As vezes eu sinto meu processo de imigração como uma fuga de um naufrágio. De repente vc sente seu navio afundando e tem que escolher um caminho a seguir. Eu escolhi pular na água e tentar encontrar um bote salva-vidas que me leve à terra firme. Cada um tem seu proprio navio e faz suas proprias escolhas, mas aqueles que resolvem pular na água de alguma forma fazem mais ou menos o mesmo percurso até a terra firme.
O que acaba acontecendo é que muitos que pulam na água se desesperam e não conseguem nadar. Muitos se perdem em um mar de possibilidades seguindo um pouquinho em cada direção e não chegando a lugar nenhum. As vezes é dificil encontrar seu proprio caminho porque cada um sinaliza para um lado e é preciso calma e determinação para encontrar o seu proprio objetivo.
Nesta nossa luta no meio da água, nós já encontramos aqueles que estão se afogando e tentam te puxar pra baixo também ou aqueles que encontraram um bote e pisam na sua cabeça para entrar nele. E muitas vezes, os caras que estão no bote te empurram para baixo para evitar que vc suba ou saem correndo em alta velocidade só com a possibilidade de ter que te extender a mão, nem que seja só pra te dar uma informação.
Mas neste mar imenso existem também pessoas especiais e nós tivemos o prazer e a honra de encontrar muitos deles pelo caminho. Muitos botes vieram em nosso socorro: mesmo não podendo subir neles, nós encontramos incentivo, informações preciosas de quem tinha uma visão melhor que a nossa do horizonte e sabíamos que sempre teríamos uma mão amiga ali para nos ajudar se precisássemos. Essas pessoas nunca nos deixaram desistir, sempre torceram por nós e foi graças a muitos deles que nós finalmente conseguimos encontrar o nosso proprio bote.
Amigos, sabe aquela sensação maravilhosa de colocar a cabeça fora da água e respirar fundo? É isso que estamos vivendo agora!!!
Não sei se posso dar muitos conselhos, se nossa experiência pode ser usada por alguém, mas o que posso dizer é que nunca paramos de nadar. Mesmo quando o mar estava revolto, quando parecia que não estávamos saindo do lugar, mesmo quando todos os botes pareciam pontos inalcansáveis no horizonte, nós continuamos nadando.
Especialmente o Sergio, pra quem as coisas foram muito mais difíceis. Ele encarou um survival job com seriedade, responsabilidade e a dedicação que ele teria com o emprego dos sonhos. Conquistou com isso muitos amigos e admiradores. Não perdeu uma única oportunidade aqui no Canadá, fez varios cursos, foi atrás de tudo o que nos indicaram e mesmo quando tinha certeza que perderia seu tempo à toa, ele tentava.
Mais do que ninguem eu sei o quanto ele batalhou para que as coisas acontecessem e é por isso que sinto tanto orgulho dele. Um pouco da experiencia dele no survival job ele escreveu aqui no blog dele e um pouco mais eu vou contar aqui.
A todos que de alguma forma participaram disso tudo eu só posso dizer MUITO OBRIGADA!
Sempre pode acontecer de termos que voltar para o alto mar, mas agora, nós sabemos que existem muitos botes que podem ser alcançados. E não pensem que agora ficaremos parados! Ao contrário: agora é hora de remar porque a terra firme é um caminho muito mais longo!
E para quem ainda está nadando, nosso bote ainda está na água. Não te garanto que poderemos te trazer para dentro dele mas faremos o possivel para tornar o seu percurso mais facil.
4 comentários:
È isso aí Mary, existem remadores bons e os nem tanto, p auxiliarem os principiantes, mas como dizia o Nemo, se você estás se sentindo perdido, "continue a nadar, continue a nadar". Boa sorte neste 2012 e não desistam p pouco, sempre achamos forças até nas pequenas coisas da vida.
Muito bacana teu texto Mari!! Pelo pouco que conheço da estoria de vcs todas as conquistas são merecidas, e com certeza muitas ainda virão...keep on moving...
Lena, super legal, amei e estou hiper feliz por vcs!!!!!
bjao!!
Adorei o texto Mari, muito tempo nao visitava seu blog. Espero estar naquele bote que navega ao lado de voces, precisando a gente empresta o remo!! Continue a remar!! bjs
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