Jun 28, 2011

E esse tal frio...

Na verdade muitas coisas que dizem por aí do tal inverno de Toronto me parece exagero. Vou falar de Toronto porque é o que eu conheço ou pelo menos conheço há dois anos. Nos nossos primeiros meses de Canadá as histórias foram muitas: algumas bem convincentes mas algumas... acho que nem no centro do Polo Norte chegam a acontecer.


O fato é que com o tempo o nosso corpo vai se adaptando ao inverno ou, nós aprendemos a comprar as roupas e acessórios adequados e aprendemos também em qual situação devemos usar cada coisa. Logo que chegamos por aqui com nossos casacos quentíssimos vindos direto de Atlanta, nos EUA, descobrimos que tudo o que aprendemos sobre frio na região sul dos EUA não servia para Toronto. Para as crianças nós compramos roupas quentinhas imediatamente, mas para nós, resolvemos esperar o próximo inverno uma vez que aquele estava acabando.  Desembarcamos no dia 18 de março e passamos muito frio até metade de maio, eu diria.


Em outubro, quando começamos passar frio novamente, compramos casacos adaptados ao Canadá e começamos a aprender os truques para não passar frio e/ou calor por aqui. Sim, porque no nosso primeiro inverno canadense eu acho que passamos mais calor do que frio. Como todos os lugares são aquecidos (alguns exageradamente), se vc sai de casa com varias camadas de roupas, ou vai carregar um caminhão de blusas ou vai passar calor.


Agora, é bem complicado, por exemplo, fazer supermercado com varios casacos enchendo o seu carrinho, rs... ou andar pelo shopping com os varios casacos nos braços...


Se vc coloca meia de lã embaixo da calça para passar o dia em algum lugar fechado, provavelmente vai transpirar o dia inteiro. E sua bota de neve, que é perfeita para brincar na neve, vai fazer seu pezinho virar um paozinho no forno.


As crianças também sofreram muito com o frio, ou melhor, com o calor que passavam quando eu sentia frio. Assim que chegamos nosso aquecedor foi colocado em 25°C, a temperatura ideal para mim. Entretanto, meus filhos transpiravam o dia inteiro dentro do apartamento. Hoje eu fico com uma blusinha fininha para eles se sentirem bem com os 21°C de casa. Na escola, eles também sofreram porque preocupada com o frio, eu os enchia de roupas. Com o tempo foi percebendo que era bobagem todo aquele exagero.


Luvas impermeáveis, bota e casaco de neve e touca são como uniforme: eles sempre usam no frio. O que vai por baixo eu decido dependendo do local para onde eles vão. Para a escola, um moleton embaixo do casaco é suficiente. Se vamos ficar muito tempo ao ar livre, coloco uma blusa bem quente embaixo do casaco e completo com touca,, cachecol, luva impermeável...

Ao contrário do que eu imaginava, as meninas usaram muito vestido e saias durante todo o inverno... O importante mesmo é ter bom senso para que seu filho não passe frio, mas também não fique cozinhando cheio de roupas nos lugares fechados.

Jun 20, 2011

Feriados

Ao contrário do que eu pensava quando cheguei aqui, o Canadá tem muitos feriados. Talvez não seja comparável realmente ao Brasil, mas acho que o número é bem suficiente.

O que me chama muito a atenção por aqui são as diferenças em importancia das coisas. No Brasil o reveillon é sem duvida alguma um dos dias mais esperados do ano e eu sempre espero ansiosa pelas queimas de fogos à meia noite. Infelizmente no Canadá isso não acontece. Aqui no meu bairro não se ouve nem biribinha: absolutamente nada!

Este ano fomos para o downtown porque a Luisa Elena queria ver a queima de fogos "na cidade grande". Nós duas nem tivemos tempo de nos cumprimentar e os fogos já tinham terminado: foram no máximo dois minutinhos de um barulhinho. O interessante é que uma multidão corre para o local, fica dois minutos parada vendo os "foguinhos" e em seguida vai embora feliz da vida. Eu e a Luisa apesar da decepção, caímos na gargalhada quando lembramos de todo o esforço para chegar ao downtown para ver "aquilo".

Pra compensar, o Victoria Day, comemorado em maio é um dia bem mais animado que o reveillon. Muitas pessoas compram e soltam fogos perto de suas casas ou nos parques da cidade. Este ano nós não conseguimos encontrar os lugares certos e só vimos algumas bombinhas esparsas, mas deu pra perceber que em alguns lugares mais distantes teve queima de fogos.

Mas o dia importante por aqui é sem duvida alguma o Canadá Day, comemorado no dia primeiro de julho. Com um mês de antescedencia as lojas já começam vender camisetas, bonés, chaveiros e um infinidade de produtos com a bandeira ou motivos relacionados ao país. E no feriado propriamente dito são organizadas varias festas para comemorar e em quase todas elas, uma queima de fogos assim que anoitece. Neste dia, os pobres brasileiros, saudosos do reveillon de suas cidades podem enfim, se lembrar dos fogos.

Certamente não é nada comparado à praia de Copacabana no dia 31 de dezembro, mas... eu gosto bastante e sempre fico esperando ansiosa por este dia também. Até porque, eu sei que depois do primeiro de julho, eu terei dois meses de ferias com as crianças e com o calor!!!

Jun 16, 2011

E o que era pra ser legal...

Todo dia, quando saem da escola, o Eduardo e mais 3 amigos ficam jogando bola no patio, enquanto a Helena e a Luisa ficam brincando com outras meninas que foram buscar os irmãos mais velhos na escola. Somos em mais ou menos 7 mães e umas 12 crianças que ficam meia horinha ali conversando enquanto os filhos brincam um pouquinho.

Neste dias mais quentes, uma destas mães gosta de levar alguns gelinhos (muito populares por aqui) pra as crianças se refrescarem e todo mundo adora. Só que ontem, por acaso, um menino da classe do Edu que não fica lá jogando, viu o gelinho quando saiu e correu para pegar um. A mãe entregou um gelinho pra ele sem problemas porque ela sempre leva alguns a mais e nós todos conhecemos o menino. Só que ele pegou o seu gelinho e anunciou aos quatro cantos:

- Estão distribuindo gelinho de graça aqui!!!

Meus amigos... vcs não imaginam a correria de crianças na nossa direção e a confusão que se seguiu porque obviamente não tinha gelinho suficiente para todo mundo.

Mas o pior estava por vir: hoje alem desta mãe que sempre traz o tal gelinho, uma outra amiga nossa levou alguns também. Quando a porta da saída se abriu, foi uma correria desatada para pegar um gelinho. De repente dezenas de crianças estavam rodeando as duas esperando o seu e novamente varias delas acabaram ficando sem. Eu estava meio distante, olhando a Luisa e fiquei só vendo aquela confusão e com meus botões pensando que esta historia ainda vai dar muito pano pra manga.

Imagino que amanhã as crianças vão estar ainda mais desesperadas na hora de sair da escola porque só quem chega primeiro pega o seu. E não sei se todos os pais vão ficar contentes por seus filhos tomarem gelinho após a escola. Sei lá, as pessoas aqui são meio metódicas as vezes e ficam incomodadas quando as coisas saem da rotina. Eu apostaria que em breve alguma mãe vai reclamar na direção e minhas amigas vão ser chamadas pela diretora.

No final, uma coisa que seria super divertida para os amigos que ficam jogando futebol depois da aula pode acabar virando uma confusão. Se eu fosse minhas amigas, com certeza daria um tempo com os gelinhos.

Jun 13, 2011

Educar para o mundo

É muito dificil educar um filho para o mundo: é muito mais facil tentar prende-los embaixo das nossas saias e "protege-los" de todos os perigos. Graças a deus eu posso dizer que meus pais me criaram para o mundo. Apesar de muito tímida eu tive muitas oportunidades na minha infância: oportunidades de descobrir lugares e pessoas diferentes, viajar sozinha, sair com pessoas que não eram da família, dormir na casa de amigos e primos, enfim, viver muitas experiências enriquecedoras.


Não sei se por eu ser bem mais nova meus pais se sentiam mais seguros em me deixar ir, mas o fato é que eles deixaram e isso me fortaleceu muito. Mas eu não era uma menina largada no mundo, vivendo em uma porteira aberta sem controle nenhum. Meus pais sempre deram a corda mas ficaram com a outra ponta e estavam sempre atentos para me segurar quando percebiam que eu estava em terreno perigoso. Meus pais me deram toda a base de tudo o que sou hoje.


Com meus filhos eu tento copiar o modelo deles: me vejo quase todos os dias repetindo as mesmas frases que ouvi a vida inteira, as mesmas brincadeiras, as mesmas histórias. Só que eu me dei conta há bem pouco tempo de que eu estava cometendo uma falha lamentável na educação dos meus filhos. Uma falha imperdoável que poderia colocar todo o meu trabalho a perder no futuro, exatamente naquele momento em que eu terei que soltar a outra ponta da corda: eu "pequei" na educação religiosa deles.


Como não sigo nenhuma religião eu acreditei que eles não precisariam seguir nenhuma também e que bastaria apresentar a biblia a eles e falar um pouquinho de Jesus e de deus. Mas hoje tenho certeza de que eu estava enganada!!! As crianças precisam muito de formação religiosa, mais até que os adultos. Como em tudo na vida, a base é o mais importante e uma criança sem base religiosa nenhuma é alvo fácil para a alienação e o fanatismo.


Eu frequentei a igreja católica praticamente a minha infância e juventude inteiras. Mas ao contrário da maioria, eu não ia á missa pra bater cartão, eu participava da missa: fazia as leituras ou os comentários, ficava no altar com o padre (e as vezes até bebia o vinho, hummmm), e também participava de outros grupos da igreja, me envolvia em varias atividades, varias discussões... Eu sempre fui muito questionadora e tive a sorte de encontrar padres e pessoas maravilhosas que sempre me ajudaram em minhas dúvidas.


Além disso, meus pais também não eram católicos de nome: meu pai foi coroinha da igreja em um tempo em que a missa era rezada em latin, depois fez parte por muitos anos da Congregação de Marianos, minha mãe foi filha de Maria e ate hoje participam de muitos grupos da paróquia deles.


O que eu percebi foi que apesar de ter me afastado da igreja católica em várias ocasiões, eu tenho uma formação religiosa consistente: uma base sólida que não se deixa levar por qualquer onda! Ao contrário: sou muito difícil de convencer!!! E olha que já passei por muitas provações, rs.

Me lembro que na minha adolescência pipocavam por toda a cidade de São Paulo varios grupos, que se diziam não religiosos, e que faziam convites para passeios, encontros, almoços para jovens onde se discutiria a biblia sem vinculo com nenhuma religião. Estas pessoas super simpáticas e agradáveis, te constrangiam em pontos de ônibus, dentro do campus da USP e as vezes até mesmo na sala de aula da faculdade com um discursinho manso, gentil e um convite para um evento super "legal" onde vc conheceria varias pessoas interessantes. Em uma destas conversas eu acabei dando meu telefone para me livrar da menina sem ser mal educada e me arrependi profundamente: a chata me ligava todos os dias, a qualquer horário e não tinha o menor constrangimento. Até que um dia, em pleno almoço de dia das mães, ela ficou me ligando a manhã inteira para me convidar para um almoço X. Mesmo tendo dito que não iria, que iria almoçar com minha mãe, ela voltou a ligar mais duas ou três vezes e então eu fui obrigada a descer do salto e dizer que não estava interessada, que já tinha religião, já tinha amigos e estava muito feliz.

Depois desta, nunca mais dei meu telefone, mas nem por isso me livrei totalmente dos convites, das conversinhas, daquele papinho manjado!!! Infelizmente uma grande amiga minha foi a algumas reuniões e quase entrou no poço sem fundo do fanatismo e da alienação. Naquela época eu não consegui entender direito a diferença entre mim e ela: hoje, eu acho que sei. Eu tinha muito claro pra mim o papel da religião na minha vida. Eu tinha varias dúvidas, é claro, mas não eram dúvidas que poderiam ser respondidas em outra denominação religiosa: o dito mistério da fé não tem resposta em lugar nenhum. Foi neste ponto que eu entrei de cabeça na ciência. Mas não foi um padre ou um pastor que foram me ensinar ciência: ciência se aprende em livros de ciência!!!

Hoje Deus e a ciência conseguem andar lado a lado na minha mente sem se contradizerem e eu tenho isso muito bem resolvido pra mim. Mas neste momento, em que a ciência na vida dos meus filhos é limitada pelo entendimento deles, eu percebi que tenho que resolver o problema da religião. Eu tenho que dar a base que eles precisam ter para não seram iludidos, comprados, alienados no futuro. Quando eles crescerem, eles terão toda a chance de escolher, assim como eu tive, mas que escolham com conhecimento de causa, que escolham sabendo diferenciar "o joio do trigo".

Eu vou me sentir uma fracassada se um dia meus filhos cairem nas teias do fanatismo por falta de conhecimento ou por abandono da minha parte. Por isso, eu escolhi para meus filhos a religião católica. Se eles não quiserem acreditar na virgindade de Maria, se não quiserem acreditar em Santos, ou em outras coisas tão criticadas por aí, tudo bem!!! Mas eu quero que eles conheçam esta religião que é tão linda e tão confortadora. Eu sempre me sinto em casa em qualquer igreja católica em qualquer lugar do mundo: as missas são sempre iguais, os canticos, os ritos, o sermão do padre sempre muito semelhante.


Nunca vi um padre criticando outras igrejas, julgando os fieis, cobrando pelo dízimo, constrangendo quem quer que seja. As portas da igreja católica estão sempre abertas pra vc ir e vir quando quiser e quem vai julgar o seu comportamento é vc mesmo, e deus.


Com 18 anos eu comecei a fazer um curso nas Casas André Luiz. Era um curso de 5 anos mas só consegui fazer 3, porque percebi que ali não tinham as respostas que eu procurava. Um dia, cheguei em casa depois de uma aula e estava assistindo a novela com o meu pai e ele me disse: "sabe Lena, não adianta mudar de religião, porque as respostas estão dentro de vc mesma" (transcrição livre).

Jun 12, 2011

Em boca fechada não entra mosquito

Um dos amigos do Eduardo não mora com o pai. Não sei qual é a história, mas nunca vi o pai do menino em nenhuma festa ou atividade qualquer. Eu só sei que ele é americano e trabalha com mineração (poxa, será que ele não está precisando de um engenheiro químico????). Mas o fato é que apesar do pai nunca ter aparecido, a mãe do menino nunca comentou o assunto e pronto.

Sexta feira eu convidei os amigos do Edu para passarem a tarde aqui em casa e fiquei batendo um papinho com a mãe deste menino. Ela é colombiana e nós estávamos comentando que a vida era um pouco mais facil nos nossos países de origem porque sempre tinhamos uma ajudazinha da familia ou uma ajudante do lar para dividir os trabalhos. Até que a boca grande fala:

- Eu imagino como seja complicado pra vc que tem que fazer tudo sozinha, pelo menos eu tenho o Sergio pra dividir!!!

Aaaaaaaai que odio que eu tenho quando faço estas coisas!!! Teoricamente eu não sei que ela é sozinha... Fiquei super sem graça mas infelizmente palavra dita não pode ser engolida. Não sei porque a gente tem que falar sem pensar. Tinha que ser obrigatorio pensar 2 segundos antes de falar. Tudo bem que a conversa ia ficar meio truncada, mas pelo menos a gente ia falar muito menos bobagem!!!

PS: pelo menos a tarde foi muito divertida com as crianças brincando no fundo do quintal, a casa arrumadinha e quietinha e, eu por mais de 30 minutos sem ouvir a palavra mais dita nesta casa: mamãe!!! No sábado alguns amiguinho voltaram e eu ensinei as crianças pularem corda. Estou com o braço doendo de bater mas todos adoraram a brincadeira!!!

Jun 11, 2011

Regras para desobedecer

Na escola das crianças tem uma entrada para os carros por onde passam tranquilamente dois carros grandes lado a lado. É a única para o estacionamento e por onde entram os ônibus escolares. No final dessa passagem tem o estacionamento à direita e a rua à esquerda (única saída da escola).


A brasileira que adora obedecer regras, sempre entra pela entrada, passa ao lado do ônibus escolar e segue para o estacionamento. A mesma brasileira sempre achou um absurdo as outras mães que simplesmente entram pela saída na maior cara de pau, as vezes causando a maior confusão no estacionamento.

Hoje mais uma vez cheguei na escola pra pegar o Edu e mais um monte de amigos que viriam aqui em casa e quando fui passar ao lado do ônibus escolar eu percebi que ele estava super afastado da guia e que meu carro não passaria. Fiquei alguns segundos pensando no que fazer e já percebi uma fila atrás de mim, então resolvi ir conversar com a motorista. Só que ela não estava no volante: por algum motivo hoje foi um cara diferente e quando perguntei se ele poderia afastar o ônibus um pouquinhos ele simplesmente me disse:

- Mas esta é a rota do ônibus escolar, vc não deveria fazer este caminho. Eu tenho que esperar as crianças e não posso ficar manobrando.

Sorrindo, eu agradeci pela ajuda e sai. Larguei o carro onde estava mesmo (até porque eu não tinha nem como dar ré) e fui pegar meu filho e os amiguinhos. Quando voltei com as crianças, já tinham dois funcionários da escola indignados porque uma "mãe folgada" havia deixado o carro no meio do caminho, rs...

Eu expliquei minha conversa com o motorista ( ou a besta humana) e ao ver o espaço que eu tinha pra passar os dois fizeram aquela cara de "fazer o que né???" e voltaram aos seus "postos". Então eu fiquei conversando com a funcionária da escola e dizendo que não tentendia como funcionavam estas coisas já que aquela via era do onibus escolar, e a outra opção era a via de mão única por onde devemos sair e não entrar. O que eu percebi durante a conversa é que existe um acordo não verbal de que o certo é entrar pela contramão e ser feliz, rs.

Não entra na minha cabeça a logica da sinalização daquele estacionamento: eu acho uma afronta a mim mesma entrar pela contramão, uma vez que este tipo de coisa foi o que me motivou a sair do Brasil. E eu fico me perguntando se não foi assim, com pequenas coisinhas que tudo começou por lá.

Jun 10, 2011

Profissão: Secretária Executiva

Neste verão resolvemos registrar o eduardo na "liga de futebol" do bairro. Os times são divididos por idade e sexo. Então o Eduardo só joga com meninos que nasceram no mesmo ano que ele. O interessante é que apesar do aparente desinteresse pelo futebol, o negócio faz sucesso por aqui. Só na idade do Edu são 14 times com 11 jogadores cada um. Crianças de 5 a 17 anos podem participar e acreditem: tem times de todas as idades, masculinos e femininos.

No dia da inscrição o Sergio resolveu se candidatar a técnico assistente: ele ficaria ajudando o técnico e aprendendo como as coisas funcionam. Entretanto, começou receber e-mail endereçados aos técnicos e descobriu mais tarde que se ele não aceitasse o cargo, o time não teria treinador.

Eu diria que "juntou a fome com a vontade de comer". O time precisava do Sergio e apesar do medo inicial, o Sergio gostaria deste desafio. E está sendo uma experiência muito interessante para a familia inteira.

Ontem foi o primeiro jogo e o "técnico" ficou bem animado com o que viu. Não sei se ele entende mesmo do que está falando ou se é um grande otimista, mas ele achou que os meninos jogaram muito bem e já esta montando o treinamento que eles precisam. No jogo de ontem, infelizmente perdemos, mas eu diria que foi uma fatalidade. No inicio do jogo o time adversário tinha 8 jogadores, um a mais que a regra, enquanto nós estávamos com um jogador a menos porque varios "atletas" simplesmente não apareceram, rs...

Quando o Sergio percebeu que eles tinham um jogador a mais, avisou o juiz, mas mesmo com a saída do menino, ainda ficamos em desvantagem. Ainda assim, tivemos varias chances de gol, mas foi no finalzinho do primeiro tempo que eles acabaram marcando. Neste momento chegou mais um jogador para o nosso time e já estávamos animados com a perspectiva de jogar em igualdade, quando... armou-se um temporal horrivel... o céu escureceu, começaram relâmpagos e muita ventania, o que fez com que os jogos fossem paralizados.

A correria de pais e crianças foi até engraçada: cada um correndo pra uma direção, carregando cadeiras e sacolas. Vendo aquele monte de gente correndo, até deu uma certa vontade de correr também, rs...

Só sei que desde que esta história começou, o meu telefone passou a tocar mais vezes todo dia: tenho recebido varias ligações de pais "desesperados" querendo falar com o "coach". Sem ter me candidatado a nada, virei secretária executiva "bilingue" do técnico da seleção japonesa! Muito chique!!!

PS: a participação especial foi da Luisa Elena, que foi convocada de última hora para ser uma das bandeirinhas.

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!