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Vida selvagem de Toronto

Bastou entrar o verão e recomeçamos nossos passeios pelas ruas do bairro todo final de tarde. Cada vez fica mais legal sair com as crianças porque aos 7, 5 e 4 anos eles já aguentam longas caminhadas sem pedir colo ou reclamar que estão cansados. A Luisa ainda pede um colinho de vez em quando mas a cada dia caminha mais e com mais independência. E com tantos parks, trilhas e ruas arborizadas, é sempre muito agradável passear nestes dias lindos que o verão de Toronto nos presenteia.

Outra coisa que eu amo por aqui é o fato de anoitecer super tarde, em torno de 10 da noite. Assim, podemos jantar e ainda ter muitas horas de dia para aproveitar.

Só que aqui no Canadá animais selvagens são sempre protegidos e podem fazer o que bem entenderem: o direito é deles e pronto! Os patos atravessam grandes avenidas na maior tranquilidade: as vezes estão indo e resolvem voltar e os motoristas têm que ficar quietinhos esperando a boa vontade deles. Os guaxinis entram nos nossos quintais, viram o lixo, fazem coco no jardim ou invadem nossos telhados para terem seus filhotes e vc tem que resolver o seu problema por conta propria porque a prefeitura não faz nada que possa prejudicar os pobres animaizinhos.

No parque que fica a 100 metros da minha casa, tem várias placas avisando que existem coiotes morando na região e que não devemos nos aproximar deles nem alimentá-los. Avisam também para tomar cuidado com animais de estimação porque podem ser atacados pelos coiotes.

Ontem, andando por uma trilha aqui da região, avistamos um "cachorro" ao longe. Quando nos viu, ele ficou paradinho olhando para nós e esperando. Ao nos aproximarmos um pouco mais percebemos que não era um cachorro e sim uma raposa. O Sergio imediatamente pegou a Luisa no colo e fomos caminhando bem devagar naquela dúvida do que fazer: dar meia volta ou seguir a trilha e passar proximo do bicho. Como a figura não parava de nos olhar, achamos melhor dar meia volta e qual não foi nossa surpresa quando ela veio atrás da gente, mantendo uma certa distância.

A principio eu até achei engraçadinho, mas confesso que depois de uns 2 minutos sendo seguidos pelo animal eu comecei ficar com medo. Saimos da trilha na primeira saída que apareceu e assim que chegamos à rua olhamos pra ver se ela ainda nos seguia. Ela estava lá, escondida no meio das árvores mas não saiu atrás da gente. Vimos então duas meninas paradas na entrada da trilha conversando e avisamos que havia uma raposa por alí. Alguns metros adiante vimos mais duas meninas se aproximando e as 4 ao se encontrarem conversaram um pouco e deram meia volta também.

No dia seguinte fomos fazer nossa caminhada novamente, mas não entramos na trilha porque já estava bem mais escuro que no dia anterior. Ficamos andando pelas ruas e acabamos nos encontrando com uma possivel presa da raposa: um coelinho selvagem muito comum pelas redondezas, que adora fazer visitas aos quintais das casas.

Apesar de estarmos na rua, de vez em quando, eu dava uma olhadinha para trás pra ver se não tinha nenhuma raposa nos seguindo: precaução de paulistanos, rs!!! A Luisa, coitadinha, assim que escureceu não quis mais ficar no chão.