Mar 27, 2011

Partiu desta pra uma melhor

A Luisa Elena fala portugues fluente e sem sotaque, mas como não mora no Brasil, não conhece os meandros da lingua e todas as figuras de linguagem ou ditados populares. É claro que o Sergio se aproveita disso o tempo todo pra tirar uma com a cara dela, rs.

Ele vive fazendo piadinhas ou usando dizeres com significados diferentes e coisas assim para confundi-la.

Mas comigo ele tambem faz estas coisas, ate porque ele mesmo erra alguns ditados e diz coisas como "saia curta" ao invés de "saia justa", rs...

Quando vai dormir quase todas as noites ele fala algo como:

"Bem, vou partir desta pra uma melhor" ou " Vou ter um soninho eterno agora". Eu sempre brigava com ele porque não gosto deste tipo de brincadeira, mas como em tudo na vida, a gente acaba se acostumando e nem presto mais atenção.

Então ontem nós fomos no aniversário de um amigo querido (foi super divertido, diga-se de passagem) e como já estava super tarde a filha dele já estava dormindo quando resolvemos ir embora. A Luisa Elena, super educada foi se despedir do nosso amigo e entao pergunta:

"A Natália já passou desta pra uma melhor, né?"

Depois do susto do nosso amigo, a risada foi geral e todo mundo entendeu que ela não sabia exatamente o que estava falando, rs rs rs...

Isso porque eu sempre falo pra ela tomar cuidado com o que o Sergio diz, rs.

Mar 25, 2011

Ter mais um filho??????

Quando eu conheci o  Sergio eu queria 4 ou 5 filhos e ele no máximo 2. Foram dois anos de namoro discutindo o assunto até que chegamos ao número 3 e fechamos. Em várias ocasiões, depois que a Luisa nasceu, eu tive algumas  recaídas e ficava pensando em um bebezinho novamente, mas o Sergio com sua praticidade e aquele papinho da idade conseguia me convencer de que não dava mais.


Até que a Luisa deu a chupeta para o coelho da Páscoa..., alguns meses depois, deu a mamadeira para o Papai Noel..., e de quebra parou de usar fraldas durante o dia e à noite.


Gente, estas "pequenas" mudanças tranformaram a minha vida de tal forma, que hoje em dia eu tenho até vontade de "operar" pra não correr o risco de engravidar novamente.

Foram 7 anos initerruptos de trocas de fraldas, chupetas e mamadeiras me acompanhando por onde quer que eu fosse. Sem contar a dor de cabeça quando um destes itens era esquecido em casa e eu precisava improvisar alguma coisa pra substituir o "insubstituível".

E a parte financeira??? Foram grandes transferências de dinheiro para a Procter and Gamble. Houve época em que os três usavam fraldas pelo menos à noite.

Hoje eu posso dizer que minha família tem poluído muito menos o meio ambiente e eu tenho muito mais liberdade pra sair com as crianças e improvisar quando preciso.

Agora, nesta nova fase eu sinto que meu tempo de mãe de bebê passou. Eu ainda adoro bebezinhos, fico hipnotizada por eles, mas não tem coisa mais gostosa do que entrega-los de volta para a mamãe no primeiro choro, ou quando a fralda está suja, ou na hora da fome, rs... Definitivamente meu relógio biológico está avisando que passei da idade para esta fase da maternidade.

Estou em uma fase de filmes de princesas, jogos de hockey no video game, escorregar na neve e fazer bonecos no quintal, andar de bicicleta e outras coisas de criança grande (como eles dizem).

Ter mais um filho???? Nem pensar!!!!

PS: A Luisa não usa mais fralda mas nem por isso não faz mais xixi na calcinha. De vez em quando ela se distrai na brincadeira e molha a calcinha. Mas na maioria das vezes eu nem percebo porque ela vai no banheiro, coloca a calcinha no cesto de roupa e troca de roupa sozinha. Quando a vejo com outra roupa e pergunto ela diz:
- Molhou só um pouquinho mas eu já troquei!!!

Mar 24, 2011

O português da Luisa Elena

Aproveitando a deixa da Phophina que perguntou sobre a Luísa Elena. Bem, apesar de conhecer a Luisa Elena desde sempre, a escolha dos nomes das nossas filhas foi uma grande coincidência. Neste post aqui eu conto um pouco como ela veio parar aqui em casa.

Quanto ao idioma: a Luisa é bilingue português/alemão. E ela fala fluentemente o português com a pronúncia de paulistano, ou seja, sem sotaque (rs rs rs rs).

No início o pai dela não achou exatamente uma boa idéia, ela vir para uma casa onde o idioma seria o português, afinal, ela estava vindo pra cá para aprender o inglês. Mas como somos quase da família, ele acabou aceitando porque certamente é muito mais tranquilo ter a filha na casa de conhecidos do que de estranhos.

Eu confesso que no início concordava em parte com ele e tinha um pouco de medo de atrapalhá-la, mas hoje eu acho que está sendo ótimo pra ela. Primeiro porque ela fica a maior parte do dia na escola só falando em inglês. Em casa nós assistimos muitos filmes e programas em inglês também, e ela ainda tem os amigos com quem sai com frequencia e muito contato com a lingua no dia a dia.

Mas esta vinda pra cá foi também muito boa para o português dela. Apesar de ser fluente, ela acaba perdendo muito vocabulário porque na casa dela, hoje em dia, só se fala em alemão. Dessa forma, o vocabulário dela acabou empobrecendo um pouco porque ela só usa o portugues para conversas com a familia no Brasil (e nestas conversas não se fala de assuntos profundos, filosóficos e coisas assim).

Agora ela tem conversado sobre qualquer coisa em português e aprendido muitas palavras novas, muitas expressões e sofrido muito com as piadinhas, rs... Sem contar que tem aprendido muitas coisas que eu e o Sergio gostamos e que ela não conhecia.

Ela com certeza vai sair daqui fluente em 3 idiomas e com muitas histórias pra contar (boas e...)

Mar 23, 2011

É só traduzir com o google

Eu adoro traduzir com o google... traduzo qualquer lingua...

Certa vez encontrei um blog em húngaro falando do meu professor de inglês polonês : "elé é um excelente professor, mas um pouco rígido" dizia a aluna, rs rs rs

Nos últimos dias eu li muita coisa traduzida do japones, do francês, italiano, etc...

Tambem é otimo quando se tem uma adolescente alemã em casa... é só ir no blog dela, escrito em alemão e traduzir para o português... controle total sem trabalho, rs...

Mas na verdade é preciso tomar muito cuidado com estes tradutores, rs...

A Luisa Elena tem um blog onde ela escreve em alemão para a família e amigos que estão por lá. De vez em quando eu entro pra ver as fotos e coloco no tradutor (ela sabe e comentamos juntas o que leio,rs).

Certa vez o post foi traduzido mais ou menos assim: "ontem eu fui pela primeira vez em um pub canadense" e mais pra frente vinha "minha namorada que me indicou... "

Como assim??? A Minha "adolescente alemã" sai pra ir ao cabeleireiro e vai a um PUB indicado pela NAMORADA??????

Nós duas rimos muito e ficamos imaginando a nossa familia no Brasil lendo a mesma coisa horrorizada, rs. A sorte é que a mãe dela lê em alemão, rs.

Mar 22, 2011

Não pode reclamar porque a escolha foi sua

Hoje eu conversei com uma amiga e estávamos falando das dificuldades da imigração. O marido dela fez exatamente o que nós fizemos: largou a zona de conforto dele na Europa e foi para o Brasil começar do zero.  Agora, depois de 7 anos, parece que ele finalmente conseguiu se estabelecer profissionalmente, mas foi difícil.

O interessante dessa conversa foi que as sensações que eles tiveram foram exatamente as mesmas que nós (Sergio e eu) temos em todo nosso processo.

Primeiro sentimos que tem muito mais gente torcendo contra do que a favor. Parece que quando as coisas dão errado, quando temos problemas e nos magoamos com alguma coisa, as pessoas ficam mais felizes. Não sei bem o que acontece mas parece um pouco aquela sensação de: já que eu não posso, não quero que ninguem consiga também.

E uma outra coisa que incomoda muito é o não poder reclamar. Já que fizemos a escolha temos que achar tudo maravilhoso ou sofrer calado, fingindo que está tudo bem. Não tem frase que irrita mais do que "a escolha foi sua, então não pode reclamar".

Eu escolhi sim, e ainda assim me sinto no direito de reclamar, de criticar, de me irritar com algumas coisas e inclusive de dizer que preferia o que eu tinha antes em algumas situações.

Mas voltando à conversa com minha amiga, foi muito bom saber que não são só os brasileiros que pensam e agem assim, rs. Na verdade essa parece ser uma característica da natureza humana e independente de onde nós viemos, o fato é que somos todos muito iguais.

As pessoas que encontramos por aqui, no fundo, são muito parecidas com aquelas que convivíamos lá no Brasil. Existe a união, mas também existe o interesse. Existe a compaixão, mas também existe a inveja. Existem os problemas, mas também existem as aparências. No fundo, é tudo a mesma coisa.  

E então eu fiz uma continha: calculei mais ou menos o número de pessoas que eu conhecia lá  e dividi pelo número de amigos verdadeiros que eu tinha (tenho ainda, que bom!!!). Então peguei o número de pessoas que eu conheço aqui e dividi pelo resultado da continha anterior. Se for proporcional o resultado desta conta me dará o número de amigos verdadeiros que eu deveria esperar encontrar aqui, rs.

Sabe o que deu??? Deu pra perceber que é facil conhecer pessoas, mas fazer amigos de verdade é uma tarefa bem mais complicada. Acho que estou no lucro ou sendo feita de boba, rs rs rs

Mar 21, 2011

Bem vinda Primavera!!!

Quem não mora em país frio não tem a menor idéia do que significa a chegada da Primavera!!!! Depois de meses cheios de agasalhos e acessorios, muita neve (porque este ano Toronto resolveu me mostrar o que é neve) e muito frio, chega um hora que o otimismo vai embora e dá lugar às reclamações.

Eu ainda posso dizer que adoro a neve e que fiquei um pouco triste ao ver o último montinho acumulado no meu jardim. Mas este ano já deu o que tinha que dar e estou aqui torcendo para que as previsões errem feio e não tenhamos os flurries que estão sendo prometidos para a semana que vem.

Todo dia eu faço uma peregrinação pelo jardim (meu e dos vizinhos, rs) pra ver o que está brotando. E este ano está sendo super especial porque nem imagino o que pode aparecer de debaixo desta terrinha querida, afinal, eu não estava aqui na última primavera, rs.

Varias tulipas já começaram a despontar em varios lugares e eu já percebi que minha roseira e amoreira já estão cheias de brotos também. Aos poucos a grama está ficando verdinha e um monte de passarinhos têm aparecido por aqui acho que pra procurar comida.

Tenho certeza que os antigos moradores alimentavam toda esta bicharada porque meu quintal tem um monte daquelas casinhas para comida, sabe??? Eu já comprei umas sementinhas pra continuar o trabalho. E posso dizer que estou até acostumada porque os esquilinhos nunca me deixaram esquecer de colocar comida pra eles. Bastava esquentar um pouquinho e eles apareciam na minha porta e só sossegavam quando o amendoim aparecia, rs.

Apesar de toda a trabalheira que nos espera e da chuva, eu amo esta época do ano!!! E é o máximo perceber que por aqui, até mesmo eu, que sempre fui uma negação com plantas, consigo fazer alguma coisa no jardim.

 As crianças já entraram no clima também e só querem usar shorts e camiseta regata. Quem vê pensa que já estamos em pleno verão. Mas eu até consigo entende-los porque este monte de roupas já cansou mesmo e pra todo mundo. A minha vontade é de lavar tudo e esconder no maleiro do closet... pena que pra sair lá fora os casacos ainda sejam necessarios :(

Vou tentar registrar tudo e depois coloco umas fotos. Do jardim e das crianças, que são as minhas flores preferidas.

Mar 18, 2011

2 anos de Canadá

Pois é, já faz 2 anos que embarcamos nesta aventura!!! As vezes me assusto em como o tempo passa rápido; outras vezes me parece que já faz um século que estamos aqui. Não sei se eu conseguiria contar em 2 anos todas as nossas aventuras em terras canadenses.


As coisas acontecem de forma muito mais intensa quando estamos longe da nossa zona de conforto. Tudo é meio inseguro e incerto; é como nascer novamente e ter que ir desenvolvendo cada habilidade do início. Muitas vezes é meio desgastante e até desanimador porque coisas curriqueiras que fazíamos com o pé nas costas têm que ser reaprendidas.


Sem contar que a lógica é completamente diferente. Precisamos de tempo, paciência e muita determinação para aceitar esta nova lógica e começar a incorporá-la ao nosso dia a dia. E muita coisa eu já incorporei, já faço sem pensar e acho a coisa mais natural do mundo.

Se no início a gente fica sempre comparando o Brasil com o Canadá, ou pensando nas coisas que gostaríamos de ter trazido de lá; agora as comparações são cada vez mais raras e já me viro super bem com o que tenho por aqui. O meu gosto mudou, meu paladar também e talvez as minhas necessidades tenham acompanhado estas mudanças, mas o fato é que sinto falta de poucas coisas. Na verdade, só sinto falta das pessoas e mais nada.

Mas se por um lado eu já me sinto em casa por aqui, por outro lado eu ainda me emociono: choro com as paisagens do outono, choro nos primeiros dias de neve e sei que vou chorar muito quando os primeiros brotos aparecerem nas plantas do meu jardim, porque agora sim, eu posso dizer que este jardim é meu e eu poderei curtir cada brotinho que está prestes a surgir.

Ainda não me cansei de apreciar as paisagens, as mudanças das estações, os guaxinins que tentam virar meu lixo ou os esquilinhos que vêm bater na minha porta pra me lembrar de colocar comida.

Não sei o que o futuro nos reserva mas sei que estou vivendo tudo muito intensamente e a cada dia que passa eu amo mais este país que mudou tanto a minha vida. E aconteça o que acontecer, serei eternamente grata ao Canadá por esta oportunidade única de nascer novamente.

PS: como eu sei que muitos leitores do blog estão sonhando em vir pra cá também e algumas pessoas que me leem moram em outros países eu estou aceitando perguntas sobre a nossa vida aqui. Então, quem tiver alguma dúvida ou curiosidade, a hora é agora, rs.

Mar 14, 2011

Sleepover

Toda mãe que se preze aqui no Canadá tem que conhecer o significado desta expressão!!! Pra mim, está sendo uma experiência bastante complicada... estou aqui rindo e conversando mas na verdade não páro de pensar nem um minuto no tal sleepover...

Bom, o sleepover nada mais é do que o famoso "dormir na cada de alguem".

Hoje o dia foi longo por aqui: recebi 5 crianças para brincar a almoçar, uma mãe se atrasou para pegar os filhos, a menina da mãe atrasada se cansou e tive que ficar brincando com ela até a mãe chegar, depois outra mãe me convidou para um vinhozinho na casa dela (com as crianças, rs). E pra fechar com chave de ouro, ela convidou o Edu pra dormir lá.

Ele ficou animadíssimo e não tive como falar não!!!

Agora ele está lá, provavelmente no terceiro sono, todo feliz da vida e eu aqui... uma pobre mãe tentando me acostumar com esta história de sleepover!!!

Orgulhosa!!!

Hoje eu posso dizer que estou orgulhosa de mim mesma. Fui patinar com amigos e apesar de ter me sentido um pouco insegura no início, acabei me saindo até bem... muito mais do que eu esperava, afinal não caí nenhuma vez!!!

Há algumas semanas atrás eu fui com a família nesta mesma pista de patinação e pela primeira vez subi em um rink com patins. A Luísa Elena estava sem patins e ficou segurando minha mão do lado de fora. Confesso que naquele dia eu saí realmente desanimada do rink porque achei que jamais conseguiria me equilibrar naquele negocio.

Sem contar que levei um tombo daqueles cinematográficos, com direito a bumbum no chão e pernas pra cima... não me machuquei, até continuei tentando, mas tive quase certeza de que jamais conseguiria.

Então fui convidada pra patinar com amigos e achei que poderia ser uma boa oportunidade pra eu tentar novamente. E tb eu tinha que cumprir a promessa que fiz aos meus filhos esta semana: "mamãe promete que vai aprender a patinar e que no ano que vem vai poder acompanhar vcs".

Esta frase impensada saiu quando a escola fez uma manhã de patinação em uma pista aqui perto de casa, mas as crianças do kindergarten tinham que ir acompanhadas por um adulto. Como não encontrei nenhum pai que pudesse se responsabilizar pela Helena, não pude deixa-la ir... justamente ela que adora e está louca pra aprender.

Lógico que me senti culpada "pela minha incompetência" e acabei prometendo uma coisa que eu não sabia se realmente poderia cumprir, rs.

Eu só sei que fui... a Luisa Elena me ajudou no início e em seguida minha amiga Elaine ficou me segurando por um tempão. No final, eu fui perdendo a insegurança e aprendendo a me equilibrar um pouco melhor e até consegui dar algumas voltinhas sem me segurar em ninguem. Tudo bem que talvez eu não chegue a ser uma Joannie Rochette, mas se algum dia conseguir deslizar no gelo já vou ficar bem contente.

Mar 11, 2011

gentileza e solidariedade

Domingão de carnaval no Brasil e neve a noite toda em Toronto. De manhã, fui tirar a neve da frente de casa sozinha porque o maridão estava doentinho. Entre uma pá e outra fiquei prestando atenção em dois vizinhos meus que também levantaram cedo (9:30 AM) pra limpar a calçada e a garagem.


Um deles já deve ter uns 80 anos e mora sozinho com a esposa que tem Alzheimer: ele cuida da casa, da esposa, cozinha, tira neve e diz que a filha (coitadinha) não tem tempo de ajuda-lo porque é muito ocupada. O detalhe é que ela mora a uns 100 metros da casa dele e só aparece de vez em quando. Até banho na esposa ele tem que dar porque a filha não pode... Os netos eu nunca vi e segundo ele, são canadenses e por isso não têm tempo para idosos... ou será que eles copiam a mãe???

O outro vizinho tem 63 anos e dois filhos. Um é casado e mora meio longe: já o caçula, mora com os pais mas eu nunca o vi ajudando com a neve. E pra completar esta semana eu fiquei bastante brava com ele.

O lixeiro passa por aqui na sexta de manhã e como todo mundo já foi trabalhar a maioria das latas de lixo ficam na beirada das calçadas praticamente o dia inteiro. Como venta muito neste país todo mundo se solidariza com o vizinho e basta eu demorar um pouco pra recolher minha lata, quando vejo ela já está encostada na porta da minha garagem. Não sei quem é este anjo, mas retribuo recolhendo outras que vejo tombadas ou correndo o risco de sair voando. Nesta sexta feira, quando peguei a Helena na escola, recolhi a minha lata, mas não me preocupei com a do vizinho porque vi que o filho dele estava em casa. Quando fui buscar o Edu, pasmem: a lata ainda estava caída na calçada do mesmo jeito e o filho já tinha saído. A pessoa desviou da lata caída na garagem mas nao teve coragem de guarda-la: a lata da casa dele!!!

Fiquei ali limpando minha neve e pensando na falta de solidariedade das pessoas, na falta de interesse pelo outro, no quanto as pessoas ficam dentro de suas conchas e se esquecem até mesmo dos próprios pais, dos amigos, de outro ser humano.

Então esta semana está sendo a semana da gentileza aqui em casa. Tenho tentado em toda oportunidade que aparece mostrar para as crianças o que o outro sente, o sofrimento do outro, como todo mundo precisa de atenção, carinho, amor e solidariedade.

Pra me ajudar, começou a quaresma e o Edu recebeu um caderninho onde ele vai escrever boas ações que ele fez durante a quaresma. Eu vou extender o caderninho pra os três e conversar bastante com eles a respeito destas palavrinhas mágicas que muitas pessoas desconhecem o significado: gentileza, solidariedade, compreensão, honestidade, sinceridade...

Hoje eu falei deste terrivel terremoto que atingiu o Japão. Mostrei pra eles fotos, falei das noticias que ouvi, deixei-os assistir o noticiário mostrando as imagens. Eles ficaram bem impressionados e interessados ao mesmo tempo. Sofreram pensando nas pessoas... e apesar de ter sido uma coisa horrivel e muito triste, me valeu para mostrar aos meus filhos que existem outros seres humanos no mundo que sofrem tanto quanto eles e que temos que enxerga-los também.

É claro que também vou ensiná-los que pra tudo existem limites. Por mais que eu me preocupe com meu vizinho, não acho justo deixar de fazer minhas coisas pra diminuir o trabalho do filho folgado dele.  Mas quando o filho não estiver, eu recolho a lixeira dele com o maior prazer.

Mar 5, 2011

Eu quero ginástica!!!

Todo início de estação temos que registrar as crianças em algum esporte. Geralmente 2 para cada um porque senão eu passo meu dia levando criança daqui para lá. Desde que descobrimos o Toronto Fun, as crianças têm feito natação e mais um esporte que eles podem escolher.

O Edu sempre quer fazer soccer ou hockey. Quando os horários coincidem ele faz os dois. O negocio da Helena é ballet: ela é super disciplinada e eu percebo que ela gosta muito. Já a Luisa, por ser muito novinha não tinha muitas opções.

Então, no inicio do outono eu consegui matriculá-la no ballet junto com a Helena e apesar de passar o dia inteiro dançando aqui em casa, definitivamente, ficar repetindo posições com os pezinhos não é bem a praia dela. Acho que ela tem energia demais pra aulas de ballet. E quando eu perguntava o que ela queria fazer na próxima estação, ela respondia sem pestanejar:

- Ginástica!

Eu a registrei em um programa que chama jump and play (pula e brinca) e percebi que ela gostou muito mais. Então comecei procurar algo pra ela fazer agora na primavera, mas não tive muito trabalho porque ela encontrou sozinha...

No dia da natação, ela e a Helena faziam a aula e em seguida era a vez do Edu. Enquanto esperavamos, ficavamos passeando pelo Ginásio pra passar o tempo e elas sempre ficavam assistindo o treino da ginástica artística.

Eu sempre adorei estas coisas e fiquei super animada, mas tento não influenciar muito. Ficávamos alí, como quem não quer nada, assistindo e vendo os exercicios, as repetições... E um belo dia, o Sergio ficou com elas e no passeio para fazer o tempo passar, eles encontraram a sala onde as crianças treinam Ginástica Olímpica e a reação das duas foi imediata:

- É essa ginástica que eu quero fazer!!!

Então tá... eu ainda prefiro a ginástica artística, com menos impácto e menos contusões (impressão de uma leiga), mas se elas preferem algo mais "forte", vamos lá... vamos ver se gostam mesmo.

PS: lembram que eu fiquei aqui elogiando o futebol do meu filho??? Pois o professor dele disse que ele deveria ir para uma liga. Vamos matricula-lo também e ele já esta todo animado.

E eu, vou de motorista e expectadora.

Mar 3, 2011

Bodas de alumínio

Pois é, de acordo com uma tabelinha que encontrei na internet, hoje, 3 de março de 2011, eu e Sergio estamos completando nossas bodas de alumínio: 10 anos!!!

Quando começo pensar em tudo o que vivemos nestes 10 anos de casamento e 12 de relacionamento quase nem acredito que se passaram só 10 anos!!! Nossa vida mudou em todos os sentidos  e apesar das diferenças estamos cada vez mais parecidos, rs.

Mas hoje eu tirei o dia para me lembrar daquele dia em especial: foram muitas e muitas emoções, para mim e para ele...

Imaginem que no dia anterior o padre foi expulso da igreja porque estava sendo chantageado por um suposto namorado. Enquanto meu pai se preocupava com quem iria substituir o padre, o pai do Sergio se recuperava de um infarto no hospital.

No grande dia, eu tentava me manter calma enquanto minha sobrinha de 7 anos, estava desesperada porque ela não tinha ensaiado nenhuma vez para entrar na igreja levando as alianças. Eu sei que em determinado momento eu a peguei na marra e fomos tirar um cochilo juntas: ela berrando que não queria, rs rs... dormimos a tarde inteira e acordamos muito mais tranquilas para começar a nos preparar.

O cabelinho dela é super, hiper, ultra liso e fininho...Então minha mãe quis fazer cachinhos e ela entrou na igreja parecendo um anjinho com o cabelinho todo cacheado! E saiu, no final da cerimônia com o cabelo já quase liso, rs. E não foi preciso ensaio nenhum: ela fez tudo direitinho!!!

Na hora de vestir meu vestido, as mulheres da familia se reuniram na sala da casa da minha mãe para ajudar e dar palpite. Imaginem que eu tenho 3 irmãs, mais as sobrinhas e amigas que foram se trocar lá em casa também. Eu em cima de uma cadeira e minha mãe e minha irmã mais velha dando os últimos retoques no vestido e no bordado.

A única coisa que realmente não me agradou foi meu cabelo... mas isso não é novidade!!! Eu tenho cabelo cacheado (e detesto), mas para agradar a todos eu deixei que enrolassem meu cabelo. É claro que eu não gostei do resultado e minha vontade era entrar embaixo do chuveiro e ir pra igreja com o cabelo pingando, rs rs rs. Mas deixei que a mulherada fizesse o que elas bem entendessem e acabei indo com varios cachinhos caídos na testa, rs rs rs A parte triste é que ao contrário da minha sobrinha, os cachinhos não se desfizeram durante a cerimônia (e estão aqui até hoje, rs).

Como não fizemos festa e estava todo mundo com fome quando o casamento terminou, alguns convidados acabaram indo para uma pizzaria e os noivos, também famintos, foram junto. Eu sei que pra muitos isso parece horrivel, mas foi muito muito legal. Eu e o Sergio sempre nos orgulhamos muito da nossa escolha pela simplicidade (ou pobreza, como alguns irao pensar, rs rs rs rs).

Mandamos pouquissimos convites e tentamos não fazer média com ninguem: convidamos somente as pessoas que gostaríamos de ver na igreja. E o mais legal de tudo foi que todo mundo compareceu. Somente uma amiga querida não conseguiu chegar a tempo porque se perdeu no meio do caminho : (

E tudo foi mais ou menos feito em casa: minha mãe fez o vestido, minha irmã fez o bordado, o rapaz que tocava o orgão da igreja me presenteou tocando no casamento e sua esposa cantou algumas músicas. Até o padre que acabou sendo expulso participou, organizando a decoração.

E ter me casado na igreja onde eu fui batizada e a qual frequentei por muitos anos foi muito especial pra mim. Sem contar que ali eu me sinto em casa. E foi alí, naquela igrejinha onde tantos capítulos da minha vida foram escritos que eu comecei esta nova etapa que hoje completa 10 anos.

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!