Feb 23, 2010

Sabedoria Chinesa

Apesar de muitos e muitos brasileiros reclamarem dos chineses, eu tenho me tornado fã deste pessoal. É bem verdade que eles não são lá muito educados no trato do dia a dia: não espere que eles segurem a porta ou dêem passagem, mas depois de ler o livro da Sonia Bridi sobre a China eu passei a entender melhor esta falta de gentileza deles.

Em todas as escolas em que estudei por aqui, encontrei sempre um ou mais chineses com quem fiz amizade e aprendi muitas coisas interessantes. Sem contar que eles também se adaptam com certa facilidade aos costumes locais. Andando pelo bairro chines é muito comum ver os jovens com suas sainhas e shortinhos estilo canadense, comendo no mc donald's e principalmente, em grupos mistos de varias nacionalidades. Inclusive já vi dezenas de casais chines-nao chines, o que, pra mim, demonstra que os pais, ainda que queiram, não conseguem muito manter os guetos.

Outra coisa que gosto deles é o interesse por artes. Muitos dos que conheço tocam algum instrumento musical e sempre conhecem pintores, musicos e artistas em geral. De uma maneira geral eles são muito bem informados sobre as coisas que acontecem ao redor do mundo e assim, dá pra conversar sobre varios assuntos com eles. Sem contar que todos os que conheci adoram o Brasil e seu futebol.

Mas a minha simpatia por eles começou mesmo na primeira escola onde estudei. Um dia nós estavamos discutindo a importância das crianças falarem a lingua do nosso país de origem e sempre surgem aqueles milhões de opiniões; então uma chinesa super simpática, casada com um canadense que ela conheceu pela internet, disse algo que achei maravilhoso.

Pra ela, ensinar o mandarim para sua filha era importantíssmo para o relacionamento das duas. Ela disse, e eu concordo com ela, que tem coisas que só conseguimos expressar na nossa lingua e que se falarmos em outro idioma, as vezes nao conseguimos ser tao "profundos" e expressar completamente o que estamos falando. Meu professor polones concorda com esta idéia e a repetiu estes dias em uma discussão do mesmo assunto.

Com meu inglês chinfrim eu percebo isso o tempo todo. As vezes eu fico conversando com o Edu em Inglês e até nos divertimos, mas sempre chega um momento que falta alguma coisa, que eu não consigo aprofundar a conversa e que nada como o bom e lindo português para eu falar exatamente o que quero passar pra ele, sem erros, sem quebras, sem meias palavras ou pensamentos confusos. Nunca vou me esquecer daquela chinesa simpática que toca varios instrumentos e leciona piano.

Sorte que eu sou Latina

Há mais ou menos um mês e meio eu iniciei minhas aulas de inglês em um novo Linc. Agora ao invés de aulas exclusivamente de gramática, eu tenho tido muitas oportunidades de conversar com o professor e com meus colegas de classe.


Neste curso eu me propus a perder a timidez e tentar me expor o máximo possível, e tem dado certo: tão certo que discuto com o professor quase diariamente porque geralmente discordamos um com o outro. Como ele também percebeu que eu sempre discordo das idéias dele, ele fica me provocando a aula inteira com um risinho sarcástico. E já deve ter percebido também que eu não preciso de muita provocação pra dar a minha opinião, rs.


Ao mesmo tempo, eu tenho tentado entrar em contato com a maioria dos colegas e assim, aprender mais sobre outras culturas. Nem sempre é facil, mas tem sido muito interessante. O que me choca geralmente é perceber que a maioria deles vive em guetos dos seus países de origem. É bem verdade que nós praticamente só conhecemos brasileiros por aqui e também é verdade que não é tão facil fazer amizade com os imigrantes, mas pelo menos meus filhos não estão presos somente a brasileiros. Tanto na escola do Edu como no Linc, as crianças falam inglês o tempo todo e mesmo o Edu que tem uma amiguinha brasileira, só fala com ela em inglês.

Para meu espanto, a maioria dos meus colegas têm filhos pequenos e apesar de ter vaga no Linc, todos eles preferem deixar os filhos em casa com alguem. Eu, ao contrário, faço questão de levar as meninas mesmo quando o Sergio está em casa. Tem sido muito bom para elas e com certeza fará muita diferença quando elas entrarem na escola já com uma certa fluência na lingua. 

Outra coisa que me espanta muito é ver as pessoas sempre esperando o momento em que vão retornar aos seus países de origem. Eu amo o Brasil, sinto saudades, mas tenho consciência de que as coisas por lá não vão mudar a ponto de eu querer voltar. Acho que neste sentido eu sou muito objetiva e não fico alimentando esperanças vãs. Só que no caso dos meus colegas a situação é ainda pior. De uma maneira geral o Brasil até que não é tão ruim quando comparado com outros lugares por aí, rs.

É muito triste ver que as pessoas estão aqui sem querer estar; a maioria deles não gosta do Canadá e esta aqui meio que obrigado. Vivem tentando levar a vida que levavam antes e querendo que o Canadá se adapte a eles e não o contrário.

Eu me lembro dos meus avós, que apesar de sentirem saudades de seus países de origem nunca se fecharam em colônias isoladas no Brasil. E amavam a terrinha verde-amarela como se tivessem nascido nela. Minha tia que foi para o Brasil aos 4 anos até se ofende se alguem diz que ela é portuguesa. "Eu nasci em Portugal", ela diz, "mas eu sou brasileira!"


A tese do meu professor é bem diferente desta. Segundo ele, nós devemos manter a nossa cultura para os nossos filhos porque no futuro eles não serão aceitos como canadenses e sofrerão preconceito. Posso estar muito enganada, mas acho que se nossos filhos se adaptarem à cultura canadense eles não terão porque sofrer preconceito. Não é possível que os jovens canadenses passem suas vidas apontando os imigrantes para exclui-los. Na verdade, eu sinto que os imigrantes sim é que têm medo que seus filhos se tornem canadenses e se esqueçam dos seus países. No fundo eu tenho a sensação de que meu professor e outros colegas recem chegados querem passar para seus filhos aquele sentimento nacionalista: eu nasci em ****** e lá é o meu país.
De verdade eu acho isso uma grande bobagem. Eu quero que meus filhos falem portugues porque vai ser bom para eles, para a cultura deles, para manterem contato com a familia no Brasil. Eu quero que meus filhos conheçam as coisas do Brasil porque é legal, porque eu acho que vai enriquece-los em conhecimento, porque faz parte da história deles e vai ajuda-los a entender muitas coisas que eles vivem aqui em casa, mas sem esta obrigação de manter a cultura brasileira intacta, sem a obrigação de se casar com descendentes da terrinha.


Eu quero que eles conheçam as coisas do Brasil porque eu gosto delas, porque acho que podem ser legais pra eles, porque vão trazer cultura e conhecimento, mas eles têm todo o direito de preferir um jogo de hockey a uma final de copa do mundo, ou trocar meu arroz com feijão pela pizza hut, ou preferir o Neil Young ao Zezé de Camargo e Luciano (essa eu assino embaixo, rs).


E se um dia, o Edu chegar aqui em casa com uma esa (chinesa, paquistanesa, polonesa, singalesa) ou ana (indiana, mexicana, ucraniana, sul africana) qualquer, ela vai encontrar sempre as portas abertas. Mesmo se ela for de Camarões, será bem aceita (mas esta é outra história que eu conto no próximo post, rs).

Feb 21, 2010

Epitáfio






Eu coloquei a letra desta música na minha tese de mestrado. Ela se encaixou direitinho naquele momento porque foi MUITO estressante, cheio de problemas com o orientador e cheio de dúvidas em relação a maternidade/carreira. Apesar de ter sido uma grande bobagem eu ter me estressado tanto, acho que valeu a pena pela lição aprendida.


Acho que o término da minha tese e a chegada do Eduardo 15 dias depois da defesa me trouxeram uma leveza muito grande e desde então muita coisa mudou aqui nesta cabeça dura. Tenho complicado bem menos do que antes e visto muitos nascer e por de sol.


Estas últimas semanas têm sido inacreditavelmente corridas e cansativas,  mas não tenho do que reclamar. Tenho feito muitas coisas legais e aproveitado muito este inverno maravilhoso que mister el ninho preparou pra mim.

Temos encontrado muito amigos maravilhosos por aqui, muita gente legal que tem nos feito muito bem. Neste final de semana por exemplo, nós tivemos dois encontros maravilhosos. Primeiro nos encontramos com um casal de amigos do Brasil que estão estudando ingles aqui em Toronto este mês. Imaginem que foi no casamento deles que eu conversei com o Sergio pela primeira vez e a partir dali foi que começou a nossa paquera, rs. Foi maravilhoso reve-los e poder matar as saudades.

E no sábado nós conhecemos a Ninha. Já nem me lembro há quanto tempo nos falamos pelo blog, por e-mail e msn. E agora, depois de tanto tempo, pudemos nos encontrar e conversar até não querer mais, ou melhor, até a moça do basement reclamar, rs. A Ninha e o Doane sao a prova de que idade e amadurecimento são coisas totalmente distintas. Este jovem casal, apesar da pouca idade, chegaram ao Canadá sabendo o que querem e prontos para esta nova vida.

A Helena e a Christal parecem ter se dado super bem e mesmo quando a Luisa e o Edu já tinham capotado, as duas se sentaram para ver desenho, foram deitando e quando vimos estavam lado a lado dormindo. Foi maraviloso conhece-los!!!

 Hoje acordamos tarde mas muito alegres e curtimos muito o calorzinho de 6 graus que fez por aqui. Fomos até o lago caminhar um pouco e fazer a criançada gastar a energia que vêm acumulando.

Já estou com varios posts prontos na cabeça para falar um pouco deste primeiro ano de Canadá e louca pra ver as novidades nos blogs de vcs. Então vou dormir agora e tentar descansar um pouco pra ver se consigo fazer tudo até o final da semana.

Feb 7, 2010

brazilian experience

Todo recem chegado por aqui sofre um pouco por não ter a famosa canadian experience e muitos empregadores usam este fato como desculpa para não aceitar newcomers. Por outro lado, os brasileiros podem usar a brazilian experience em várias situações para se livrar de algumas saias justas em que algumas pessoas nos colocam.

Hoje, estávamos almoçando quando a campainha tocou. Ao abrir a porta eu me deparei com uma senhorinha de carinha angelical pedindo doações para uma associação de estudos de ataque cardíaco.

(eu acho uma sacanagem alguem bater na sua porta em pleno domingo pra pedir doações ou vender alguma coisa. Vc sempre fica naquela situação chatérrima de ter que dizer que não quer ajudar!!! Sem contar que aqui eles batem direto na porta e vc fica cara a cara com a pessoa.)

Então, na minha saia justa, eu disse que hj não poderia. Não satisfeita com isso, a simpática senhora me pergunta se eu não poderia ajudar hj ou se não queria ajudar.

(ok, uma situação dificil sempre pode ficar mais dificil. Não tem coisa mais chata do que alguem ficar insistindo quando vc está em uma situação dificil. Dizer que vc não quer ajudar nunca passa aquela imagem de egoismo que ninguem gosta de passar e acaba forçando muitas pessoas a fazer uma doação).

Então, nesta hora eu coloquei em prática a minha experiência brazileira para situações de saia justa em que a gente tenta sair do constrangimento sem ser rude:

- Desculpe, nós somos recem chegados e estamos desempregados, então fica dificil ajudar neste momento. Mas eu terei muito prazer em ajudar quando puder.

A senhorinha ficou até com pena de mim e talvez volte mais tarde para dar uma contribuição.

PS: Veio bem a calhar este video que recebi hj por e-mail e que nos ensina uma boa maneira de se livrar de telemarketing:



PS1: se ela soubesse os tipos que já bateram na porta da minha casa em São Paulo pedindo dinheiro... e pelo telefone??? Eu tenho uma lista de desculpas simples e que geralmente funcionam super bem nestes casos. E a história do recem chegado sem emprego é infalível!!!

Feb 6, 2010

Cadê o português que estava aqui????


Eu adoro falar português!!! E parece que esta é uma lingua muito agradável de se ouvir pelos estrangeiros. Muitas pessoas me perguntam em que lingua estou falando com as crianças e dizem que é muito gostoso nos ouvir conversando. Meu primeiro professor de inglês em Missi me disse uma vez que é muito agradável ouvir quem fala português falando inglês: disse nós temos uma entonação que parece música.

Mas o meu rico português, aquele que tento manter sempre afiado na minha cabeça, está sofrendo um serio risco de extinção aqui em casa. Tem sido uma luta diária manter as crianças falando em português e as vezes eu sinto que estou perdendo esta batalha.

O Edu ainda fala fluentemente e já troca o português pelo inglês sem problema nenhum. Tudo bem que hoje ele estava falando da amiguinha brasileira e dizia: "a Debra"

-Não Dudu, é Débora.
- Debra
- Débora.
- Debroa.

Foi dificil conseguir faze-lo repetir corretamente e sem sotaque, rs.

A Helena aos poucos está esquecendo algumas coisas como por exemplo as cores. Hoje ela fala todas as cores em ingles, tipo:

- O vestido pink.
- O livro blue.

Aos poucos eu vou percebendo as perdas e vou tentando relembrar as coisas, mas tenho certeza que muita coisa já caiu no esquecimento e eu não consegui perceber ainda.

Mas a grande preocupação e o grande desafio tem sido com a Luísa. Imaginem que ela começou a falar "fluentemente" há menos de 5 meses. Falava tudo, com frases bem construídas em  português. Só que na mesma época ela começou a frequentar o Linc junto comigo e agora está deslanchando no inglês. Apesar de sempre conversar com ela em português, a maioria das resposta tem vindo em inglês e geralmente quando vai começar uma conversa ela fala em inglês. Principalmente quando chegamos da escola. Tenho observado também que ela e a Helena brincam muito falando em inglês e minha babá eletrônica também não colabora e só fala inglês com elas (TV).

Eu vejo que muitos imigrantes conseguem manter a lingua materna das crianças através de cursos que as crianças fazem aos sabados. Na minha antiga classe de Linc quase todo mundo fazia isso. Mas sinceramente nao tenho esta intensão. E tb vejo que muitos colocam os filhos bem mais tarde na escola, o que certamente facilita porque eu percebo que é bem mais facil manter a lingua com o Dudu do que com a Luisa. Mas isto também está fora de questão.

Então estou aqui procurando alternativas para conseguir fazer com que eles não percam o português. Acho que será muito vantajoso para eles terem fluencia em duas linguas. E cá etre nós, quem fala português se vira no espanhol com muita facilidade. Isso sem contar que quero que eles mantenham contato com nossa familia no Brasil.

Alguma sugestão de quem já passou por isso?

Feb 4, 2010

Frustrada, irritada, triste e inconformada

Hoje a Luísa amanheceu com a bendita chicken pox e por isso não pudemos ir na escola. Não preciso dizer que estou furiosa com esta situação porque apesar de saber que ela está bem, apesar de saber que já passou a fase de transmissão da doença, apesar de saber que o governo de Ontario diz  que "as crianças que têm condições de frequentar a escola não precisam ficar isoladas em casa", eu fui obrigada a faltar da escola. Apesar de saber que não preciso levar minha filha ao médico por causa da doença, eu sou obrigada a leva-la ao médico para pegar um atestado: ridículo.

Eu estou me sentindo novamente no Brasil, pela primeira vez desde que cheguei aqui: de mãos atadas, frustrada, sem poder fazer nada mesmo sabendo que a lei está a meu favor.

Este tipo de coisa me deixa furiosa porque eu tento sempre me manter informada, tento sempre seguir as regras, ainda que não as ache corretas. Antes de chegar ao Canadá eu pesquisei, eu li, eu me informei. Eu fiz um levantamento de como funcionam as coisas aqui em relação à saúde das crianças; fui ver quais as vacinas, os prazos e tudo o mais. Agora acho absolutamente injusto eu ter que ficar em casa, minhas filhas terem que ficar em casa porque milhares de imigrantes chegam por aqui sem conhecer as regras, sem se preocupar com nada, sem se preparar pra nada e ainda querendo transformar o Canadá em uma filial dos seus países de origem.

Eu tenho tentado não ter preconceitos e controlar certos sentimentos que afloram de vez em quando, rs e principalmente não mostrá-los aqui no blog porque não quero que as pessoas tenham as mesmas opinioes que eu, menos ainda os mesmos preconceitos. Mas as vezes eu fico pensando em qual o objetivo do Canadá com a imigração; será que vale mesmo a pena trazer pessoas que detestam este país e que apenas o usam como trampolim para outros interesses? Será que vale mesmo a pena todo o dinheiro que o governo gasta com este pessoal?

Eu fico olhando o pessoalzinho da minha classe no Linc e fico morrendo de vontade de perguntar: "se seu país é tão bom e o Canadá é tão ruim, porque vc não vai embora desta porcaria?" ou "se vc não tem interesse em aprender inglês porque perde o seu tempo e o nosso vindo até aqui de vez em quando?".

As vezes meu professor é meio rude e eu fico até constrangida com algumas coisas que ele fala, mas quando paro pra pensar, quando vejo o desinteresse, a falta de comprometimento que as pessoas têm com o país que as recebeu e as está ajudando, eu fico pensando que ele pega leve demais. Até porque gente, vamos falar né: o Brasil é o Paraíso perto de outros países que tem por ai!!! Todo mundo adora esconder a realidade mas basta a gente se informar um pouquinho pra ver que este povo comeu o pão que o diabo amassou antes de vir pra cá, e agora, ao inves de agradecer e tentar mudar de vida, fica reclamando.

Ta bom, ta bom, eu estou reclamando também, mas eu fico muito chateada quando faço as coisas como devem ser feitas e sou castigada por isso. De qualquer forma minha pediatra nota 10 mandou um fax para a escola agora à tarde para avisar que a Luisa pode frequentar o daycare sem riscos e a partir de amanhã eu retomo as minhas aulas.

PS: Mas como uma verdadeira Pollyanna sou obrigada a adimitir que não foi de todo ruim. Além de tirar um cochilo à tarde porque ontem fui dormir as 2 fazendo minha homework, eu também treinei bastante meu inglês na vida real, falando com a secretaria da pediatra e com a professora do daycare, que ouviu um enorme discurso de como esta situação foi injusta comigo e com as meninas e de como estou frustrada e decepcionada (usei estas duas palavras umas 500 vezes, rs). E tudo banhado a muitas lágrimas porque eu sou a maior chorona que o Canadá tem por aqui.

Feb 2, 2010

Vou estar sempre do seu lado; gritando!

Eu tenho grande dificuldade com direita e esquerda. Aliás, este era meu grande medo durante a prova de direção. Já pensou se o examinador me manda virar pra direita e eu viro pra esquerda??? O bom é que em inglês eu geralmente acerto, nem imagino o porquê. Ja em português eu tenho que pensar na mão que eu escrevo ou na aliança de casamento.

Então um dia, em uma das primeiras vezes que vim dirigindo para Toronto, entrei em uma rua e no final dela tinha uma placa enorme dizendo que não podia virar para a esquerda. Eu fui seguindo em frente e perguntei pro Sergio:

- Pra que lado eu vou?
- Para a direita.

Só que eu confundi e achei que a direita era a esquerda; e então começou uma grande discussao (aos berros):

- Mas é proibido virar a direita.
- Não Lena, vire a direita!
- Mas a placa está dizendo que não pode.
- Então vire à direita!
- Não pode.
- Vire agora, vc não pode ficar parada aqui!!!

E eu virei à esquerda pensando que era direita e desobedecendo a sinalização!!! (Viu só como confio no meu marido???)  Só quando eu já tinha feito a conversão foi que eu percebi que direita era para o outro lado e eu estava na contra mão. Por sorte, a rua estava meio interditada para conserto do asfalto, então não tinha carros passando e eu sai dali o mais rápido que pude e nada aconteceu. Mas foi um desespero!!!

Quando já estávamos a salvo o Sergio disse uma frase que ele repete sempre que estou ao volante:

- Eu vou estar sempre do seu lado, Lena. Nem que seja gritando!


___________ # ___________


Se por um lado eu não sei o que é direita e esquerda, o meu marido querido costuma trocar as palavras. Hoje eu fui buscá-lo no ponto de ônibus e aproveitamos pra ir no correio que fica na Shoppers (uma rede de farmácia daqui). Como eu não sabia o caminho, ele foi me guiando:

- Entra na primeira à direita que vc conseguir para fazermos o retorno, pois vamos na Staples (é uma loja de materiais de escritório).
- Fazer o que?
- Colocar as cartas no correio.
- Mas na Staples tem correio?
- Claro Lena, eu sempre vou lá.
- Mas na Staples não é mais longe?
- Se vc conhecer outro lugar mais perto. Eu não conheço.

Ok, eu não conheço direito os caminhos e direções, então o que ele fala é lei. Mesmo achando que a Shoppers é mais perto de casa, vamos para a Staples.

Depois de um tempo:

- Mas a gente não tinha que ir pro outro lado?
- Claro que não, Lena (debochando da minha falta de senso de direção).
- Definitivamente eu nunca vou conseguir entender esta cidade!!!
- Chegamos, entre alí no estacionamento.

E então eu vejo bem grande: SHOPPERS.

Agora me diz: será que algum dia eu vou conseguir dirigir nesta cidade confundindo direita com esquerda e tendo um guia que troca o nome das lojas e ainda teima comigo que eu entendi errado?

Feb 1, 2010

Secretária do Lar

Eu nunca quis ter uma pessoa todo dia limpando a minha casa. Desde que me casei as moças que trabalharam pra mim, normalmente vinham uma ou dua vezes por semana e eu cuidava da casa nos outros dias. Tambem sempre fiz questão de lavar a roupa e guardar porque gosto de organizar as coisas do meu jeito, nem que não fique lá muito prático.

Só quando a Luisa nasceu que eu aceitei ter alguem 3 vezes por semana, principalmente por causa da roupa para passar, e no finalzinho do meu tempo de Brasil, a minha querida Telma ia todo dia pra me ajudar a cuidar das crianças enquanto eu organizava as malas (e também para conversamos muito já que nos tornamos amigas muito próximas).

Aqui no Canadá, eu já sabia que as coisas seriam diferentes e que eu não teria esta mordomia. Por outro lado eu tenho o meu secretário do lar que apesar de não ser lá muito organizado, me ajuda muito (e eu não preciso pagar nada, só as refeições, rs).

Mas além do meu marido "faz-de-tudo-um-pouco", eu tenho também um pessoal muito bom de serviço: os produtos de limpeza. Eles não são lá muito baratos e também não têm a menor piedade com as nossas mãos, mas acabam com qualquer sujeira.

E olha que de sujeira eu entendo, porque meu primeiro apartamento por aqui estava em um estado lastimável e eu consegui deixar o forno brilhando!!!

Então, a minha querida amiga Elaine me deu uma super dica de um tal aspirador de pó que limpa a casa sozinho. Eu já tinha ouvido falar dele há muito tempo atrás, mas só me lembrei quando a Elaine comentou. Um belo dia nós encontramos uma super promoção na Canadian Tire; eu comprei e amei!! A Roomba, como as crianças a chamam, trabalha muito por aqui, tem dado conta do recado e adiantado muito o meu trabalho.

Tudo bem que ela é meio lerda e a minha cabeçinha racional não entende muito a lógica dela, mas o resultado é satisfatório para a minha exigência e com a vantagem de que enquanto ela limpa o chão (coisa que eu detesto fazer) eu posso fazer outras coisas.

Assim como qualquer secretária do lar, a Roomba tem suas manias e exigências. Limpa super bem, mas se tiver que passar por cima do seu pé, ela passa sem cerimônias, rs. E o que for encontrando pela frente ela vai levando embora. Assim, aqui em casa eu sempre tenho que dar uma conferida no que ela pegou pelo caminho porque sempre tem coisas das crianças. Ou então se enrosca naqueles elásticos de cabelo e fica fazendo o maior barulhão até vc ir desenrosca-la.

E se vc esquece de limpa-la, ela te avisa em dois idiomas (inglês e francês aqui no Canadá). Se apesar dos avisos vc insistir em não limpa-la, ela começa soltar sujeira por onde passa, tipo fazendo pirraça!!!

Quando algum local tem muita sujeira ela acende uma luzinha e dá algumas voltas no local para limpa-lo melhor e se ela decide que já está tudo limpo, ela toca uma musiquinha e pára. E quando percebe que a bateria está fraca ela volta sozinha até a base para recarregar.

Uma coisa que eu acho ótima nela é a capacidade de entrar embaixo dos moveis. Com o aspirador de pó normal eu tinha que ficar arrastando os moveis ou passando pano varias vezes até tirar toda a poeira. A Roomba, como é muito baixinha, entra embaixo do meu sofá, do armário da cozinha e das camas, depois, basta passar um paninho e já está tudo limpo. Sem contar que ela tem uma "escovinha" na lateral que tira a poeira dos cantinhos muito melhor do que o aspirador comum.

É claro que como a maioria das secretárias do lar, ela também gosta de esconder alguma sujeirinho embaixo do tapete, entao eu sempre levanto os tapetes para ela limpar embaixo e depois abaixo tudo para ela limpar em cima.

O modelo que eu comprei veio com dois sensores que restringem os locais onde ela vai limpar. Normalmente eu divido minha casa em 4 partes e cada hora ela limpa uma região. Como ela faz tudo sozinha, eu não tenho que ficar junto enquanto ela está limpando, mas tambem nao temos que sair do ambiente porque o barulho não é muito alto.

É obvio que ela demora mais do que eu para aspirar o pó da casa inteira, mas ela é como uma lava-louça: demora mais mas te deixa livre para fazer outras coisas e ao invés de ter que passar aspirador todo dia na casa, eu deixo a roomba limpando por mim.

Neste video da pra ter uma boa idéia de como funciona. Tudo bem que é propaganda, mas não é de todo enganosa, rs!!!



PS: agora a Elaine já me falou da Roomba que "passa pano no chão"!!! Já pesquisei como funciona e já estou juntando umas economias para comprar uma quando encontrar uma super liquidação, rs.

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!