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Frustrada, irritada, triste e inconformada

Hoje a Luísa amanheceu com a bendita chicken pox e por isso não pudemos ir na escola. Não preciso dizer que estou furiosa com esta situação porque apesar de saber que ela está bem, apesar de saber que já passou a fase de transmissão da doença, apesar de saber que o governo de Ontario diz  que "as crianças que têm condições de frequentar a escola não precisam ficar isoladas em casa", eu fui obrigada a faltar da escola. Apesar de saber que não preciso levar minha filha ao médico por causa da doença, eu sou obrigada a leva-la ao médico para pegar um atestado: ridículo.

Eu estou me sentindo novamente no Brasil, pela primeira vez desde que cheguei aqui: de mãos atadas, frustrada, sem poder fazer nada mesmo sabendo que a lei está a meu favor.

Este tipo de coisa me deixa furiosa porque eu tento sempre me manter informada, tento sempre seguir as regras, ainda que não as ache corretas. Antes de chegar ao Canadá eu pesquisei, eu li, eu me informei. Eu fiz um levantamento de como funcionam as coisas aqui em relação à saúde das crianças; fui ver quais as vacinas, os prazos e tudo o mais. Agora acho absolutamente injusto eu ter que ficar em casa, minhas filhas terem que ficar em casa porque milhares de imigrantes chegam por aqui sem conhecer as regras, sem se preocupar com nada, sem se preparar pra nada e ainda querendo transformar o Canadá em uma filial dos seus países de origem.

Eu tenho tentado não ter preconceitos e controlar certos sentimentos que afloram de vez em quando, rs e principalmente não mostrá-los aqui no blog porque não quero que as pessoas tenham as mesmas opinioes que eu, menos ainda os mesmos preconceitos. Mas as vezes eu fico pensando em qual o objetivo do Canadá com a imigração; será que vale mesmo a pena trazer pessoas que detestam este país e que apenas o usam como trampolim para outros interesses? Será que vale mesmo a pena todo o dinheiro que o governo gasta com este pessoal?

Eu fico olhando o pessoalzinho da minha classe no Linc e fico morrendo de vontade de perguntar: "se seu país é tão bom e o Canadá é tão ruim, porque vc não vai embora desta porcaria?" ou "se vc não tem interesse em aprender inglês porque perde o seu tempo e o nosso vindo até aqui de vez em quando?".

As vezes meu professor é meio rude e eu fico até constrangida com algumas coisas que ele fala, mas quando paro pra pensar, quando vejo o desinteresse, a falta de comprometimento que as pessoas têm com o país que as recebeu e as está ajudando, eu fico pensando que ele pega leve demais. Até porque gente, vamos falar né: o Brasil é o Paraíso perto de outros países que tem por ai!!! Todo mundo adora esconder a realidade mas basta a gente se informar um pouquinho pra ver que este povo comeu o pão que o diabo amassou antes de vir pra cá, e agora, ao inves de agradecer e tentar mudar de vida, fica reclamando.

Ta bom, ta bom, eu estou reclamando também, mas eu fico muito chateada quando faço as coisas como devem ser feitas e sou castigada por isso. De qualquer forma minha pediatra nota 10 mandou um fax para a escola agora à tarde para avisar que a Luisa pode frequentar o daycare sem riscos e a partir de amanhã eu retomo as minhas aulas.

PS: Mas como uma verdadeira Pollyanna sou obrigada a adimitir que não foi de todo ruim. Além de tirar um cochilo à tarde porque ontem fui dormir as 2 fazendo minha homework, eu também treinei bastante meu inglês na vida real, falando com a secretaria da pediatra e com a professora do daycare, que ouviu um enorme discurso de como esta situação foi injusta comigo e com as meninas e de como estou frustrada e decepcionada (usei estas duas palavras umas 500 vezes, rs). E tudo banhado a muitas lágrimas porque eu sou a maior chorona que o Canadá tem por aqui.