Mar 28, 2010

Falta de diálogo

Eu sou aquele tipo de pessoa que sempre tenta resolver os problemas na conversa. Eu acredito "piamente" que a maior parte dos nossos problemas poderia ser resolvida em um papinho franco, porém cordeal, rs.

Então, a canadense do basement se mudou e nem bem ela saiu, a família do main floor (minha família) desceu para ver como estavam as coisas lá embaixo. E bastou ouvir um barulhinho, a menina do outro basement também veio dar uma olhadinha.

A canadense tirou a porta da lavanderia e do basement dela e deixou-as encostadas em uma parede (só deus sabe o porquê!!) e assim nós pudemos entrar no apê dela pra conhecer. Eu o achei muito bom!!!

Em um determinado momento o Edu apagou a luz da cozinha e foi então que eu entendi algumas coisas:

A canadense tinha mania de deixar a luz do corredor acesa o tempo todo. Eu sempre achei aquilo um desperdício e sempre que passava apagava a luz, assim como faço em qualquer lugar da minha casa. Ultimamente eu percebi que ela ficava um pouco irritada quando eu apagava a luz e as vezes, logo que ouvia minha porta fechar, ela abria a dela com fúria e acendia a luz novamente (e ainda batia a porta com força - especialidade dela, rs).

Só ontem, quando o Edu apagou a luz da cozinha, foi que eu e a menina do outro basement percebemos que a luz da cozinha dela é junto com a luz do corredor. Logo, quando nós apagávamos a luz do corredor, nós na verdade deixávamos a cozinha dela no escuro, rs rs rs.

Agora me digam: era muita humilhação pra ela bater na minha porta e dizer:

- Well, será que dava pra vc deixar a luz do corredor acesa porque ela é interligada com a luz da minha cozinha? Obrigada!

Ou será que eu deveria saber disso antes de me mudar para a casa. Será que nas regras de inquilinato por aqui tem alguma cláusula dizendo que eu preciso conhecer toda a instalação elétrica da casa?

De qualquer forma, eu imagino como foi estressante pra ela. Imaginem três figuras passando pelo corredor e apagando a luz da sua cozinha!!!

Mar 27, 2010

Sem mover um músculo

Hoje é dia de mudança aqui em casa, digo, aqui no meu terreno, porque quem está mudando não sou eu, rs. Não sei se todo mundo sabe, mas minha  casa tem dois basements alugados. O da frente tem uma uruguaia estilo gato: ela entre e sai sem um único ruido. Já a menina do fundo, canadense-born-and-raised, é mais estilo brasileira: fala alto (leia-se berra) e faz barulho o tempo todo.

Mas na simpatia e educação, eu diria que ela é um caso à parte. Desde nosso primeiro dia aqui eu percebi que ela não foi com a minha cara e todas as minhas tentativas de aproximação foram respondidas com alguma grosseria. Ok, cada um na sua, então.

Só que ela pensou que eu seria a empregada dela: achou que eu estava aqui à disposição para ficar correndo atrás dela limpando qualquer sujeira que ela fizesse. Ou pior ainda, que eu limpasse o chão que ela pisa para ela poder sujá-lo em seguida.

Foram semanas de luta calada!!! Eu limpava a lavanderia e ela fazia questão de pisar com o pé sujo e de terra (sabe-se lá de onde), eu lavei o tapete de entrada e quando o recoloquei, ela pisou e sujou tudo com terra de novo (será que ela trabalha com jardinagem?), eu limpei a máquina de lavar e ela deixou cair sabão por todo lugar em seguida e assim fomos levando por alguns meses... (não vou descrever tudo o que ela me fez porque o post ficaria gigantesco).

Depois de um certo stress, eu decidi que não ia perder meu tempo com ela e alem de ignora-la, parei de ir no fundo do quintal. Descia, lavava minha roupa e voltava pra minha casa. Quando as frutas acabaram no backyard, eu só ia lá para cortar a grama e colocar o lixo e, resolvi meus problemas. Mas ela não se contentou e começou reclamar de mim para o dono da casa. Não sei ainda o que ela falava, mas sei que ele não acreditou muito porque nunca me disse nada e nem pediu que eu mudasse de comportamento.

Então, com a chegada do inverno, nosso landlord foi passar dois meses na Polônia e ela achou que poderia usar e abusar. Segundo meu contrato de aluguel, eu tenho que limpar a neve da minha calçada. Como este ano não nevou quase nada por aqui, eu nem me preocupei muito com o fundo do quintal. Só que a "born-and-raised" achava que era minha obrigação limpar os 2 cm de neve que se acumularam na passagem dela, mas não veio conversar comigo. Ela comprou uma pá de neve e começou limpar ela mesma (duas vezes no máximo). Como o landlord estava viajando, ela também não "pôde" falar nada pra ele (ele deixou os e-mails caso precisássemos_ e simplesmente descontou $200.00 do aluguel do mês de fevereiro por ter limpado a neve (que não teve, rs).

Não preciso dizer que ele ficou furioso e veio conversar comigo p da vida (com ela). Eu fiquei com tanta raiva por ela ser tão traiçoeira que acabei citando apenas algumas coisinhas que ela fazia e quando me acalmei (10 segundos depois, rs) resolvi não ficar contando tudo.

Eu acho que a intenção dela era que ele cobrasse os $200.00 de mim, ou talvez quem sabe me pedisse pra mudar. Ao contrário do que ela planejou, ele ficou irado com ela e pediu a casa. Nem preciso dizer que o ódio dela se voltou contra mim porque certamente ela pensa que eu sou igual a ela e fiquei fazendo fofoquinha com o dono da casa.

Desde o início de fevereiro, ela tem tentado me enlouquecer com pirraças, barulhos, gastando água feito uma louca, deixando bitucas de cigarro por todo lado e cocô do cachorro no jardim inteiro. Mas nada disso tem me abatido porque estou super leve e tranquila. Eu tenho consciência de que não fiz nada para prejudicá-la, não fiz fofoca e tudo o que está acontecendo foi criado por ela mesma. No final, estou morrendo de pena dela, morrendo de dó de ver tanta humilhação. No fundo eu sinto pena em ver uma pessoa desperdiçando a vida sem aproveitar todas as oportunidades que teve. Nasceu em um país maravilhoso, onde vc pode ser o que quiser, teve acesso a educação, saúde, segurança e tudo o mais e não soube o que fazer com tudo isso.

Hoje vive em um basement, sem amigos, com um namorado vagabundo, se humilhando pra conseguir um descontinho no aluguel e duvido que ela saia desta situação tão cedo. Vive mau humorada, gritando com todo mundo, dando ordens pelo telefone. Nunca a vi alegre, nunca a vi conversando tranquilamente com o namorado (que praticamente mora aqui, diga-se de passagem, rs). Mais do que raiva, eu sinto muita pena dela!

As vezes a "Marilena má" tem idéias maquiavélicas como:

- colocar um calendário pendurado na porta com a contagem regressiva dos dias que faltam para ela se mudar.

- começar a fazer a maior limpeza na lavanderia, enquanto ela vai tirando os moveis dela da casa.

- colocar balões espalhados pelo quintal inteiro e convidar um monte de amigos para um churras enquanto ela se muda.

- ou simplesmente ficar sentada na varanda em frente de casa, com um suquinho na mão, apreciando a mudança.

Infelizmente (ou felizmente) esta não é a minha natureza e eu vou ficar bem quietinha aqui dentro de casa, até porque eu sei que minha vida vai melhorar muito com a saída dela (e até que outro maluco resolva morar aqui embaixo, rs).

Mar 23, 2010

Tempo chuvoso e muita coisa pra fazer

Como já deu pra perceber, eu ando super-hiper-mega ocupada ultimamente. Não consegui escrever meu post de 1 ano de Canadá (dia 18 de março) e mal consigo dar uma passadinha nos blogs para ver o que anda acontecendo com todo mundo.

Pra completar, tem chovido quase todo dia por aqui: aquele tempinho de "terra da garoa" que eu tanto detesto. Já deu pra perceber que eu não sou de reclamar do tempo, mas esta chuvinha "molha trouxa" realmente não me agrada nada nada.

De qualquer forma, estou super feliz porque mudei de nivel no inglês. Estou feliz e triste ao mesmo tempo porque adoro meu professor e adoro o daycare das meninas. Meu professor é polones mas mora no Canadá há 25 anos. Apesar de ainda manter muitas coisas da mentalidade polonesa (rs), ele conhece muito sobre a cultura canadense e mais do que inglês, eu tenho aprendido muitas coisas sobre o país. O daycare é muito bom também e tanto as meninas como eu somos muito bem tratadas lá.

Meu problema é que o meu novo nivel fica em outra unidade e eu terei que mudar de daycare. Sem contar que vai ser periodo integral e então a correria vai ser ainda maior. Mas como diz o meu marido: "não dá pra andar pra trás" e ficar no mesmo nível não vale a pena, principalmente agora que eu estou tão animada com o meu aprendizado.

Varias coisas têm acontecido por aqui, boas e ruins, mas que fazem parte da adaptação. As vezes eu me arrependo de algumas coisas, as vezes acho que deveria ter feito diferente em outras, mas no fundo, a nossa história aqui no Canadá está sendo muito feliz. Por caminhos as vezes tortuosos estamos descobrindo as coisas e encontrando o nosso espaço neste país.

Mar 17, 2010

Amizades virtuais

Hoje estava pensando em relembrar como foram minhas últimas horas de Brasil: um dia cheio de emoções contraditórias, muita chuva e transito tentando me segurar na terrinha, muitas malas e correria...

Mas então, logo de manhã recebo um comentário super carinhoso da Somnia e um post lindo em seu blog só pra falar de mim!!!

Estou emocionadíssima e muito feliz por nossos sentimentos serem recíprocos porque acompanho o blog dela há muito tempo e adoro os seus posts cheios de informações e recheados de sensibilidade.

A Somnia está morando na Suécia com seu marido Renato e seu filhinho Angelo; e agora eles estão se preparando para receber mais um bebezinho. Ler o Borboleta Pequenina pra mim, é sempre um grande prazer. Lá eu aprendo muito sobre a Suécia, sobre pintura  e artes em geral, sobre a vida da Somnia, mas mais do que isso, eu sempre tenho a oportunidade de parar pra pensar nas coisas que estão acontecendo o tempo todo no mundo e em nossas vidas e que muitas vezes nós deixamos passar despercebidos. Com a Somnia eu aprendi a olhar os imigrantes aqui de Toronto de uma forma diferente. Eu sempre me lembro de um post em que uma amiga muçulmana dela tirou o véu para as outras alunas verem "o que tem por baixo dele", rs.  

Assim como ela, eu sou otimista, hiper ativa e exagerada. Também acho que a vida tem muito a oferecer a cada dia e estou sempre tentando aproveitar todas as oportunidades.

O que eu tento copiar da Somnia é a leveza. Eu a imagino sempre sorridente, alegre e brincalhona e vou ficar muito feliz se um dia a conhecer pessoalmente, seja na Suécia, seja no Canadá ou na nossa São Paulo, de repente na praia...

Espero que vcs gostem do post e principalmente do Blog, que é um dos meus preferidos.

Mar 15, 2010

Números positivos


E depois de um longo e tenebroso inverno, estou tentando voltar a escrever e ler meus blogs preferidos. Quero pedir milhões de desculpas por não ter respondidos os comentários e e-mails que tenho recebido, mas realmente ando na maior correria.

Estou em uma fase de grande entusiasmo e alegria nestes últimos dias. Nunca imaginei na minha vida que um número inteiro e positivo poderia me deixar tão feliz e animada!!!

Já estamos há quase 15 dias com temperaturas positivas em boa parte do dia e muitos dias ensolarados pra ajudar. Eu fico o tempo todo olhando meu jardim à espera dos primeiros brotinhos e pensando em tudo o que quero fazer nele quando a primavera chegar. Posso dizer que este inverno foi uma benção pelas temperaturas amenas e pouca neve, mas já deu!!!

O que anima aqui é que não são só as plantas que brotam com o final do inverno: as pessoas também brotam! A cada dia mais e mais gente vai saindo nas ruas, abrindo suas garagens, começando a tirar as folhas velhas que sobraram do último outono... Uma maior variedade de flores vão aparecendo nos supermercados e todo mundo se preparando para ficar de joelhos em frente de casa: todo mundo diz que está cuidando do jardim, mas eu já estou achando que as pessoas na verdade se ajoelham pra agredecer a chegada da Primavera. Olha que até eu que não sou lá muito crédula, já estou com vontade de agradecer!!!

Tivemos um final de semana chuvoso com direito a 21,1 mm de chuva e ainda assim não parei em casa! Comprei maracujá (azedíssimo) e uma goiaba branca que deixou o marido todo feliz e ainda encontramos o meu adorado Chocolate do Padre!!!! Fomos visitar amigos queridos em St Catharines (babei tanto no bebê deles que estou de garganta seca, rs!!!).

Mas como bem disse a Renata, o inverno é quase um momento de introspecção, quando a gente se volta pra dentro, pensa mais sobre as coisas, reclama (ahhh como o povo reclama, rs). E ter as quatro estações muito bem definidas é algo muito legal!!! Em cada estação nós temos o privilégio de morar em um lugar diferente. A cara da cidade muda totalmente de uma estação para a outra e o comportamento das pessoas também. As carinhas fechadas do inverno estão dando lugar a sorrisos; é impressionante como as pessoas ficam mais simpáticas e solícitas.

E com o final do inverno os animais tão queridos meus vão surgindo novamente. O cachorrinho do vizinho tem saído de vez em quando pra dar uma voltinha pela rua. Da primeira vez que o vi, quase não reconheci porque ele era um filhote no início do inverno e está bem maior agora. Os pássaros e esquilos já podem ser visto por todo lado e os meus adoráveis racoons já me fizeram a primeira visita do ano. Apesar do lixo todo revirado, devo confessar que fiquei bem feliz: sinal de que as coisas vão esquentar por aqui.

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!