onde muitas crianças não podem comer determinados tipos de coisas.


Após esta conversa com a professora eu conversei com o Edu e expliquei porque ele não deveria dividir o lanche dele com ninguem e disse que ele poderia simplesmente dizer não. Neste momento os nossos problemas aumentaram, rs.


Pouco tempo depois disso o Edu começou a reclamar de uma coleguinha que não o deixava pegar livros na biblioteca da escola. Por 2 semanas ele chegou em casa chateado porque não conseguiu pegar nenhum livro e dizia que a menina ficava andando atrás dele e tirando os livros da mão dele. Então, lá fui eu falar com a professora sobre os livros e a partir da semana seguinte o problema dos livros foi resolvido, mas outros problemas apareceram, rs.


Eu percebi que o Edu não comia mais os snacks que eu mandava e deixava-os para comer em casa. Um dia ele me pediu pra não mandar mais snack porque ele não queria mais comer no intervalo. Foi dificil tirar alguma coisa dele mas um dia ele me contou que a menina, a mesma da biblioteca, ficava ameaçando contar para a professora se ele não desse snack para ela.

O Edu é um menino super meigo e carinhoso, mas tem um senso de justiça muito grande. Como ele achava injusto ter que dar o lanchinho que ele tanto gostava para uma menina de quem ele não gosta, ele resolveu não levar mais o lanche e come-lo em casa. Foi muito bem pensado, mas não resolveu o problema dele porque ele continuou com medo da menina e se privando de algo que gosta. Esta história durou até as ferias de dezembro. Eu tentando arrancar informações; ele tentando se livrar da menina.



Agora em janeiro eu comecei convence-lo a levar para a escola o que ele quisesse e para não se preocupar com a menina. Tive longas conversas com ele, explicando que os adultos da escola estão ali para protege-lo (espero) e que ele não precisa ter medo porque a menina não vai fazer nada contra ele. Também disse que sempre que ele quiser, ele pode procurar um funcionário da escola para conversar ou falar comigo e com o papai, etc etc etc.


Então, resolvi mudar um pouco o lanchinho dele; comecei mandar queijinho porque parece que a menina gosta mesmo é do cookie de chocolate (e quem não gosta, né?). Mas segunda-feira, quando saiu da escola, ele estava chateado porque a menina disse que ele tinha que trazer um monte de lanchinhos para ela porque senão ela contaria para a professora.

(a sensação que eu tenho é que a menina fica brava quando ele não leva os cookies e então, em represalia, ela o ameaça de alguma forma. Primeiro foi na biblioteca e depois com intimidação mesmo porque ela é maior que ele e percebeu que ele fica com medo.)

Nós já estávamos chegando em casa e ele me contando estas histórias, eu dizendo que ia falar com a professora e de repente... me deu "um cinco minutos", eu fiz um retorno no meio da rua onde estava e voltei pra escola.


Imaginem a mãe do Eduardo chegando na escola 15 minutos depois de todo mundo ter ido embora com três crianças a tira-colo, rs. A secretária ficou me olhando atônita quando entrei na sala dela e disse que precisava de ajuda para resolver um problema que o Eduardou (como eles dizem) estava tendo. Contei o que vinha acontecendo e em seguida falei para o Edu explicar pra ela.


Nesta parte foi ótimo porque ele conversou tranquilamente com ela, explicando o que vinha acontecendo e ainda descreveu a menina, rs (tudo em inglês, é claro). Então a secretária chamou a professora e nós novamente explicamos a situação.


A professora ficou assustada porque ela disse que já tinha conversado com a menina naquele problema da biblioteca e que não tinha percebido mais nada. E então conversando com o Edu nós descobrimos que a menina age sempre que o pega sozinho no parque. Não sei dizer se ela é agressiva, e acho que ela nem ameaça bater nele, mas o fato dela ser maior que ele (ela é do grade 2) e ele não dominar totalmente a lingua faz com que o Eduardo fique com medo dela.


A professora já conversou com a menina e por enquanto ele está levando os cookies e ela não se aproximou. Espero que este problema esteja resolvido mesmo. Eu adoro a escola e não gosto de ficar reclamando das coisas, mas nestes casos nós temos que estar sempre atentos. Muitas vezes a criança não conta tudo o que está acontecendo, e nem é por medo, mas porque acha que pode resolver a situaçao sozinha. O Edu estava tentando resolver tudo do jeito dele e se nós não tivéssemos percebido o problema poderia ter se tornado muito maior.

E eu fui descobrindo estas coisas meio que sem querer; em uma frase que ele soltou um dia. Pra sorte dele, foi bem no começo e esta situação não chegou a interferir na vida dele, mas eu imagino o quanto a hora do snack não era estressante para ele e como ele devia ficar fugindo da menina no parque.


Eu já sofri muitas ameaças na escola. Meninas repetentes grandalhonas que ficavam perseguindo as menores. Mas naquela época não se tinha a menor ideia da existência de bullying e muitas vezes a vítima levava a culpa.

Me lembro de uma menina chamada Catia que devia ser uns 4 ou 5 anos mais velha que eu e que vivia me ameaçando. Ela ficava me provocando, ameaçando me "pegar" na saída, um verdadeiro terrorismo. Ela achava que eu e minha amiga nos encontrávamos para falar mal dela ou rir dela, sei lá. Eu morria de medo e não contava pra ninguem na escola. E minha mãe sempre me falava: "fica longe dela que ela não vai te fazer nada". Mas como ficar longe se estudavamos na mesma sala e ela estava sempre por perto me olhando? Graças a deus ela foi reprovada "mais um vez" e eu me livrei daqueles olhos verdes apavorantes, mas jamais vou me esquecer daquela menina.

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Esta música foi baseada na historia de Jeremy Wade Delle que em 1990 cometeu suicídio em na sala de aula, em frente aos seus amigos e professora de inglês, como "protesto" pelas agressões que sofria


PS: alguns links interessants sobre o assunto:

Bullying - Wikipedia
PREVNet Canadá

Safe Canada
Bullying Prevention in Schools
Cyberbullying Canada
Bullying org

PS2: Acho muito importante dizer que só colocar a culpa na escola não é correto. Eles têm que ficar atentos sim, mas nem sempre é facil detectar estas coisas no início. No caso do Eduardo, não havia nenhum tipo de violência física e ele não reclamava de nada. Imagino que todo mundo o via conversando com a menina e não imaginava que naquele momento ela o estaria ameaçando.
 
Por outro lado, agora todo mundo sabe que eles NÃO são amigos. Logo eu espero que a escola proteja meu filho e não deixe que ela se aproxime mais dele; pelo menos não deixem os dois sozinhos.

Jan 28, 2010

Cadê o frentista simpático???

Quando eu pensei que estava livre das caronas do marido e do medo de ser pega pela polícia sem carteira de habilitação canadense, outro problema surgiu: eu vi a luz da reserva do tanque de gasolina acender.

Por aqui não tem muito aquela história do frentista simpático que vem abastecer e enquanto o tanque enche, ele vai limpando os vidros e perguntando como está o óleo. No posto de gasolina continua a história do faça vc mesmo e eu nunca tinha abastecido sozinha antes.

Desci do carro com o fiscal (leia-se marido) do lado e fui tentar pela primeira vez. E a minha primeira vez tinha que ser em condições adversas, o que no Canadá significa frio pra caramba!!! E fica aquela dúvida: será que eu consigo fazer isso de luvinha? Mas se eu tirar a luva vou ficar com a mão congelada!!!

Frescura!!! Abastecer é a coisa mais facil do mundo e pode ficar de luvinha que até ajuda pra abrir o tanque. Só não pode esquecer de pegar o recibo do cartão de crédito no final.

O legal é a esponja com água que eles gentilmente deixam por alí para vc limpar os vidros "by yourself". Eu imagino que quando ela está descongelada funcione super bem!!!

Agora sim eu posso dizer que estou independente do marido de vez!!! Bom, quer dizer, ainda preciso treinar um pouco melhor aquela história de direita e esquerda (depois eu conto o que aprontei logo que cheguei por aqui, rs) e como não gosto de GPS preciso estudar um pouco o guia de ruas.

PS: Por favor digam a verdade: vcs sabem onde fica o Norte somente pela posição do sol? Meu marido diz que sabe e como estou sempre perdida eu confio nele.

Jan 26, 2010

Aprendam comigo!!!!




Por que deixar para amanhã o que se pode fazer hoje??? É o que eu me pergunto agora, mas não pensei nisto há quase um ano atrás!

Logo que chegamos por aqui, o Sergio começou a pensar em tirar sua carteira de motorista e em maio já estava com a G Full em mãos. Apesar da insistência dele, eu fui protelando, protelando, esperando e só em julho resolvi fazer o teste escrito.

Passei e já agendamos o teste para final de agosto. Pois vcs acreditam que 2 (dois) dias antes do meu teste os examinadores entraram em greve e a greve só acabou no dia 4 de janeiro??? Por sorte o meu instrutor foi reagendando o meu teste e agora, que a greve acabou, eu consegui fazer o teste hoje (dia 26). E justamente hoje amanheceu nevando!

Até ontem à noite eu estava bem calma (ou pensava estar, rs) porque sonhei que a Gloria Peres (a autora de novela, sabe?) ia ser a minha examinadora, rs!!! E no sonho eu fazia uns testes muito esquisitos para os quais eu não tinha treinado, rs.

Mas hj de manhã, depois deste sonho idiota e de ver a neve caindo lá fora, eu fiquei muito nervosa. Tive até uma crise de choro antes de sair de casa, rs e achei que existia uma possibilidade de ser reprovada e ter que continuar no banco do passageiro.

O problema é que o Sergio está fazendo um curso full time e eu tenho que levar o Edu na escola, alem de ter que ir para minha escola de inglês dirigindo também. Sem contar que estou presa ao Sergio o tempo todo e dependendo dele pra tudo.

As 9:30 meu instrutor me pegou aqui em casa e ficamos treinando o caminho várias vezes até as 11:15, quando começou meu teste. A grande vantagem é que o percurso todo é aqui pertinho de casa e são ruas que a gente pega quase todo dia. Até o Sergio ficou surpreso em como ele estava perto da nossa atual casa quando fez a prova (qd ele fez nós ainda morávamos em Mississauga).

 Logo de saída eu vi uma outra moça na minha frente cometendo alguns errinhos: ela saiu com o carro engasgando e parou em cima da passagem de pedestre. Acabou sendo bom porque eu prestei super atenção nisso e fiz tudo direitinho (eu acho). Mais pra frente eu a vi novamente e ela ficou indecisa em uma intersecção e acabou parando no meio da rua e fez todo mundo parar também. Foi a maior confusão, todo mundo businando e eu fiquei tão nervosa que parei no farol verde pra ter certeza que não vinha ninguem, rs. Então fomos para a Highway e foi muito bom (modestia à parte): eu consegui entrar na velocidade correta e não encontrei ninguem para me atrapalhar nas mudanças de faixa, nem acreditei que fiz tudo direitinho! No final fiz o paralel parking com tanta precisão que quando puxei o freio de mão não conseguia parar de tremer e até pedi desculpas para o examinador porque precisei de uns 2 segundo para respirar, rs. E nesta hora eu senti que realmente estava aprovada. Dali voltamos para o local de início e tudo deu certo.

O cara foi super simpático comigo, me disse que eu não precisava ficar nervosa porque era apenas um test e eu sabia o que tinha que fazer. E no final, antes de descer ele me perguntou porque eu não passei no farol verde, rs. Eu expliquei que fiquei nervosa por causa da moça, ele me deu a mão e me deu os parabens!!!

O problema é que eu só acreditei mesmo quando o instrutor leu pra mim, rs. E corremos para pegar a minha carteira provisória. Neste nervosismo todo eu nem me lembrei de colocar o casaco quando sai do carro e nem senti frio.

PS: Agora cuidado: que já estou habilitada para andar pelas ruas e highways do Canadá e vc pode encontrar com esta doida aqui a qualquer momento!!!


Jan 25, 2010

Toronto é mesmo uma das melhores cidades pra se morar????

Já faz exatamente 1 mês que eu li uma reportagem no Terra Turismo falando sobre Toronto. Segundo a reportagem, os canadenses chamam a cidade de pequena New York; eu diria que aqui é a New York canadense. Eu amo New York, mas acho que morar em Toronto é ainda melhor (até porque eu não tenho outra opção, rs).

Eu particularmente gosto muito desta dualidade que Toronto tem. Em alguns pontos da cidade temos o movimento, o trânsito, as pessoas andando apressadas pelas ruas, o barulho, a poluição, mas é tudo tão controlado que as vezes fica engraçado.

Por outro lado, alguns bairros parecem aquelas cidadezinhas do interior de São Paulo: sabe aquelas senhorinhas indo no supermercado de manhã, as pessoas caminhando calmamente pelas calçadas, as mulheres levando seus filhos nos parquinhos e uma sensação de que nada de ruim pode acontecer.

Quando eu cheguei ao Canadá, apesar de tudo o que li, tudo o que "estudei" e tentei me informar, eu tive varias surpresas, agradaveis e desagradaveis. Confesso que me decepcionei profundamente com Mississauga, que eu imaginava ser uma cidade pequena perto da Metrópole. Hoje eu descobri que esta cidade pequena seria talvez Milton, talvez Oakville, mas nunca Mississauga, rs.

Também me decepcionei com esta ideia de uma cidade voltada para atrair imigrantes e com todos os problemas que isso pode trazer para ela. E então comecei a passear por Toronto e acabei me surpreendendo demais com esta cidade. Por sorte as coisas se encaixaram e eu encontrei um bairro que reproduz exatamente o que eu sonhava encontrar aqui no Canadá (obrigada pela dica Camila).

Eu moro em um bairro residencial, em uma cidade que foi anexada a Toronto há poucos anos atrás. Se por um lado pertencemos a Toronto e podemos usufruir de tudo o que a cidade oferece, por outro temos alguns resquícios do tempo em que éramos um município separado. Um bom exemplo foi na longa greve dos lixeiros de Toronto, em que não tivemos problemas com a coleta porque o serviço de coleta de Etobicoke ainda é separado.

O bairro onde eu moro também tem a grande vantagem de ficar bem na borda da cidade de Mississauga. Tudo bem que eu não gosto de Mississauga pra morar, mas não posso negar que a cidade tem bons centros comerciais, muitas vezes mais próximo da minha casa do que os de Toronto; e muitas vezes com preços mais baixos em algumas lojas, rs. O fato é que eu aproveito o que a cidade tem de bom sem ter que conviver com o que eu não gosto de lá.

O grande problema do bairro onde moro é que sem carro e com crianças as coisas são meio complicadas. O Sergio até anda bastante de ônibus, consegue fazer quase tudo caminhando ou de transporte coletivo, mas com as crianças e o frio é meio complicado. Agora, com um carrinho na garagem, eu acho que não existe lugar melhor pra minha família, rs. Estamos super satisfeitos com a vizinhança, com a escola e com todas as possibilidades que temos encontrado por aqui.

Quanto ao resto da cidade, eu ainda estou em lua de mel (ando meio decepcionada com o Canadá e algumas políticas que ele vem adotando, rs) mas Toronto é a minha grande paixão por aqui. Tenho encontrado cantinhos escondidos, lojinhas super legais de tudo quanto é coisa. E fora o "chocolate do padre", que não tem em lugar nenhum (e eu mantenho meu estoque com os amigos que vão para o Brasil - Elaine e Renata, rs), eu encontro de tudo por aqui. 

Há algumas semanas eu saí atrás de lã para fazer tricot (eu amo fazer tricot) e encontrei uns lugares maravilhosos com tantas opções que precisei estudar um pouco em casa antes de poder pensar em comprar.

O Toronto Fun é outra coisa super legal que a cidade oferece aos residentes, mas que os visitantes também podem aproveitar apesar de ser um pouco mais caro. Todo final de estação eles disponibilizam na internet e nos "centros comunitarios" a programação de esportes que a cidade vai oferecer. Tem muitas opções para todas as idades e os preços são muito bons. Minhas crianças estão adorando e já estão fazendo planos para a próxima temporada.

As opções de lazer são infinitinas e em todo lugar vc encontra coisas para fazer em qualquer estação do ano. Aqui pertinho de casa, no Centennial Park tem uma pista de Sky que eles mantem funcionando durante todo o inverno, mesmo quando a neve não vem (usam neve artificial). Lá vc pode alugar os equipamentos e treinar porque a descida é bem tranquila. Com crianças vc pode aproveitar os morrinhos do parque. Nós compramos tres "pranchas" (não sei como traduzir) para as crianças e eles passam horas descendo os morros cobertos de neve (quando tem neve porque nesta cidade não neva, rs). E ainda tem as pistas de patinação espalhadas pela cidade inteira. E o mais interessante: as pessoas se inscrevem e participam. Dificilmente alguem falta às atividades independente das condições do tempo.

Se a cidade tem problemas??? Claro que tem: imaginem que o ano passado em torno de 60 pessoas foram assassinadas por aqui e os moradores estão apavorados com a expansão da violência. Infelizmente ela está aumentando mesmo. Mas por enquanto as pessoas não estão anestesiadas e parece que estão tentando fazer alguma coisa.

PS: Só por curiosidade eu coloquei aqui um mapinha da violência em Toronto por região.

Jan 22, 2010

Uns por todos e cada um por si

Na fase alta da gripe suína eu falei um pouco sobre a vacinação aqui no blog. Todo mundo aqui em casa tomou a vacina e muita gente que eu conheço também. Por sorte não houve uma grande epidemia mas poderia ter havido e eu acho que valeu o risco.

Fui chamada na escola do Eduardo na quarta-feira porque ele apresentava lesões de chickenpox (catapora) e deveria ficar em casa uns 10 dias. Nós o levamos à pediatra que diagnosticou a catapora mas disse que ele não precisa ficar em casa todo este tempo porque a fase de transmissão já passou e como ele foi vacinado, a doença está muito, muito branda. Pra falar a verdade ele tem uma lesão no pescoço e umas manchinhas mínimas pelo corpo (10 no máximo).

Para entrar no meio termo eu resolvi deixa-lo em casa somente até segunda feira e nem um dia a mais!!!!

O fato é que mais ou menos 10% das crianças vacinadas não ficam totalmente imunizadas e acabam desenvolvendo uma doença super branda e praticamente sem sintomas. Entretanto um número considerável de pais aqui no Canadá se recusa a vacinar seus filhos para qualquer coisa e se estas crianças entrarem em contato com o vírus vão desenvolver aquela catapora típica que ocorria na minha infância. De qualquer forma é uma doença branda mas que pode ter complicações em alguns casos.
 O que eu fico me questionando é se é justo meu filho perder 10 dias de aula, 10 dias de atividades que ele gosta muito porque algumas pessoas pensam unica e exclusivamente nelas mesmas e nunca no coletivo.

Explico:
 No meu caso, vacinar meus filhos foi mais do que protegê-los contra doenças. Eu acredito que a vacinação é muito importante no sentido de conter o agente que causa a doença e não permitir que ele continue se propagando. Se todas as crianças fossem vacinadas a propagação da doença seria mínima e em alguns casos a doença poderia ser erradicada.
 O que seria do Brasil se não tivéssemos as vacinas contra polimielite, contra varíola (algum leitor já conheceu alguem com varíola?) e tantas outras. Hoje nós falamos de sarampo como uma doencinha de infância que muitas crianças nem chegam a desenvolver, mas por muito tempo esta doença foi muito temida porque matava com uma frequência altíssima.

Infelizmente nenhuma vacina é 100% segura. A famosa vacina Sabin, aquela da gotinha, é dada em massa para todas as crianças até os seis anos de idade no Brasil. Ela é maravilhosa e livrou o Brasil da poliomielite, mas não é 100% segura porque o virus é atenuado e pode se tornar ativo. Na verdade, ele se torna ativo em alguns casos e estas crianças desenvolvem a doença. Para os pais destas crianças não é nada agradável, mas em termos de população esta vacina foi um avanço enorme.

Meus filhos tomaram a Salk, que é mais segura e se livraram deste risco. Apesar de ser uma vacina cara, o nosso plano de saúde da época pagou, entao valeu a pena. Mas em termos de população a Sabin é imbatível por ser mais barata e prática.

A pediatra das crianças disse que não existe nenhuma determinação do governo para que as crianças fiquem em "isolamento" hoje em dia. Seguindos as instruções da pediatra vou mandar o Edu de volta para a escola porque eu fiz a minha parte e arquei com os riscos e não acho justo eu cuidar dos filhos dos outros sozinha.

PS: Só pra completar, acabei de ler que se a criança estiver bem ela não precisa ficar fora da escola e que, as crianças que são suscetíveis devem ficar 5 dias em casa e a eles deve ser oferecida a imunização (Health Ontario).

Jan 21, 2010

A águia e a coruja

Um dia a Dona Coruja estava falando de seus filhotes para a Dona Águia:

- Ahhhh, eles são lindos, bem feitinhos de corpo, alegres e graciosos. É impossível  não se apaixonar por eles à primeira vista!

Algum tempo depois a Dona Águia encontrou um ninho com três monstrengos dentro. "Não devem ser os filhos da coruja" ela pensou e comeu-os.

Ao encontrar com a coruja novamente, veio a surpresa:

"Ohhh amiga Águia, alguém comeu os meus três filhotinhos. Eles estavam bem alí no ninho e alguém os comeu."

"Então eram seus aqueles monstrinhos??? Pois não pareciam nada com a descrição que deles me fizeste".

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A Helena já está totalmente adaptada ao ballet. Entrou na classe toda saltitante e sorridente! Fiquei acompanhando a aula pela janelinha e ela estava linda!!! Eu tenho a impressão que das meninas que estão fazendo ballet ela é a mais bem feitinha de corpo, alegre e graciosa! A própria filha da coruja!

Jan 20, 2010

"Eu pegaria as crianças"

Não tem nada melhor do que sair de casa. O Sergio está fazendo um curso de biotecnologia na Universidade de Toronto e está sendo muito legal. Primeiro porque a U of T, como é "carinhosamente" chamada por aqui, reconheceu o diploma dele. Segundo porque o curso é gratuito e a seleção foi bem rigorosa. Mas talvez o principal motivo seja o fator emocional: é super bom saber que vc está fazendo alguma coisa de verdade, que realmente vai te trazer algum conhecimento ou pelo menos um network.

Neste curso o Sergio tem conhecido muita gente interessante e cada dia ele chega aqui com uma história diferente. Hoje, uma indiana que mora aqui pertinho de casa estava contando pra ele que em janeiro do ano passado o predio dela pegou fogo. Os bombeiros não estava conseguindo controlar o incêndio e mandou todo mundo descer.

O detalhe é que a sensação térmica do lado de fora era de -30 e eles ficaram quase uma hora na rua, esperando os bombeiros apagarem o incêndio. E o pior de tudo foi que na correria, todo mundo saiu apenas com um casaco e sem grandes proteções para o resto do corpo.

E nós ficamos aqui imaginando a ansiedade daquelas pessoas, ali, paradas, sem poder fazer nada e correndo o risco de perder tudo, ou seja, o pouco que têm: os documentos, as fotos, os moveis...

" O que vc pegaria, Lena?"
"Eu acho que pegaria o computador."
"Eu pegaria as crianças!"

Depois dessa é melhor não falar mais nada!!!

Jan 18, 2010

4 aninhos da Helena

Hoje a nossa bonequinha está completando 4 anos; e o que dizer desta menininha.


A Helena já veio ao mundo decidida. Estávamos esperando-a para final de janeiro e no dia 17 fui fazer uma consulta de rotina e o médico ficou meio preocupado porque parecia que o coração do bebê estava meio desacelerado. Fomos correndo para a maternidade para fazer um exame. Meu maridinho ficou tão preocupado que não conseguiu dirigir; eu fui dirigindo, rs.


Fizemos o exame e deu tudo normal. Quando o médico nos liberou e eu fui me levantar para ir pra casa senti a primeira contração. Fraquinha, curta mas senti que tinha chegado a hora de conhecer minha menininha. Em poucos minutos o médico também começou acreditar que meu bebezinho ia nascer. E então começou a correria...


Já tinha passado das 11 da noite quando o Sergio saiu da maternidade, tomou um lanche no Mc Donald's que estava fechando e foi pra casa buscar minha mala. Enquanto isso eu fui para a sala de parto. E as contrações foram aumentando, e foram aumentando, e foram aumentando, então o médico me disse:


- Liga para o Sergio porque eu acho que não vai dar tempo!!!


Quando falei com ele, ele ainda estava perto da minha casa e então começou o desespero!!! Mais ou menos a 1 da manhã o Sergio chega todo tranquilo e já entregam pra ele a "roupa cirúrgica" e avisam que o bebê já estava nascendo. Enquanto isso eu estava me contorcendo de dor e me preparando para a anestesia.


Á 1 e meia a Helena nasceu: linda e sem nome!!!  Ficamos 3 dias indecisos, sem saber qual nome colocar da nossa listinha e a maternidade inteira me cobrando: só o bercinho dela não tinha nome, rs. Mas de repente, no último dia, nós decidimos que ela tinha cara de Helena e não me arrependo: ainda adoro este nome!


Ontem nós fomos comprar um presente de aniversário e eu acabei me estressando muito (depois eu conto porque, rs), mas ela ficou super tranquila. Ela não liga pra estas coisas, ela adora o que tem e não exige muito mais. Com este jeitinho de não ficar pedindo mundos e fundos acabou ganhando varias coisas que eu sei que ela gosta: dois quebra-cabeças de 48 peças, um quebra-cabeças do alfabeto da Dora que ela amou e um porta joias com gavetinhas e milhões de pedrinhas para decorar como um mosaico. Ainda comprei uma tela para bordar com linha para ela e para o Edu.

Muita gente gosta de dizer que o filho do meio sempre é mais problemático, mais ciumento, mais inseguro e muitas outras coisas. Eu particularmente sou contra estes "personagens" que as pessoas gostam de colocar na gente. E tenho sempre observado muito as crianças para não deixar que elas assumam estes papeis que tentam colocar nelas.

Observando a Helena eu vejo uma menina muito tímida, que adora participar de tudo mas não gosta de ser o centro das atenções, ainda assim não deixa de fazer as coisas que quer. Geralmente no inicio de uma nova amizade ela fica grudada em mim ou no pai e tem uma certa dificuldade na hora da separação, mas se ela quer realmente fazer algo, rapidinho ela se solta.

Ela costuma não brigar muito, gosta de negociar e sabe ceder e ter paciencia de esperar. As vezes eu ficava preocupada porque achava que as outras crianças a faziam de bobinha. Hoje eu mudei a minha opinião: atrás do seu jeito quietinho e apaziguador, ela vai envolvendo e sempre acaba conseguindo o que quer.

Helena é muito carinhosa e atenciosa; está sempre atenta a tudo o que esta se passando ao seu redor e quando vc pensa que ela estava distraída assistindo seu desenho favorito, ela vira e solta um daquelas comentários de quem ouviu a conversa inteira e formulou uma opinião a respeito.

Parabens filhinha. Prepare-se porque este ano ainda te reserva muitas mudanças e muitas emoções, mas eu fico tranquila porque sei que vc está preparada.

Jan 16, 2010

Isso também é uma vergonha!!!

A bestialidade humana não tem limites. Como pode um consul de um país, em um momento em que seu país passa por tanta dor, tanto sofrimento, tantas perdas irremediáveis, falar e pior, acreditar, em uma idiotice tão grande?


E a exemplo daquele idiota brasileiro, vem pedir desculpas e ainda diz que não sabe falar direito a lingua portuguesa e se expressou mal.

Depois a gente fica com raiva, fala que tem que matar um cara desses e o povo me chama de radical!!! Tudo bem, matar é muito grave, mas uma boa surra de vara de marmelo aliviaria bem a minha raiva!!!


Jan 14, 2010

Só a bailarina que não tem



Quando eu era criança várias coleguinhas e primas minhas faziam  ballet. Eu achava o máximo e adora assistir as apresentações que elas faziam no final do ano, rs. Mas infelizmente ballet era considerada uma dança da burguesia e não era vista com bons olhos por muitos, afinal, qual menina de classe média nunca fez aulinhas de ballet? Poucas, né?

O fato é que eu nunca pude fazer apesar de ter sonhado muitas vezes, rs.

Aqui no Canadá estas coisas funcionam de maneira muito diferente: este tipo de preocupação com a classe média não existe e o ballet não sofre preconceitos. Eu matriculei a Helena na programação de inverno do Toronto Fun e esta sendo bem legal.

Na primeira aula dela eu tive também a minha primeira aula de ballet, rs. Ela não quis entrar sozinha de jeito nenhum e eu tive que entrar com ela. A professora não se incomodou, aliás, foi super simpática, mas o pior estava por vir. A Helena queria que eu fizesse as coisas junto com elas, rs. Eu até fingi que estava fazendo mas acho que ainda tenho uma certa noção de ridículo e fui me afastando disfarçadamente, rs.

Ela passou a semana dizendo que não queria ir mais porque queria que eu fosse junto. Hoje, na hora de ir para a aula, eu coloquei a roupa nela (tática, porque sabia que ela não resistiria à roupa, rs) e perguntei:

-Vai querer ir na aula?

E completei com uma história da minha adolescência quando eu fui jogar handball na escola. Eu contei que eu sentia vergonha (e tinha motivos porque era uma goleira frangueira, rs) mas que minha mãe não podia entrar comigo (imaginem minha mãe do meu lado no gol - essa é sua mãe!!!) e que mesmo assim eu ia jogar.

E sabe que este papo a convenceu!!!??? Ela fez uma carinha de riso e foi toda animada para a aula. É bem verdade que na hora em que viu a professora não queria entrar e acabou entrando empurrada, chorou um pouquino mas em poucos minutos se soltou e vcs não imaginam a carinha de felicidade dela quando saiu da aula.

Passou o resto da tarde vestida de bailarina dando saltinhos e amou este video aí de cima que eu encontrei procurando por esta música do Chico Buarque, que eu amo (o Chico e a música).

E esta é a história da nossa primeira aula de ballet. Como vcs veem: nunca é tarde para se realizar um sonho!

PS: infelizmente a letra da música não está completa no vídeo. Então eu vou deixar aqui esta outra versão com o gatíssimo Chico Buarque!!! Não sei o que aconteceu mas não consegui colocar o video aqui. Mas se forem lá conferir, não deixem de prestar atenção ao detalhe da coçadinha no pé, rs.

Jan 13, 2010

Zilda Arns


As vezes eu me sinto em uma bolha aqui em Toronto: chovendo no Brasil, um frio danado na Europa e o Haiti devastado por um terremoto. Enquanto isso Toronto flutua nos seu 4 graus positivos em pleno mês de janeiro com um resquício de neve lá fora e uma sensação de impotência muito grande. Um vazio enorme!


O terremoto me abalou demais (sem trocadilho!) e a morte de Zilda Arns também.
Ao contrário do que se costuma fazer no Brasil, o trabalho de Zilda Arns era silencioso: sem grandes predios, sem ostentação, sem teorias caríssimas que só servem como propaganda eleitoral. Esta médica acreditava que é a traves da educação que se pode resolver a maioria dos problemas sociais de um país e eu concordo plenamente com ela. Com um trabalho simples de orientação e acompanhamento, Zilda Arns salvou a vida de milhares de crianças e tenho certeza que ela foi uma das grandes responsáveis pela diminuição da mortalidade infantil no Brasil.


Uma grande perda para o mundo.



Jan 11, 2010

Conclusões sobre a neve



Bem, sou obrigada a dar a minha opinião de especialista!!!

Na verdade, toda aquela história de que o Canadá é o "país mais frio do planeta" é exagero. Estamos aqui, em pleno mês de janeiro com agradabilíssimos -6 graus celsius e muito bem obrigada, rs.

Falando sério agora: estou muito surpresa com o tempo aqui em Toronto. Eu esperava por algo bem pior! Tem feito frio sim, é verdade, mas nada que um bom casaco, luvas, cachecol, botas e toquinha não resolva. Nos primeiros dias de neve eu levei as meninas para a escola de inglês completamente encapotadas. Além do trabalhão para por e tirar tudo ainda tinha o problema delas sairem do carro quase sufocadas para andar 5 metro. Agora eu coloco um bom casaco, botas, luvas e protejo as cabecinhas delas e damos uma corridinha até o day care. Assim, elas nao precisam ficar tirando milhões de roupas e nem cozinhando cheias de calças e meias.

Já para o Edu é um pouco diferente porque na escola ele sempre sai para brincar ao ar livre, então tem que ir todo dia muito bem agasalhado.

Quanto à neve, ainda estamos em lua de mel. Tem sido bem tranquilo limpar a neve do carro e da frente de casa. Temos tomado cuidado para não deixar a neve acumulando na frente da garagem para não virar gelo e nem na calçada, pois o carrinho motorizado só passa quando a neve atinge uma determinada altura (coisa que ainda nao aconteceu). Mas tem sido tranquilo e divertido.

Também estamos tomando cuidado para não formar uma montanha bem na beirada do jardim: sempre jogo a neve da garagem lá no meio pra ficar espalhada.

E o que aprendi de verdade foi que aqui é preciso tomar cuidado com o piso que vc escolhe para a calçada e garagem da sua casa, rs. O piso da minha é cheio de reentrancias onde a pá enrosca quando vc está tirando a neve. Tem horas que dá vontade de passar um cimentado em cima. Mas pior ainda é na calçadinha bem na frente de casa onde o meu land lord (polones que vive no canada há mais de 10 anos) colocou pedra e encheu os espaços entre elas com pedrinhas. Precisa ter uma certa paciencia pra tirar a neve. Ou será que o piso tem que ser assim mesmo? Algum palpite?

Enquanto as temperaturas colaboram e as "grandes nevascas" não chegam por aqui, nós vamos aproveitando a estação. Pra ser bem sincera, a neve me atrapalha muito, mas não por causa dos transtornos que ela cria, e sim porque eu fico hipnotizada olhando-a cair pelas janelas: é uma das coisas mais lindas que já vi!

PS: Eu comprei uma maravilhosa calça pra neve em uma super promoção no Wal Mart e só saio pra limpar a neve ou brincar no quintal com ela. Posso rolar ño chão e continuo sequinha. E alem do preço baixo, esta calça ainda levantou minha auto estima. Eu passei semanas procurando por uma calça e não encontrava nenhuma com preço baixo e que eu gostasse. Neste dia no Wal Mart eu já estava desanimada porque só tinha tamanhos gigantes que não serviam em mim. Até a média era gigantesca e não encontrei nenhuma P (ou S, como queiram). Então, o Sergio viu uma linda calça meio cor de vinho na seção de crianças. O maior número era o 16 e não é que a danada serviu direitinho em mim? Ficou perfeita!!!

PS2: Eu acho que blog é o máximo, porque daqui alguns anos eu vou poder vir até este post e dizer: "puxa, ainda me sinto assim" ou então: "como eu era idiota de gostar desta porcaria", rs.

PS3: Estou sensibilizada com minhas amigas que vivem na Europa. Eu aqui pedindo neve e a neve caindo do outro lado do oceano: não é nada justo, né? Desculpem meninas, será que eu fiz alguma coisa errada na dança da neve?

Jan 8, 2010

É chato ser famosa!!!

Não estou mais aguentando esta vida de fama. Agora vou me tornar aquelas celebridades excêntricas e só vou dar autógrafos com hora marcada, please!!!

Todo este bla bla bla pra contar que nossa foto saiu no jornalzinho SNAP North Mississauga de janeiro!!! Estávamos assistindo a Santa Clauss Parede e uma reporter do jornal perguntou se podia nos fotografar. Como tem muita gente aparecida perdida por ai, alguns logo aceitaram, né Sergio e Renata?

Mas até fiquei contente com a foto; não saí com aquelas caretas que costumo fazer, rs. A nossa foto esta na primeira coluna; segunda linha!

Jan 7, 2010

Boris Casoy e seu comentário

Eu fiquei extremante chateada com a besteira que o Boris Casoy falou no ano novo. Pra que humilhar os moços daquele jeito? Os dois estavam fazendo seus trabalhinhos honestos, sem encher o saco de ninguem. A emissora que foi atrás deles para que eles aparecessem na tv.


E o pior é que de uma maneira geral, dos serviços públicos da cidade de São Paulo, a coleta de lixo é uma das coisas que funcionam melhor. Pelo menos onde eu morava eles eram muito simpáticos e faziam tudo direitinho.


Pra quem não viu:






Mas o pior mesmo foi o pedido de desculpas. Com aquele pedido ficou bem claro que não foi uma piadinha; ele na verdade acha isso mesmo. "Como um bando de lixeiro pode desejar feliz ano novo pra alguem?"


Eu fico imaginando como os dois rapazes ficaram chateados, como se sentiram humilhados com um comentário tão infeliz.






PS: uma coisa muito legal que tem aqui no Canadá é que ninguem está preocupado com o status da sua profissão. De uma maneira geral as pessoas não têm estes preconceitos e ninguem se sente diminuido por trabalhar na coleta de lixo, ou na limpeza ou em qualquer coisa. Todo trabalho é trabalho e nunca vi nenhum comentário deste tipo relacionado à profissão de alguem; exceto vindo de outros brasileiros.

Jan 6, 2010

Feliz aniversário pra mim!!!

Minhas maiores realizaçoes
Eu adoro fazer aniversário; sempre gostei. Apesar de já estar chegando nos 40 ainda me sinto jovem e não me incomodo nem um pouco com minha idade. É claro que virando o cabo da boa esperança a gente já começa a pensar que está chegando na metade da vida ou que a probabilidade de já ter passado da metade é cada vez maior.

De qualquer forma eu estou em uma fase super feliz da minha vida, cheia de conquistas e realizações de sonhos e tenho certeza que sempre vou me lembrar com saudades dos meus quase 40!

Quando olhos pra trás eu vejo o quanto já fiz nestes 39 anos bem vividos; quanta água já passou por debaixo desta ponte e foi muito bem aproveitada. É bem verdade que nem sempre fui uma pessoa otimista, alegre e alto astral. É, eu também já fui adolescente problemática que reclamava por ter cabelo cacheado, ser muito magra, ser muito branquela, ser desengonçada e estabanada.

Tive muitas crises com minha mãe, que a meu ver não me compreendia; muitas crises com amigos de quem eu morria de ciumes; crises com namorados que não me amavam o suficiente... enfim, uma jovem normal, rs.

Mas tem algumas coisas em mim que eu adoro e procuro não perder. Em primeiro lugar minha determinação e força de vontade: quando eu quero uma coisa não tem quem me faça desistir. Eu faço o mundo girar ao contrário se for preciso. Mas não gosto de caminho facil. Atalho não é bem o meu caminho predileto e apesar de conseguir tudo o que quero, eu sempre tenho que me esforçar muito.

E adoro em mim, a minha "facilidade" de adaptação às coisas. Eu sempre resisto um pouco no começo; faço cara feia, fico me questionando se vou conseguir me adaptar, mas em poucos minutos já estou planejando como serão as coisas nesta nova situação e quais são os pontos positivos dela.

Nestes quase 40 anos eu aprendi que muitas coisas em mim atrapalhavam a minha vida e muitas vezes a vida dos outros. Aprendi que o ciumes não é uma qualidade e que em mim era um defeito dos grandes. Aprendi que otimismo abre sua mente para ver e aproveitar as coisas boas que estão ao seu redor. Aprendi que criticas sempre são bem vindas porque nos ajudam a pensar, mesmo quando não concordamos com elas. Aprendi que amigo de verdade é aquele que não faz cobranças e não se chateia.

Felizmente ainda tenho muito o que aprender e estou em um treinamento intensivo aqui no Canadá. Estou aprendendo que não devemos esperar nada dos outros. Estou aprendendo que não vale a pena tentar ajudar quem não sabe que precisa de ajuda. Estou aprendendo que não são só as crianças que precisam amadurecer antes de aprender certas coisas. Estou aprendendo a ter paciência, a esperar, a entender que de vez em quando não dá pra mudar uma situação. Estou aprendendo a falar menos, a pensar antes de falar, a selecionar as palavras.

E estou decidida a não deixar o meu "sangue latino" ferver com tanta frequência, porque sou explosiva demais!!!

Enfim, neste meu aniversário vou fazer também as minhas resoluções de ano novo e ver se onsigo me tornar uma pessoa melhor pelo menos até a próximo aniversário: o de 40 anos!

PS: Estou aproveitando de maneira especial este aniversário branquinho que estou tendo, com uma quantidade "apropriada" de neve que não chega a atrapalhar nossa vida mas que deixa as paisagens muito mais bonitas. Pra quem sempre fez aniversário no verão e nas ferias, esta está sendo realmente uma experiência nova para mim. Acho que vou até levar uma lembrancinha para meus amiguinhos da escola de inglês, já que nunca tive esta oportunidade na infância, rs.

Aulinha básica de português


Estava eu navegando pelo meu blog, quando de repente eu leio:

"Aulinha básica de reprodução com Marilena"

Pera ai!!! A aulinha básica é com a Marilena ou seria a reprodução!!!!???? Gente, e ninguém me avisa deste duplo sentido??? E qual a forma mais correta de dizer que a aulinha é com a Marilena falando de reprodução?

 "Aulinha básica, de reprodução, com Marilena"

ou seria:

"Aulinha básica de reprodução, com Marilena"

ou será que eu poderia dizer:

"Aulinha básica, de reproduçao com Marilena"

Pra não deixar dúvidas pairando no ar, eu resolvi mudar o título do post, rs. Mas fica aí o exercício!

Jan 5, 2010

Aulinha básica de reprodução

Primeira aula: Anatomia feminina

Bem, se na minha adolescência o assunto sexo era proíbido, aqui em casa esta história está sendo bem diferente. Percebo isso pela naturalidade com que as crianças fazem algumas perguntas, rs.

Helena escovando os dentes e eu colocando o pijama:

- Mamãe, eu queria ver aquele buraquinho.
- Que buraquinho, Helena?
- Aquele que sai o nenê.

Depois do choque inicial, eu pensei rápido e mostrei.

- Mas como que o nenê sai?
- Então, o nenê está lá dentro da barriga da mãe, ele vai crescendo, e quando ele fica pronto este buraquinho aumenta até o nenê conseguir sair.
- Mas vc tem que tirar a calcinha?
- Claro, tira toda a roupa, deita em uma cama, fica com a perna assim (mostrei a posição) e quando o nenê sai o médico o pega, limpa e vê se está tudo bem?
- Mas o médico vem aqui em casa pra pegar o nenê?
- Não, o nenê nasce no Hospital. A mãe vai para o hospital, e o nenê sai lá no hospital, na cama do hospital.
- E depois?
- Depois que o nenê saiu, o buraquinho fecha e o médico entrega o nenê para a mãe.

Helena pensou, pensou e continuou:

- Mamãe, quando eu for bem grande eu vou ter um nenê na minha barriga também?
- Se vc quiser (e tiver juizo pra não ter filho fora de hora - não falei) vai sim.
- Mas ja tem um nenê aqui dentro?
- Ainda não, criança não tem nenê, só mulher adulta (mas vamos mudar de assunto porque não estou psicologicamente preparada pra te dizer como eles vão parar aí dentro- não falei).

Pensou mais um pouco:

- Mamãe, então é igual um elevador?
- Elevador? O que é igual um elevador?
- O buraco: ele abre e fecha igual a porta do elevador (fez o gesto com as maozinhas).
- É isso mesmo. Igual a porta de um elevador (acho que por hora este nivel de detalhe é suficiente).

Agora já vou começar a me preparar para os outros niveis de detalhe, rs.

Jan 4, 2010

Ah se eu fosse mais nova...

O Sergio está me dando um cursinho básico de Rock-Punk-Heavy Metal e coisas desse tipo. Ele procura as bandas no you tube e na wikipedia e vai me explicando algumas diferenças e me colocando pra ouvir coisas atuais e também muito antigas, lá do início destes movimentos.

E hoje, na minha aula, ele estava se lembrando do quanto era difícil conseguir qualquer tipo de informação na nossa infância e adolescência. Lembrem-se que víviamos em bairros da periferia de São Paulo, estudando em escola estadual com professores que as vezes sabiam menos que nós. Biblioteca era artigo de luxo e mesmo quando eu conheci o Centro Cultural São Paulo eu não podia ir sempre porque pegar ônibus e metrô era caro, rs. Mas quando ia, ficava horas lendo sobre vários assuntos: literatura, religião e principalmente biologia que era minha paixão. É claro que eu também lia sobre coisas mais adolescentes como astrologia, por exemplo. Foi lá que aprendi a calcular o ascendente pela hora do nascimento, rs.

Eu me lembro que meu pai comprou uma enciclopédia da Abril e eu passava minhas tardes lendo coisas que me interessavam ou tentando aprender alguma coisa a mais que tinha visto na TV ou ouvido falar. No início da minha adolescência eu não tinha nenhum tipo de informação sobre sexo e para meus pais isso era assunto proibido. Aprendi muitas coisas sobre métodos anticoncepcionais em um trabalho que minha irmã mais velha fez na escola. Eu e minha melhor amiga liamos o tal trabalho o dia inteiro e depois corriamos para o dicionário para ver o significado de certas palavras que desconhecíamos. O detalhe é que apesar de saber muita coisa sobre métodos anticoncepcionais, eu não tinha muita informação de como os bebês eram feitos, só imaginava, rs.

Mas eu ainda posso dizer que era privilegiada porque tinha 3 irmãs bem mais velhas que me passavam uma ou outra informação em suas conversas de mocinhas; eu tentava sempre ficar ouvindo o que elas conversavam, rs. E ainda tive a sorte do meu pai comprar a tal enciclopédia que complementava muitas coisas.

No caso do Sergio, o interesse era por música e eu acredito que o trabalho dele era ainda mais difícil que o meu. Ele não tinha dinheiro para comprar discos e as radios no Brasil costumam investir na mesmice que dá audiência. Ele sempre me conta de como era difícil conhecer alguma coisa diferente e quando conseguia ouvir uma música de uma banda interessante acabava não tendo como encontrar mais informações sobre a tal banda.

Hoje tudo está ai, de graça, pra quem quiser ler e ouvir. Não existe um assunto que vc não tenha na telinha do seu computador e mesmo a televisão tem muitos programas interessantes que ensinam muitas coisas. Podemos pensar que muita gente não tem acesso à internet, mas mesmo quem tem não se interessa.

Eu fico me perguntando se as dificuldades é que faziam a gente querer saber mais e mais. Seja como for, acho que nós nos acostumamos com isso porque estamos sempre pesquisando um assunto novo, estudando alguma coisa, querendo aprender e aproveitar todas as facilidades que a internet nos trouxe. Aqui no Canadá estou sempre aproveitando as oportunidades que os outros imigrantes me trazem.

Hoje por exemplo, eu descobri que Sri Lanka foi invadido por Portugal um pouco antes de ser invadido pela Inglaterra e que por isso eles usam algumas palavras em português no idioma deles. Agora já sei que no Sri Lanka sapato é sapato. Pra que serve esta informação??? Sei lá, mas tenho certeza que um dia ela me será útil para alguma coisa, rs.

Ah se eu tivesse tanta facilidade de informação quando tinha 13 ou 14 anos...

PS: ter infância pobre não é nada legal quando vc está vivendo nela, mas hoje, depois de passadas aquelas dificuldades, eu me divirto muito lembrando como conseguia fazer as coisas mesmo com pouco dinheiro, rs.






Jan 2, 2010

O acaso cruzando o nosso caminho


O Sergio estava lendo o jornal no dia 29 de dezembro e viu uma reportagem sobre um atendimento médico que seria um "intermediário" entre os hospitais e as walk in clinics. Este tipo de centro seria mais ou menos um Pronto Socorro onde eles fazem exames, estabilizam pacientes em condições críticas e atendem pequenas emergências mas não fazem internação. Em casos graves eles transferem o paciente para um Hospital. Na reportagem eles comentavam sobre o Trillium Health Centre que fica aqui pertinho de casa e que está sempre vazio porque as pessoas desconhecem este tipo de centro.

Nós até passamos em frente no dia 30 e vimos alí uma boa opção às walk in clinics, que na minha opinião só servem quando vc tem certeza do que vc tem e precisa de uma prescrição.

No dia 31 eu amanheci com uma dor horrivel no globo ocular. Fiquei apavorada porque na semana anterior eu já tinha sentido alguma coisa mas achei que fosse sinusite (que sempre tenho) e na walk in clinic que eu fui a médica teimou que eu tinha dor de cabeça. Eu até tomei o antiiflamatorio que ela receitou e que resolveu por uns dias, mas eu não confiei no diagnostico dela.

Na hora que eu falei pro Sergio que queria ir ao médico, nós dois nos lembramos do tal centro e fomos pra lá. Eu ainda estava em dúvida se realmente eles atenderiam o meu caso e já fui me preparando para pegar um taxis para ir pra outro lugar uma vez que o Sergio voltou pra casa com as crianças.

E não é que quando eu estava entrando eu vejo entrando também uma funcionária da escola do Edu com o marido? O Sergio achou que não era ela, mas ainda assim eu fui correndo atras deles e puxei conversa. Quando ela me viu já veio me abraçar e me apresentou para o marido: "está é a mãe do Eduardo".

Foi simplesmente maravilhoso te-la encontrado. Ela já me explicou como funcionava, entrou e já pegou uma senha pra ela e outra pra mim. Depois conversou com o marido e me disse: "se sairmos juntos eu te levo até sua casa".

Ela estava com uma inflamação em um dente e com o rosto todo inchado; e como eu estava com problema no olho acabamos sendo atendidas pelo mesmo médico em uma salinha com o nome "olhos, nariz, ouvido e garganta".

Ficamos mais ou menos 1 hora e meia no total e o atendimento foi super bom. O local é bem limpo e organizado e com uma aparência muito melhor do que a da maioria das walk in clinics que já fomos aqui. O médico mediu a pressão ocular, fez alguns testes e me passou um colirio. Segundo ele, eu estava com alguma inflamação no olho mas pelo teste de pH não tinha infecção. Vou ter que ficar sem lentes por 7 dias (horrivel, me sinto uma estupida de óculos porque perco a noção de espaço, rs) e já estou bem melhor.

O médico já aproveitou e perguntou se eu tenho médico de familia e já me deu o nome e endereço dele, caso eu me interesse, rs.

Gostei muito de mais esta alternativa para as emergências. E o melhor: a dez minutinhos aqui de casa. Como saímos juntos, a simpática funcionária da escola ainda me trouxe até em casa.

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!