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Dá trabalho??? Depende!!!

Muita, mas muita gente mesmo, me pergunta se cuidar de 3 não dá muito trabalho. Tem também aqueles que não perguntam mas fazem aquela cara característica que pode significar varias coisas:

"Vc é louca de ter três tão pertinho!!!"

"Vc não tinham televisão quando casaram?"

"Vc já ouviu falar em anticoncepcional?"

"Agora vcs pararam né?" (frase acompanhada de cara de medo).

Se no início eu me irritava muito com tais perguntas, hoje eu consigo entender perfeitamente a aflição e o desespero de muitas pessoas, especialmente outras mães, quando me veem por aí com minha escadinha de 3 degraus. E eu sei o quanto ela causa estranheza principalmente porque não tenho filhos gêmeos. Os filhos gêmeos são um consolo para as pessoas que se assustam, afinal, não tem muito o que ser feito. Mas eu... ora, eu tive a chance de escolher e por opção ou por ignorância, eu fiz esta loucura, tendo tres filhos pertinho assim, nos dias de hoje.

Analisando o comportamento dos meus filhos, o que eu percebo é que o comportamento deles está muito ligado à quantidade de atenção que eles recebem de mim. Quando estou na correria, cheia de coisas pra fazer, se estou ansiosa, mau humorada, preocupada... eles ficam terríveis. Eles brigam o tempo todo, choram, tentam chamar minha atenção a qualquer custo, mexem onde não devem, fazem tudo o que eu não gosto e no pior momento possível.

Naqueles dias em que estou mais relaxada, calma, não tenho muitas coisas urgentes ou seja, nos dias em que uso meu tempo para dar atenção a eles, tudo é paz e calmaria por aqui. Eles brincam super bem, não fazem bagunça, não brigam, não têm crises de ciumes, enfim, não dão trabalho nenhum.

O fato é que as crianças sentem e percebem tudo o que está acontecendo ao redor delas. Mesmo quando elas não entendem o que os adultos estão falando, elas conseguem perceber que algo não vai bem e reagem a isso.

Eu me lembro como se fosse hoje, a primeira visita que eu fiz ao pediatra das crianças. Mãe de primeira viagem, com a cabeça cheia de minhocas que os mais experientes tinham colocado, cheguei toda insegura na primeira consulta com um embrulho vermelho com bolinhas. A primeira coisa que o médico me disse foi que meu embrulho estava vermelho e cheio de bolinhas porque eu o agasalhava demais, rs. E naquela consulta que durou quase 2 horas o meu então médico-psicólogo-amigo-palpiteiro-incentivador me falou muito sobre como lidar com aquele menininho e todas as suas surpresas.

Naquela conversa ele desmistificou muito coisa sobre a maternidade e me mostrou uma forma simples de lidar com aquele mundo de surpresas e tranformar as nossas vidas em algo prazeiroso e tranquilo. Uma das coisas que mais valeram de tudo o que ele me disse foi que mãe tranquila = criança tranquila.

Ele me passou tanta segurança em relação aos cuidados com o Eduardo que eu saí do consultório me sentindo super experiente e o Eduardo nunca me deu um pingo de trabalho. Quando as meninas nasceram, foi a mesma coisa: além de me lembrar como cuidar do pequeno, ele ainda me ajudava a lidar com as questões de ciumes dos mais velhos.

Meus três filhos são completamente diferentes um do outro, mas de uma maneira geral eles foram bebês super tranquilos, que mamavam super bem e dormiam a noite inteira em poucos meses.

Desde que chegamos ao Canadá o meu nivel de estresse tem flutuado mais: são muitas coisas para pensar, organizar, resolver e principalmente aprender e se adaptar. Quando eu fico estressadíssima, sobrecarregada e sem paciência nenhuma com eles a casa vem abaixo e ficamos todos meio enlouquecidos por aqui. Mas basta eu me acalmar, sentar no tapete com um livro ou um jogo na mão e pronto: todo mundo fica calminho e tranquilo.

Voltando à pergunta: "Dá trabalho?"

Pra ser sincera, depende muito mais de mim do que deles!