Sep 12, 2010

O vizinho

Ao contrário da minha antiga vizinhança, que eu mal conhecia e que não se conheciam entre si, os meus novos vizinho são muito simpáticos. Boa parte da rua já veio nos dar as boas vindas e eu tenho me sentido naquelas cidadezinhas de interior americanas. Mas entre todas as demonstrações de simpatia, meu vizinho russo se supera todo dia.

No dia do closing, quando iamos saindo, a esposa dele veio se apresentar, fez varias perguntas sobre nós e disse que se precisassemos de qualquer coisa podíamos chamá-la. No dia da mudança, assim que chegamos com o caminhão, o marido dela apareceu para se apresentar e quando viu o caminhão cheio, foi chamar o cunhado para ajudar a descarregar. E parece que ele tem prática porque já subiu no caminhão e foi coordenando e pegando as coisas mais pesadas.

Quase todo dia nos encontramos pela manhã quando eu saio para levar as crianças na escola: ele sempre vem conversar com eles e me diz: "este som das crianças é como música para mim".

Hoje, quando saímos no jardim, ele começou conversar com o Edu e a Helena e de repente disse: "venham aqui conhecer a minha casa".

Gente, eu sou super tímida!!! Fiquei tão sem jeito e sem saber o que fazer... mas ele insistiu tanto que acabei indo com as crianças. Ao chegar na frente da casa já dei de cara com o cunhado, ao entrar na cozinha me deparei com o filho "bonitão" preparando o almoço e na sala a cunhada super gripada. E eu alí, olhando a casa.

Sei lá, eu fico super sem jeito... não gosto de ficar olhando a casa dos outros. Tem gente que entra na casa da gente e já tira um raio X completo: sabe descrever com detalhes todos os moveis e tudo o que viu. Eu não consigo: até presto atenção em algumas coisas, mas não sou de ficar olhando muito...

Quando ele falou para as crianças subirem para o quarto, eu desisti. Deixei que os três subissem e avisei para não mexerem em nada e fiquei no pé da escada.

Não vou dizer que não foi legal, mas eu fico meio sem saber o que fazer direito. No final, nem sei como é a casa dele, rs... Só sei que ele tem tres "entradas" na casa porque o meu filho reparou nisso e ainda comentou:

"Do you have three doors??? Uallll.

Sep 10, 2010

Éramos 5...

Só hoje me dei conta de que não falei da minha 4° "filhinha". A Luísa Elena (vejam a confusão) é uma alemazinha filha de pai alemão e mãe brasileira. Essa tal mãe brasileira é uma amiga de infância das minhas irmãs e já faz parte da minha família. A Jill, como a chamamos, frequenta a minha casa desde que eu me entendo por gente: sempre saía com minhas irmãs e quando voltavam "da farra" ela dormia em casa e passava o domingo com a gente.


Eu, por ser um pouco mais nova, só ficava acompanhando o processo de se prepararem para sair e depois os comentários da festa (todas nós deitadas, no escuro e a Jill falando pelos cotovelos).


Assim como as minhas três irmãs naturais, a Jill teve muita influência na minha vida e muito do que eu sou hoje, eu devo com certeza a ela.


Quando ela saiu do Brasil, eu senti muita tristeza misturada à alegria de saber que ela estava buscando seu sonho (e eu nem imaginava que algum dia eu faria o mesmo). E então, ela se casou com um alemão e teve a Luisa Elena e o Lourenzo. Sempre que vai para o Brasil, a Jill passa alguns dias na casa da minha mãe e assim, a Luisa e o Lollo passaram a ser os meus sobrinhos da Alemanha.


Depois que me casei, a Luisa Elena sempre passava alguns dias na minha casa também e acompanhou o nascimento dos meus filhos, meu processo de imigração e tudo o que tenho vivido desde que ela nasceu, rs.


Ela sempre foi uma menina meiga, inteligente e simpática.


Este ano, seus pais queriam que ela fizesse um intercâmbio para os EUA para melhorar o inglês. Já estava quase tudo certo quando ela ficou sabendo que eu estava em Toronto e para minha alegria, ela quis vir passar este ano com a gente. Tem sido um prazer enorme ter a Luisa Elena aqui em casa: as crianças estão adorando, o Sergio também e eu estou amando.


Eu consigo imaginar o quanto está sendo dificil para ela, Luisa Elena, ficar longe da familia, em uma terra distante, falando outra lingua e tendo que tomar suas próprias decisões. De minha parte, estou tentando dar a ela a oportunidade de decidir sozinha, de aproveitar esta oportunidade para crescer, se tornar ainda mais independente... mas é claro, que com um colinho sempre disponivel.

As aulas começaram esta semana e estamos todos tentando nos adaptar à nova rotina. E agora com ainda mais hístórias pra contar e esta experiência de filho adolescente, high school e tudo o mais.

Sep 1, 2010

O importante é manter a elegância

Esta semana estamos na correria com as escolas das crianças. Ontem, passamos o dia indo de uma pra outra pra resolver todas as pendências (conto depois). Depois de muito rodar, chegamos na escola que a Luisa Elena (filha mais velha) vai estudar.

Ficamos um tempão por ali resolvendo toda a burocracia, até que fomos chamadas em uma sala onde a Luisa Elena recebeu o horário das aulas e pôde escolher as matérias que vai cursar no grade 10.

Pra distrair as crianças, eu dei um papel e uma caneta para o Edu e a Helena e fiquei com a Luisinha sentada no meu colo e brincando com coisas da minha bolsa.

Eis que de repente a Luisinha me diz: " mamãe, eu quero fazer xixi". Mas foi bem naquele momento crucial da conversa e eu não podia sair, rs...

Pedi que ela segurasse um pouquinho, mas em poucos minutos, senti que minha calça estava molhada. Pensei, tudo bem... depois eu cubro com a bolsa.

E o tempo foi passando, o momento crucial não terminava e eu sentindo minha calça cada vez mais molhada. Quando passei a mão por baixo da minha perna, senti que ia começar a pingar no chão. Fiquei bem na beiradinha da cadeira e fui tentando, disfarsadamente, espalhar todo aquele xixi pelas pernas da minha calça pra não formar uma poça na sala do funcionário da escola.

Quando o momento crucial finalmente terminou e eu tive que me levantar, percebi que minha calça estava toda molhada e parecia que eu é quem tinha feito xixi na calça. Esconder com a bolsa estava fora de questão: o máximo que eu conseguiria seria molhar a minha bolsa também, então... sai andando como se nada tivesse acontecido!

Ainda fiquei algum tempo conversando com a "secretária" da escola, tirando algumas dúvidas e fui para o carro toda elegante como se nada tivesse acontecido.

O meu único medo é que a Luisa Elena fique conhecida na escola como a "filha" da moça que faz xixi na calça.

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!