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Sem mover um músculo

Hoje é dia de mudança aqui em casa, digo, aqui no meu terreno, porque quem está mudando não sou eu, rs. Não sei se todo mundo sabe, mas minha  casa tem dois basements alugados. O da frente tem uma uruguaia estilo gato: ela entre e sai sem um único ruido. Já a menina do fundo, canadense-born-and-raised, é mais estilo brasileira: fala alto (leia-se berra) e faz barulho o tempo todo.

Mas na simpatia e educação, eu diria que ela é um caso à parte. Desde nosso primeiro dia aqui eu percebi que ela não foi com a minha cara e todas as minhas tentativas de aproximação foram respondidas com alguma grosseria. Ok, cada um na sua, então.

Só que ela pensou que eu seria a empregada dela: achou que eu estava aqui à disposição para ficar correndo atrás dela limpando qualquer sujeira que ela fizesse. Ou pior ainda, que eu limpasse o chão que ela pisa para ela poder sujá-lo em seguida.

Foram semanas de luta calada!!! Eu limpava a lavanderia e ela fazia questão de pisar com o pé sujo e de terra (sabe-se lá de onde), eu lavei o tapete de entrada e quando o recoloquei, ela pisou e sujou tudo com terra de novo (será que ela trabalha com jardinagem?), eu limpei a máquina de lavar e ela deixou cair sabão por todo lugar em seguida e assim fomos levando por alguns meses... (não vou descrever tudo o que ela me fez porque o post ficaria gigantesco).

Depois de um certo stress, eu decidi que não ia perder meu tempo com ela e alem de ignora-la, parei de ir no fundo do quintal. Descia, lavava minha roupa e voltava pra minha casa. Quando as frutas acabaram no backyard, eu só ia lá para cortar a grama e colocar o lixo e, resolvi meus problemas. Mas ela não se contentou e começou reclamar de mim para o dono da casa. Não sei ainda o que ela falava, mas sei que ele não acreditou muito porque nunca me disse nada e nem pediu que eu mudasse de comportamento.

Então, com a chegada do inverno, nosso landlord foi passar dois meses na Polônia e ela achou que poderia usar e abusar. Segundo meu contrato de aluguel, eu tenho que limpar a neve da minha calçada. Como este ano não nevou quase nada por aqui, eu nem me preocupei muito com o fundo do quintal. Só que a "born-and-raised" achava que era minha obrigação limpar os 2 cm de neve que se acumularam na passagem dela, mas não veio conversar comigo. Ela comprou uma pá de neve e começou limpar ela mesma (duas vezes no máximo). Como o landlord estava viajando, ela também não "pôde" falar nada pra ele (ele deixou os e-mails caso precisássemos_ e simplesmente descontou $200.00 do aluguel do mês de fevereiro por ter limpado a neve (que não teve, rs).

Não preciso dizer que ele ficou furioso e veio conversar comigo p da vida (com ela). Eu fiquei com tanta raiva por ela ser tão traiçoeira que acabei citando apenas algumas coisinhas que ela fazia e quando me acalmei (10 segundos depois, rs) resolvi não ficar contando tudo.

Eu acho que a intenção dela era que ele cobrasse os $200.00 de mim, ou talvez quem sabe me pedisse pra mudar. Ao contrário do que ela planejou, ele ficou irado com ela e pediu a casa. Nem preciso dizer que o ódio dela se voltou contra mim porque certamente ela pensa que eu sou igual a ela e fiquei fazendo fofoquinha com o dono da casa.

Desde o início de fevereiro, ela tem tentado me enlouquecer com pirraças, barulhos, gastando água feito uma louca, deixando bitucas de cigarro por todo lado e cocô do cachorro no jardim inteiro. Mas nada disso tem me abatido porque estou super leve e tranquila. Eu tenho consciência de que não fiz nada para prejudicá-la, não fiz fofoca e tudo o que está acontecendo foi criado por ela mesma. No final, estou morrendo de pena dela, morrendo de dó de ver tanta humilhação. No fundo eu sinto pena em ver uma pessoa desperdiçando a vida sem aproveitar todas as oportunidades que teve. Nasceu em um país maravilhoso, onde vc pode ser o que quiser, teve acesso a educação, saúde, segurança e tudo o mais e não soube o que fazer com tudo isso.

Hoje vive em um basement, sem amigos, com um namorado vagabundo, se humilhando pra conseguir um descontinho no aluguel e duvido que ela saia desta situação tão cedo. Vive mau humorada, gritando com todo mundo, dando ordens pelo telefone. Nunca a vi alegre, nunca a vi conversando tranquilamente com o namorado (que praticamente mora aqui, diga-se de passagem, rs). Mais do que raiva, eu sinto muita pena dela!

As vezes a "Marilena má" tem idéias maquiavélicas como:

- colocar um calendário pendurado na porta com a contagem regressiva dos dias que faltam para ela se mudar.

- começar a fazer a maior limpeza na lavanderia, enquanto ela vai tirando os moveis dela da casa.

- colocar balões espalhados pelo quintal inteiro e convidar um monte de amigos para um churras enquanto ela se muda.

- ou simplesmente ficar sentada na varanda em frente de casa, com um suquinho na mão, apreciando a mudança.

Infelizmente (ou felizmente) esta não é a minha natureza e eu vou ficar bem quietinha aqui dentro de casa, até porque eu sei que minha vida vai melhorar muito com a saída dela (e até que outro maluco resolva morar aqui embaixo, rs).