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Uns por todos e cada um por si

Na fase alta da gripe suína eu falei um pouco sobre a vacinação aqui no blog. Todo mundo aqui em casa tomou a vacina e muita gente que eu conheço também. Por sorte não houve uma grande epidemia mas poderia ter havido e eu acho que valeu o risco.

Fui chamada na escola do Eduardo na quarta-feira porque ele apresentava lesões de chickenpox (catapora) e deveria ficar em casa uns 10 dias. Nós o levamos à pediatra que diagnosticou a catapora mas disse que ele não precisa ficar em casa todo este tempo porque a fase de transmissão já passou e como ele foi vacinado, a doença está muito, muito branda. Pra falar a verdade ele tem uma lesão no pescoço e umas manchinhas mínimas pelo corpo (10 no máximo).

Para entrar no meio termo eu resolvi deixa-lo em casa somente até segunda feira e nem um dia a mais!!!!

O fato é que mais ou menos 10% das crianças vacinadas não ficam totalmente imunizadas e acabam desenvolvendo uma doença super branda e praticamente sem sintomas. Entretanto um número considerável de pais aqui no Canadá se recusa a vacinar seus filhos para qualquer coisa e se estas crianças entrarem em contato com o vírus vão desenvolver aquela catapora típica que ocorria na minha infância. De qualquer forma é uma doença branda mas que pode ter complicações em alguns casos.
 O que eu fico me questionando é se é justo meu filho perder 10 dias de aula, 10 dias de atividades que ele gosta muito porque algumas pessoas pensam unica e exclusivamente nelas mesmas e nunca no coletivo.

Explico:
 No meu caso, vacinar meus filhos foi mais do que protegê-los contra doenças. Eu acredito que a vacinação é muito importante no sentido de conter o agente que causa a doença e não permitir que ele continue se propagando. Se todas as crianças fossem vacinadas a propagação da doença seria mínima e em alguns casos a doença poderia ser erradicada.
 O que seria do Brasil se não tivéssemos as vacinas contra polimielite, contra varíola (algum leitor já conheceu alguem com varíola?) e tantas outras. Hoje nós falamos de sarampo como uma doencinha de infância que muitas crianças nem chegam a desenvolver, mas por muito tempo esta doença foi muito temida porque matava com uma frequência altíssima.

Infelizmente nenhuma vacina é 100% segura. A famosa vacina Sabin, aquela da gotinha, é dada em massa para todas as crianças até os seis anos de idade no Brasil. Ela é maravilhosa e livrou o Brasil da poliomielite, mas não é 100% segura porque o virus é atenuado e pode se tornar ativo. Na verdade, ele se torna ativo em alguns casos e estas crianças desenvolvem a doença. Para os pais destas crianças não é nada agradável, mas em termos de população esta vacina foi um avanço enorme.

Meus filhos tomaram a Salk, que é mais segura e se livraram deste risco. Apesar de ser uma vacina cara, o nosso plano de saúde da época pagou, entao valeu a pena. Mas em termos de população a Sabin é imbatível por ser mais barata e prática.

A pediatra das crianças disse que não existe nenhuma determinação do governo para que as crianças fiquem em "isolamento" hoje em dia. Seguindos as instruções da pediatra vou mandar o Edu de volta para a escola porque eu fiz a minha parte e arquei com os riscos e não acho justo eu cuidar dos filhos dos outros sozinha.

PS: Só pra completar, acabei de ler que se a criança estiver bem ela não precisa ficar fora da escola e que, as crianças que são suscetíveis devem ficar 5 dias em casa e a eles deve ser oferecida a imunização (Health Ontario).