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Em casa

Hoje tivemos um almoço agradável com amigos, seguido de um cafezinho delicioso e muita conversa que se extendeu por toda a tarde, já tentando entrar noite a dentro. Foram horas de conversa initerrupta, discussões filosoficas, políticas, religiosas... pontos de vistas completamente diferentes mas com objetivos muito parecidos... enfim, tudo muito bom.
 
Mas agora pensando em toda nossa conversa, eu percebi o quanto estamos ligados ao Canadá e o quanto nos desligamos do Brasil neste período de pouco mais de 1 ano e meio. Ficamos horas alí conversando sobre o futuro do Canadá, sobre as eleições para prefeito de Toronto, ficamos comparando as escolas... não mais as escolas brasileiras com as canadenses: ficamos comparando as escolas católicas com as publicas. Discutimos nossos sentimentos, nossas estratégias de auto-preservação neste mundo multicultural; muitas discussões filósoficas, de idéias, previsões para o futuro deste país que para nós 4 (dois casais) é agora a nossa casa.

Se falamos do Brasil? Claro, como apagar a maior parte da nossa vida? Mas agora de uma forma muito mais distante. Para mim, particularmente, é como se minha família e amigos tivessem imigrado para o Brasil e eu estivesse aqui preocupada por eles, rs. A minha casa é aqui e os problemas que realmente me afligem, me preocupam são os problemas do Canadá, da privíncia de Ontário, da cidade de Toronto.

100% das pessoas se assustam ou se admiram quando eu digo que não sinto saudades. Parece muito frio, eu sei, mas o fato é que não sinto falta e não passa pela minha cabeça aquela dúvida de imigrante: "será que eu fiz a coisa certa?". As vezes eu me questiono, sim: tenho dúvidas enormes em relação a todo o processo de imigração. Me pergunto se escolhi bem a cidade, se viver em Ontario é mesmo o melhor para nós, se escolher o Canadá foi mesmo uma boa idéia. No entanto, a imigração não entra em questão: tenho certeza absoluta que o Brasil não me pertence mais e que eu não pertenço mais a ele.