Feb 28, 2012

De olhos abertos

Um dia é uma mancha roxa, no dia seguinte um arranhão nas costas e vc começa pensar que seu filho está com problemas. Apesar do Eduardo dizer que estava tudo bem o tempo todo, eu comecei ficar desconfiada.

Verifiquei o tamanho dos sapatos, se ele está pisando torto, mandei andar na linha e fazer o 4. E quando ele pediu para mudar de escola e eu disse que ia conversar com a professora... ele finalmente me contou o que estava acontecendo desde que voltaram das férias de natal: um dos melhores amigos não está sendo muito gentil com ele.

Eu conheço bem o menino e tenho certeza que ele não faz por mal, nao quer machucar e não tem noção do quanto esta ferindo o Edu: mas está ferindo muito. Não só fisicamente, mas psicologicamente!!!

São brincadeiras idiotas tipo colocar o pé quando ele vai passar, empurrar ou bater o peito nele (o menino é enorme, tanto na altura quanto na largura), pegar o Edu pelo pescoço e ficar dando "crocks" na cabeça, torcer o braço para trás e outras idiotices desse tipo.

Com medo de perder o amigo, o meu filho simplesmente não me contava nada e tb nao tinha coragem de pedir ajuda na escola.

Mas pera aí Mari, que raio de escola é essa que ninguem percebe??? 

Pois é ai que mora o fato interessante: o menino sabe o momento certo de fazer as tais brincadeiras e ninguem nunca via. E quando via, pedia para eles pararem com aquele tipo de brincadeira mas o Edu não pedia ajuda, nem assim.

Depois de mais de um mês "apanhando", foram quase duas semanas de conversas com o Eduardo porque ele não queria que eu fizesse nada: queria resolver sozinho mas sem magoar o amigo. Quando eu percebi que ele realmente não ia conseguir sozinho, eu fui falar com a professora. Falei da forma mais calma possivel e com muito tato para tentar não criar nenhum problema para o menino.

Ela falou com os dois juntos, foi super gentil, segundo o Eduardo e... não resolveu nada: o Edu apanhou a semana passada inteira!!!! E na sexta feira a mãe do menino ainda queria que o Edu fosse na casa dela!!!

Na segunda eu perdi minha paciência e dei uma última chance ao Eduardo: se ele não falasse com a professora, eu falaria. E também falaria com a mãe do menino, com o menino, com a diretora, com o secretario da educação, com o primeiro ministro e até com a rainha se fosse preciso.

Ele ficou assustadíssimo e contou tudo o que estava acontecendo para a professora. E contou também que o "amigo" pega os lapis dele e o deixa com um toquinho de lapis, que o "amigo" fica tirando sarro de um outro menino que tem um problema de pele... enfim, o santo não é tão santo quanto eu e a mãe dele achávamos ( talvez ela ainda ache!!!).

A professora realmente tomou uma providência e conversou com o menino com mais seriedade e na terça feira ele nem foi na escola. Na quarta feira a professora conversou com todos os meninos da classe e disse que varios pais foram na escola reclamar das brincadeiras violentas e dos ferimentos nos filhos.

E agora estou esperando os proximos acontecimentos...

PS: Não sei como estão as escolas particulares no Brasil, mas eu sofri muito (mas muito mesmo) bullying na escola e infelizmente naquela época pouco se sabia a respeito e nada se fazia. Aqui existe muita preocupação em relação a isso porque este inimigo é silencioso e muitas vezes quando os adultos descobrem o problema já tomou proporções gigantescas.

Mais do que simplesmente defender os meus filhos, eu quero que eles aprendam a se defender sozinhos. É claro que nós pais temos que dar suporte, temos que estar acompanhando de perto, mas funciona melhor quando a solução parte das crianças.

O Eduardo está muito mais tranquilo e eu sinto que ele está orgulhoso de ter conseguido resolver um problema que para ele era enorme, sem precisar da mamãe ir fazer escândalo na diretoria. Infelizmente este tipo de problema vai acontecer de novo, eu sei, mas tenho certeza que meu filho vai saber melhor como lidar com ele.

Por enquanto, parece que tudo está resolvido, mas pelo sim pelo não, continuo de olhos abertos.

Feb 27, 2012

Fazendo bonito com chapeu dos outros

No meu interesse por livros, comentei com uma amiga que precisava conhecer alguns autores canadenses. É muito complicado comprar livros quando vc não conhece nada sobre a literatura do país. Então esta minha amiga me emprestou vários livros famosos por aqui (vou fazer uma lista, aguardem).

Uma professora do filho dela, pegava os catálogos da Scholastic (que as crianças trazem para casa uma vez por mês) e marcava quais livros eram interessantes, eram bons, eram apropriados para o nivel de leitura do filho dela. Imaginem que esta pessoa iluminada (a professora) fazia isso para todos os alunos da classe dela (ai que inveja de não ter pegado uma professora assim!!!).

Eu achei bárbaro!!! E foi através destas listas que minha amiga comprou vários livros super interessantes para os filhos delas.

Um dia, conversando com a diretora da escola das crianças, eu comentei que tenho uma certa dificuldade para comprar livros porque não conheço os autores, os clássicos canadenses, a melhor literatura... e me lembrando da professora do filho da minha amiga, eu perguntei se havia a possibilidade das professoras das crianças me indicarem algum livro, alguns autores pra eu ir conhecendo...

(Se tem uma coisa que não dá pra comprar pela aparência, é livro: as vezes a gente compra livros super bonitinhos mas com histórias tão bobas que dá vontade de jogar fora!!!).

A diretora adorou a "minha idéia" e não só pediu uma indicação de livros para as professoras das crianças, como pediu para a bibliotecária fazer uma lista daqueles "clássicos" que todo estudante canadense "deveria" conhecer.

Não bastasse ter usado a "minha idéia", ela ainda me agradeceu em uma reunião de pais.

Apesar da idéia original ter sido de outra professora, eu achei a lista muiiiiito legal!!! E muitos dos livros que minha amiga me emprestou, estão lá, o que mostra que aquela professora iluminada está fazendo um trabalho maravilhoso com as crianças que têm a sorte de estudar na classe dela!

Feb 24, 2012

Só não lê quem não quer

Eu sempre fui muito interessada em livros e agora, com 3 crianças em fase de alfabetização, meu interesse é em livros infantis.

Aqui em Toronto existe um incentivo muito grande à leitura. A começar pelas bibliotecas públicas que são totalmente gratuitas e você pode levar para casa até 50 itens. Os livros podem ficar com vc por 3 semanas e se ninguém fizer uma reserva por ele, vc pode renovar o empréstimo mais duas vezes e pela internet!!!

Se o livro que vc quer não tem na biblioteca mais perto da sua casa, vc pode fazer um pedido pelo livro: eles trazem o livro para a sua biblioteca e ainda te avisam por e-mail que ele já chegou. Para facilitar ainda mais a sua vida, os livros das bibliotecas de Toronto podem ser entregues em qualquer biblioteca da cidade. Como nós frequentamos as duas que ficam perto de casa, isso facilita muiiiiito a minha vida!!!

Apesar de achar que as livrarias canadenses deixam muito a desejar, vc sempre encontra livros variados com preços bem acessíveis. Mas se comparadas com as livrarias dos EUA, eu acho que os livros novos são muito caros por aqui!!!

 Em compensaçao existem as maravilhosas lojas de roupas e produtos usados onde sempre tem muitos livros e com preços inacreditáveis!!! Uma vez nós fomos a uma delas e eu comprei vários livros infantis por 40 centavos. Mas quando chegamos ao caixa descobrimos que tudo estava com 50% de desconto, ou seja, paguei 20 centavos por cada livro.

Para quem se interessar: Value Village, Salvation Army e Goodwill. Esta lojas tem de tudo, só precisa de um pouco de paciência para encontrar. Eu particularmente não gosto muito de coisas usadas (preconceito bobo meu), mas pra quem não liga, vale a pena perder algumas horinhas dentro delas porque tem muitas coisas boas e algumas bem novinhas. E os livros sempre com preços muito baixos.

Mas voltando ao assunto: nas escolas o incentivo à leitura também é enorme. Uma vez por semana as crianças vão até a biblioteca da escola e trazem um livro para "passar a semana" em casa. Além disso, eles têm aulas de leitura com os livros da biblioteca de classe.

Uma vez por mês, eles recebem um catálogo de 4 páginas da editora Scholastic com alguns livros apropriados para a idade de cada um e com preços mais baixos. Os pais escolhem os livros, anotam o pedido e mandam para a escola com o pagamento. Em 1 ou 2 semanas eles entregam os livros para a criança na propria escola. Como prêmio, para cada livro vendido, a classe recebe um outro livro.

E como as escolas pensam que nós temos dinheiro sobrando, elas também fazem as chamadas  "book fairs" (feiras do livro). Na escola das crianças teve uma na Chapters, que é uma grande livraria canadense e esta semana vai ter outra na própria escola. Quando vc compra livros nestas feiras, a escola ganha livros para sua biblioteca.

Aqui em casa, nós vamos às bibliotecas públicas toda semana e eu deixo as crianças pegarem varios livros emprestados. E estamos sempre de olho nas liquidações das livrarias, sempre damos uma olhadinha nas lojas de usados e quando chega o verão, não perdemos uma garage sale porque as crianças crescem e os pais precisam abrir espaço para novos livros.

PS: Este ano está havendo um empenho grande da nova diretora porque a nossa bibliotecaria está querendo melhorar a biblioteca da escola. Eu pretendia ajudar no cadastro dos livros e na mudança para uma sala maior, mas agora sem o Sergio na retaguarda estou meio sem tempo. Mas vou tentar me organizar para dar uma ajudinha.

Feb 21, 2012

Gêmeas com 2 anos de diferença

Eu imagino como deve ser dificil para os pais de gêmeos aguentar as inevitáveis comparações entre as crianças. É impressionante a capacidade que as pessoas têm de fazer comparações quando vêm duas crianças juntas.

E quando as crianças são irmãs, a quantidade de perguntas comparativas aumentam exponencialmente. O povo compara o peso, a altura, a cor do cabelo, o jeito de falar, as roupas que usam... tudo.

Sem querer dizer que comigo é pior, mas dizendo que tenho um agravante, minhas meninas têm entre si quase dois anos de diferença, porém a Luìsa (a caçulinha) já está praticamente da mesma altura que a Helena. Além dos desconhecidos sempre me perguntarem se elas são gêmeas, eu ainda tenho que ouvir os conhecidos dizendo que elas parecem gêmeas, rs.

Sim, é verdade... elas parecem gêmeas porque são praticamente da mesma altura, mas se vc prestar atenção por um minutinho, vc vai perceber que a Helena é mais velha e se comporta como uma criança quase 2 anos mais velha.

Só que estas perguntinhas que pra mim são repetitivas, para elas são extremamente incômodas:

a Helena fica de saco cheio porque tem que ouvir o tempo todo que a irmã mais nova está crescendo mais que ela, que a irmã mais nova come mais que ela, que a irmã mais nova está ficando mocinha antes dela...

e a Luisa fica incomodada porque todo mundo mostra como a irmã "gêmea" dela é madura, lê bem, fala bem, tem mais equilíbrio, tem mais coordenação, tem a letra mais bonita, desenha melhor...

A Helena fica preocupada porque quer crescer bastante e a Luísa preocupada porque a Helena sabe mais. E eu tenho que sacrificar momentos que seriam gastos brincando para explicar às duas que elas são apenas duas pessoas completamente diferentes e que uma não precisa ser igual à outra.

Feb 20, 2012

Crianças bilingues

Acho que o maior desafio que tivemos aqui no Canadá foi inserir nossos filhos na cultura canadense sem deixa-los perder a lingua e a cultura brasileiras. No início parecia fácil, porque tanto o Eduardo quanto a Helena já falavam português quando chegaram, mas quando a Luisa começou a soltar a voz, eu percebi que meu trabalho seria árduo e longo!!!

Neste post aqui eu estava desesperada e pouco tempo depois a Luisa começou gaguejar, principalmente quando tentava falar portugues. Até agora eu  não sei ao certo o que eu fiz, mas o fato é que aos poucos todo mundo foi pegando fluência nas duas linguas e conseguindo passar de uma pra outra com tranquilidade.

É claro que eles têm algumas preferências: para falar entre eles, o inglês é mais facil e para assistir filmes, eles gostam de ver em português. Música tanto faz, eles gostam de qualquer coisa, até de lixo, rs rs rs rs.

Uma coisa que eu percebi foi que no inicio, o Edu e a Helena sempre pediam que eu falasse em português com eles: hj eles aceitam qualquer dos dois idiomas. E tem coisas que infelizmente é mais facil falar em ingles.

Outra escolha que nós fizemos foi não tentar ensinar as crianças a ler e escrever em português por enquanto. Para o Eduardo estava muito confuso levar as duas linguas ao mesmo tempo. De repente ele teve que aprender a falar, ouvir, ler e escrever em uma lingua diferente da dele e nós achamos que talvez fosse complicar muito as coisas, ele ainda ter que aprender a ler e escrever em portugues.

Hoje, eu não sei se fiz bem ou não, mas percebo que de qualquer forma o Eduardo tem muita facilidade para ler em portugues. É claro que ele usa a lógica da lingua inglesa e algumas palavras acabam sendo pronunciadas como em inglês, mas em seguida ele repete a palavra sem sotaque.

Com as meninas parece que o fato de falar as duas linguas, tornou o aprendizado da leitura e escrita mais facil. As meninas que hoje estão mais ou menos na mesma fase que o Eduardo estava quando chegamos,  tèm muito mais facilidade para a leitura e a escrita do que o Eduardo tinha. Elas conseguem mais facilmente entender que "bê" e "bi" são a mesma letra faladas em linguas diferentes. Com elas me preocupo menos em relação a isso e deixo "a coisa correr mais solta".

Por aqui existem varios estudos relacionados à aquisição de duas ou mais linguas simultaneamente. Esta reportagem aqui afirma que crianças bilingues apresentam um melhor desenvolvimento cognitivo do que crianças que falam apenas o ingles.

Seja como for, eu acho muito importante meus filhos falarem português! Primeiro porque eles são brasileiros e temos muitos familiares e amigos que não falam ingles. Alem disso, é muito mais facil se aprender uma lingua quando criança do que depois de adulto: se eles têm a chance da falar duas linguas fluentemente e sem sotaque, porque desperdiçar?? Também acho a nossa lingua muito linda, muito rica, melódica, poética. E cultura e conhecimento nunca são demais: o máximo que pode acontecer é eles não usarem pra nada, o que eu duvido muito que aconteça.

Feb 16, 2012

Ikea: paixão internacional

Será que exite vida fora do Brasil sem IKEA???

Eu vim conhecer esta loja de moveis e decoração aqui no Canadá. Logo que chegamos por aqui e tivemos que mobiliar nosso primeiro apartamento fomos para a IKEA. Me lembro como se fosse hj, eu seguindo as setas do chão e achando tudo horrivel.

Saí de lá super desanimada e sem comprar uma única agulha. Fomos então visitar outras lojas de moveis e eu descobri que a IKEA não era tão feia assim e que os preços eram os mais proximos daquilo que eu podia pagar naquele momento.

E foi lá que nosso primeiro cantinho foi mobiliado e continua sendo lá que compro a maioria dos moveis da minha casa. Acho que os moveis da IKEA são mais leves, mais alegres e deixam os ambientes com um ar mais aconchegante. Eu ainda insisto em visitar outras lojas, mas geralmente acabo voltando para comprar na IKEA.

O engraçado é que os moveis não mudam muito: de vez em quando aparece alguma novidade na loja, mas geralmente é sempre a mesma coisa. O que muda é a nossa necessidade ou as idéias que surgem.

Eu adoro decoração e adoro ver blogs sobre decoração ou trabalhos manuais. Estou sempre procurando por estes assuntos e tentando aprender algo novo, tentando ter ideias para mudar a casa e já percebi que tanto na américa do norte como na europa, todo mundo compra na IKEA.

Vira e mexe eu vejo os moveis que eu tenho aqui em casa fazendo parte da decoração da casa de alguem. E é super legal porque vivo tendo idéias interessantes com coisas que já tenho em casa.

Feb 15, 2012

Pedestre canadense

O pedestre canadense acredita piamente que todos os motoristas estão atentos 100% do tempo e para provar que estão certos eles simplesmente pulam na frente dos carros quando vc menos espera.

Aquele negócio que a gente ensina pra criança brasileira de ficar "olhando para os dois lados" antes de atravessar, por aqui não existe. Os caras andam nas ruas lendo, ouvindo música, conversando com os amigos e fazem da faixa de pedestre uma extensão da calçada. Bastou ver que o farol está aberto para eles passarem, eles vão e o motorista que preste atençao.

Tudo seria muito simples se fosse como no Brasil que no farol vermelhor ninguem pode passar!!! Só que no Canadá vc pode fazer a conversão à direita, mesmo com o farol fechado, basta ver se não vem carro e se não tem nenhum pedestre atravessando. E tb podemos fazer a conversão à esquerda se não vem carro na direção contrária e não tenha nenhum pedestre atravessando!!!

Por mais que vc preste atenção, as vezes os pedestres simplesmente aparecem do nada, as vezes estão indo e resolvem voltar e qd vc vê, aparece aquela figura distraída na sua frente que se for atropelada nem vai entender o que aconteceu!!!

Outra coisa perigosíssima por aqui é o pessoal que pratica exercícios (corrida e caminhada) pelas ruas. Não basta para eles fazer seus exercícios, parece que eles precisam mostrar que estão se exercitando e claro, correm e caminham no meio fio. Tem uma rua aqui perto de casa que é a paixão dos atletas da vizinhança. De um tem um Campo de Golfe e do outro lado tem o Centennial Park. Este parque é enorme e tem lugares lindos, seguros e apropriados para se caminhar ou correr, mas infelizmente os nossos atletas preferem o agito da cidade, o barulho dos motores e o risco de ser atropelado na próxima curva.

Eles correm do lado direito da pista, do lado esquerdo, na direção do fluxo de carros, na direção contrária, enfim, vc nunca sabe onde pode aparecer uma pessoa. As vezes eu tenho vontade de parar o carro e ir bater um papo com o "atleta", as vezes tenho vontade só de xingar e as vezes eu buzino porque acho desaforo.

Há quem diga que as pessoas não tomam muito cuidado porque se forem atropeladas têm a chance de ganhar uma indenização milionária. Eu não consigo acreditar nisso: não entra na minha cabeça que alguem coloque a vida em risco deste jeito só por causa de dinheiro.

Mas na dúvida, eu tenho tomado cada dia mais cuidado com este pessoal que caminha pelas ruas de Toronto.

Feb 13, 2012

Valentine's Day

O Valentine's Day é comparado ao dia dos namorados aqui no Canadá, mas na verdade é mais do que isso: é um dia onde as pessoas declaram seu carinho, sua amizade, seu amor às pessoas de quem gostam.

Nunca tive namorado por aqui, rs, então a experiência que tenho no Valentine's Day é a da escola das crianças. Neste dia e alguns dias antes também, as crianças entregam para os amigos cartões ou pequenos saquinhos com agradinhos dentro: lápis, borracha, figurinhas, adesivos, balinhas.

Normalmente eles levam para a classe inteira e para um ou outro amigo de outra classe.

O que eu acho o máximo é que não existe aqueles preconceitos de que menino não dá cartãozinho pra menino, rs. Aqui, macho que é macho manda cartão com corações para o amigo e os maiorzinhos escrevem o quanto gostam daquela amizade.

Eu sempre mando apenas cartõeszinhos para os colegas de classe, mas como este ano estou sem fazer nada, resolvi comprar uns presentinhos também. As crianças adoram este dia e ficam super felizes de ganhar e dar presentinhos para os amigos.

Happy Valentine's Day para todos vcs.

Meu jeito de usar roupa de inverno

Pouco antes de vir para o Canadá eu lia qualquer coisa que estivesse relacionada com roupas de inverno e confesso que ficava muito preocupada em como seria. Cada um fala uma coisa, tem suas proprias dicas e no final de algum tempo, eu fiquei sem saber exatamente qual a melhor maneira de se agasalhar por aqui.

A grande verdade é que não existem regras rígidas e tudo depende da temperatura, de onde vc vai, quanto tempo vai ficar exposto ao frio.

No inicio, eu seguia a regrinha das camadas: principalmente pensando nas crianças, eu colocava uma camiseta de manga comprida, meia calça nas meninas (long John para o Edu), calça comprida de preferencia forrada, moleton, calça de neve, casaco de neve, touca, luvas, protetor de pescoço e saía com meus bonequinhos de pano.

O trabalho para se vestir era enooooorme e depois de vestidos não podiam ficar muito tempo esperando dentro de casa porque senao todo mundo começava suar em bicas, rs. E todo este trabalho era jogado no lixo 15 minutos depois. quando eles chegavam na escola, ou no shopping, no restaurante ou qualquer outro lugar fechado onde tinham que tirar quase tudo. O mais triste é que as roupas de neve se tira facilmente, assim como as luvas, protetor de pescoço, touca... mas e as calças forradas com meia calça por baixo???? E ficar carregando toda esta parafernalha pelo shopping??? Eu sempre levava um carrinho de bebê só pra colocar as roupas que eles tiravam, rs.

Com o tempo fomos otimizando a preparação para sair de casa e hj o trabalho diminuiu pela metade. Quando vamos para qualquer lugar fechado (escola, restaurantes, esportes...) e a temperatura esteja maior que -5 eu não super agasalho ninguém. Não vale a pena encher todo mundo de roupas se vamos ficar poucos minutos do lado de fora.

O primeiro habito que nós criamos aqui foi o de olhar o termômetro externo que eu tenho na janela da cozinha e ver a  previsão do tempo para o dia. Assim temos uma idéia se lá fora está muito frio, se tem previsão de neve, chuva ou sol e uma idéia do vento (que influencia muito a temperatura por aqui).

Ver a previsão do tempo virou quase um vicio e a tela inicial da minha internet é o site do Weather Channel. Assim, tendo uma idéia de como está o tempo lá fora, nós nos preparamos para sair.

- O casaco de neve e as botas de inverno são uniforme obrigatório. As crianças colocam todos os dias não importa para onde a gente vá. As botas já ficam perto da porta e praticamente vão sozinhas para o carro, rs.

- Vesti-los em camadas eu desisti faz tempo. Normalmente as meninas saem de camiseta (com ou sem manga comprida) direto embaixo do casaco e usam calça jeans ou meia calça de lã com saia ou vestido. O Edu usa calça jeans ou moleton e vai só de camiseta embaixo do casaco.

Calça forrada eu não compro mais porque são muito quentes e eles não gostam. Também não compro mais um monte de blusas, moletons e casacos. Nos anos anteriores eu doei tudo novinho porque não usaram e perderam.

Eles costumam ter 2 casacos de neve que são realmente quentes (um do ano anterior) e este ano estão com 2 calças de neve e acho que não precisa de mais, principalmente porque estas roupas não vao servir mais no proximo inverno.

- Touca e luvas são sempre importantes, especialmente porque aqui venta muito e faz a sensação térmica diminuir demais. Eu gosto de umas toucas que cobrem as orelhas e que normalmente são forradas e para as luvas eu prefiro o que eles chamam de mittens (são luvinhas sem dedos, como se fossem uma meia que ajudam a manter a mão mais quentinha por causa do contato entre os dedinhos).

Mas existem varios tipos de luvas e dá pra brincar bastante. Eu tb gosto de umas luvas que só cobrem até metade dos dedos, o que facilita muito para dirigir, segurar coisas, destrancar portas. E quando sentir frio, elas têm uma capinha para proteger os dedos.

Para o dia a dia eu uso luvinhas de lã fininha mesmo que já são suficientes. E com a neve eu troco as luvinhas de lã por luvas impermeáveis porque senão volta todo mundo com a mão congelada, rs.

Na maioria dos dias de inverno é assim que eles saem de casa. Quando neva eu coloco as calças de neve, não tanto pelo frio, mas porque é impossivel resistir àquela coisa branquinha chamando... Se não coloca a calça de neve, eles voltam com a calça toda molhada.

Apesar de não usarem a calça de neve sempre, eu gosto de deixa-las no carro para alguma emergência, uma mudança de planos e costumo mandar para a escola quando tem previsão de muito frio ou neve no final do dia.

Nos dias realmente frios, com temperatura abaixo dos 10 graus negativos eu coloco um moleton embaixo do casaco. As vezes, quando o vento está muito forte eu coloco o protetor de pescoço, mas geralmente eles reclamam.

Vestidos assim, a gente vai em qualquer lugar e eu só preciso carregar os casacos, luvas e toucas ( as ultimas eu coloco nos bolsos do casaco pra facilitar e nao perder, rs.).

Agora, quando o passeio é outdoor (externo), aí sim eles usam tudo o que temos para o frio. As luvas são mais quentes e impermeáveis, as meias são mais grossas e todo mundo de calça comprida e meia calça de lã, protetor para o pescoço e casaco fechado até em cima... enfim, o corpo mais coberto possivel.

Até eu tenho minha calça de neve que uso quando vou limpar a neve da garagem ou quando vamos fazer "skibunda" (descer os morros cobertos de neve com uma prancha). Aqui bem pertinho de casa tem um lugar super legal para fazer isso e as crianças amam!!!

Este ano está todo mundo super decepcionado porque não está nevando. Apesar do trabalho, inverno sem neve é muito decepcionante!!!! Eu amo a branquinha!!!

Este é o Edu preparado para tirar a neve!!!

Feb 10, 2012

Aluno nota 10

Hoje eu convidei varios amiguinhos do Eduardo para virem aqui em casa depois da escola. Quando cheguei para pega-los, um deles veio e disse que talvez não possa vir porque não foi bem no ditado que eles fazem toda sexta feira.

Ele acertou só 7 em 10 palavras.

Sei lá, opinião minha: mas nunca deixo o Edu de castigo por não ter ido bem na prova. Na verdade acho que castigo por causa da escola nao dá certo. A nota baixa já o deixa bastante chateado e eu acho que é castigo suficiente.

Agora se ele fica enrolando para fazer a lição de casa, ele fica sem brincar porque ele sabe que primeiro tem que fazer a lição. Outras vezes, ele leva a lição sem fazer porque ficou com má vontade: pra ele isso é um castigo enorme porque ele detesta decepcionar a professora. Ainda mais porque eu disse que a professora larga o filho dela em um daycare para ir para a escola dele ensina-lo. Ele morre de peso na consciencia.

Agora não poder brincar numa sexta feira porque tirou nota 7 no ditado, eu acho exagero!!!

E vcs, o que acham?

Bruno Mars

Quem?????? Pois é... Minha prima Vanessa linda e tudo-de-bom trabalha em uma revista de casamentos e colocou um link de um casamento da revista no Facebook dela. Eu, curiosa e apaixonada por casamentos fui ver o video e estava tocando a música aí de baixo.

A Helena se apaixounou pela música e pelo jeito também é chegada em casamentos: ai meu deus!!!!!

Agora a gente ouve a música sempre pelo youtube em varios videos diferentes e ela ama!!!

Esta semana estávamos vendo um video e ela pergunta:

- Mamãe, quando este moço vier cantar no Canadá, a gente pode ir ver????

- Não sei, mas em nome do meu amor incondicional e da minha promessa de te dar liberdade, vou pesquisar a respeito!!!

Ta bom, eu não disse isso!!! Eu disse:

- Não sei se vc pode ir, mas se puder, eu te levo!!!

Feb 9, 2012

Gentileza gera gente folgada

Eu sei que o mundo está precisando de mais gentileza, mais gente educada, mais simpatia e eu vivo tentando fazer a minha parte. O problema é que algumas pessoas confundem esta gentileza toda com oportunidade para se aproveitar.

A mãe de um dos amiguinhos do Edu é assim. Ela é super gentil e eu gosto muito dela e do menino, mas as vezes ela me irrita.

A semana passada ela convidou as crianças dela para virem aqui em casa no sábado. Eu acho esquisito vc sugerir um "playdate" (é como eles chamam estas visitas das crianças na sua casa) na casa do outro. Sempre que quero fazer alguma coisa para as crianças brincarem juntas, eu convido para virem aqui em casa. Mas como eu não tinha nada programado, nem liguei e o amiguinho do Edu veio e trouxe a irmã a tira-colo. Apesar da menina estudar na classe da Helena, elas não são lá muito amigas, mas acabaram brincando um pouco juntas.

Eu só sei que estas crianças chegaram as 12 para o almoço e as 5:30 a mãe me liga para perguntar se eu queria que ela fosse buscar as crianças, porque ela estava fazendo umas comprinhas, bla bla bla...

Como o jantar já estava pronto e nós iamos ficar em casa mesmo, eu falei pra ela que viesse quando terminasse e não precisava se preocupar. Ela apareceu as 7 da noite, rs. Mas não estou reclamando, porque as crianças se divertiram e tudo deu certo.

Só que ela ficou com "peso na consciência" e disse: "na sexta as suas crianças vão lá em casa pra vc ter um descanso!!!"

A tonta aqui ficou toda animada!!! Na sexta foi PA day (é uma espécie de reunião de professores) e não tem aula. O aniversário da Helena era no sábado e seria muito bom eu ter o dia livre para organizar tudo sem as crianças, sem horario de refeição, estas coisas.

Quando chegou na quinta feira, nós nos encontramos na escola de manhã e a mãe vem confirmar o playdate: "Então está combinado para amanhã, né? A que horas vc quer que eu leve as crianças na sua casa?"

Eu fiquei olhando pra cara dela sem reação, juro!!! Eu não sabia se me fingia de tonta, se xingava, se chorava ou saia correndo.

Falei que ela podia trazer á 1 da tarde, após o almoço. E, como é de praxe, entrei no carro e vim chorando pra casa!!!! Chorei feito louca: de raiva e daquele sentimento de ter sido feita de idiota!!! Fiquei me xingando pela falta de sensibilidade dela em me mandar mais duas crianças no único dia que eu tinha para organizar o aniversário da Helena, acordar mais tarde, ficar de bobeira se quisesse.

Cheguei em casa com os olhos inchados e um monte de coisa engasgada que despejei em cima do Sergio, rs rs rs. Mandei um e-mail para ele contando tudo o que tinha acontecido e com isso fui me acalmando e decidi que não podia admitir uma coisa destas.

Quando fui buscar o Eduardo no final da tarde, conversei com ela novamente e expliquei que eu tinha mil coisas pra fazer para o niver da Helena e que não poderia receber os filhos dela. Ela entendeu perfeitamente, mas nem sequer pensou em convidar as crianças para ficarem na casa dela enquanto eu resolvia tudo.

Pois bem, fiz tudo com minhas crianças a tira-colo e até que foi bem divertido. Eles me ajudaram muito e no final do dia tudo estava pronto e fomos super alegres esperar o papai no aeroporto.

E agora eu acho que aprendi a lição: playdate na minha casa, só quando eu convido. Quem sugerir o playdate que leve as crianças pra casa!!!

Feb 8, 2012

O dilema das sacolinhas plásticas

Eu tenho acompanhado pelo Facebook a indignação dos paulistanos por causa dessa lei da sacolinha plástica de supermercado e confesso que ainda estou indecisa se apoio ou não.
Aqui em Toronto uma lei parecida entrou em vigor em 2009. Por aqui, todo o comércio tem que vender as sacolinhas plásticas pelo valor de 5 centavos de dolar. No caixa, sempre se pergunta se vc precisa de sacolinha e quantas vai querer. Na maioria das lojas vc pode comprar as ecobags super coloridas, grandonas e que ironicamente foram produzidas na China (um país totalmente orientado para resolver os problemas de poluição do planeta!!! oi?).

Eu comprei em uma rede de supermercados aqui umas caixas plásticas com alças que são super práticas para carregar as compras, mas como são meio espaçosas eu as deixo sempre no porta-malas do carro e levo minhas compras soltas no carrinho. Outra opção super legal são as caixas de papelão que ficam em frente aos caixas nos supermercados No frills. Meu problema com as caixas de papelão é que meu latão de recicláveis está sempre lotado e estas caixas ficam semanas na minha garagem esperando um espaço vazio para serem descartadas, rs.

Logo que esta lei entrou em vigor por aqui, eu confesso que fiquei bem irritada. Muitas vezes nós rodávamos alguns km a mais só pra ir fazer compras na cidade vizinha onde as sacolinhas ainda são de graça. Mas com o tempo nós nos acostumamos tanto com a nova "ordem" que hj eu até dispenso sacolas plásticas quando vou para Mississauga.

Mas aqui em Toronto as coisas são um pouco diferentes: estas sacolinhas na verdade acabavam virando um problema em casa. Nós íamos ao supermercado, pegávamos um monte de sacolinhas e íamos acumulando em uma gaveta. De vez em quando colocávamos algumas dezenas em uma sacola só e colocávamos no lixo: assim, novinhas e tendo sido usadas apenas uma vez.

O desperdício é tão grande que as vezes as pessoas colocam um ou dois itens dentro da sacola porque eles são diferentes do resto da compra. E ainda hj, com a venda exigida, ainda acumulo sacolinhas plásticas que acabo pegando em Mississauga ou comprando em situações inesperadas.

Há quem diga que estas sacola não levam anos para serem degradadas e eu não tenho como provar que levam, mas ainda assim, são milhões de sacolinhas sendo jogadas no lixo sem nenhuma outra utilidade e sem necessidade. Se eu posso carregar minha bolsa para onde vou, porque é tão complicado carregar uma sacola de pano?

Ok, no Brasil talvez as coisas sejam um pouco mais complicadas porque muita gente atualmente usa essas sacolinhas de supermercado para acondicionar o lixo. Com a nova lei, estas pessoas vão ter que comprar sacos de lixo. O que vai surgir dessa história não se sabe, mas o brasileiro vai dar o seu jeitinho!!!

O fato é que as pessoas por si só não vão mudar seus hábitos: pelo menos não a maioria das pessoa!!!! Para se gerar mudanças infelizmente as coisas têm que começar por algum lugar e pode ser que as sacolinhas de supermercado sejam este começo.

O que me decepciona um pouco no Brasil é que todo brasileiro sonha em ver o Brasil no primeiro mundo, mas ninguem quer pagar o preço que o primeiro mundo paga. É tudo muito lindo, muito chique, muito melhor, mas no Canadá todo mundo é um pouco responsável pela riqueza do país.

Os impostos são altíssimos, a gente paga taxa de lixo, é obrigado a separar o lixo senão corre o risco do lixeiro não levar e não temos a menor chance de lei que não pega.

Por mais que eu concorde que é irritante saber que alguem está ganhando muito com esta história, eu também fico pensando em quanto o país vai ganhar. Será que mudar este pequeno hábito (de pegar um monte de sacolinhas no supermercado só porque é supostamente gratuita) e fazer um sacrifício mínimo não vai de alguma forma mudar alguma coisa para melhor?

Eu acho que sim!!! Hj, quando pego sacolinhas plásticas sinto até um certo peso na consciência. E não é pelos 5 cents que tenho que pagar, mas por saber que ela vai ajudar a encher o meu lixo.

E vira e mexe tem uma fulana com calcinha, tabua de carne, esmalte e outras coisas na mão, só pra não pagar 5 centavos, rs.

Feb 7, 2012

A dificil arte de viver com segurança em um país seguro

Todo brasileiro acha o Canadá seguro: claro, vindo de um país como o Brasil o Canadá é realmente super seguro. Mas a natureza humana não muda de um lugar para outro, então se os assaltos, roubos, assassinatos, sequestros e coisas assim não são comuns por aqui, os bandidos acabam procurando outra forma de colocar em uso a sua má índole.

Um crime muito comum por aqui, por incrível que pareça, são os crimes de estelionato. E como tem muiiiiito imigrante, muita gente que não fala direito a lingua e a gente tende a acreditar que o "canadense" é super bacana, os estelionatários atacam de varios jeitos.

Por exemplo: bate o cara na sua porta com um uniforme (quem conhece os uniformes oficiais, né?, uma pastinha, alguns papeis, canetinha na mão e despeja um discurso alarmante sobre os perigos de um tanque de água quente sem os novos selos de segurança.

É difícil não deixar a pessoa entrar na sua casa e verificar se está tudo certo com o seu equipamento. Na primeira casa que eu morei aqui, aconteceu varias vezes. Por sorte, logo na primeira vez o Sergio achou melhor perguntar para o dono da casa primeiro. O "técnico" ficou muito bravo porque o Sergio estava colocando a nossa familia em risco, vejam só!!!

Quando ligamos para o dono da casa ele nos alertou sobre este golpe: o cara vem para verificar o tanque de água quente e, logicamente, sempre encontra algum problema. E nesta conversinha geralmente super simpática, alarmante e rapidinha eles te fazem assinar um contrato de aluguel de tanque de água quente com a empresa deles.

Depois de assinado o contrato, vem a dor de cabeça para desfazer o mal entendido.

Este golpe é tão comum que o governo de Ontario tem até um alerta no site da província falando sobre o assunto. Teoricamente as pessoas assinam o contrato porque acham que a nova empresa tem mais vantagens que a antiga, mas no fundo, muita gente assina sem nem imaginar que está trocando de empresa.

Gente pedindo dinheiro também é muito comum: desde que o religiosos vendendo revista, até estudantes arrecadando dinheiro para gincanas da escola, tem de tudo um pouco. Até já tentaram me vender livros educativos e foi dificil convencer o rapazinho que eu não estava interessada.

O telefone também não pára de tocar por aqui e por isso eu aconselho um identificados de chamadas. Normalmente eu não atendo telefonemas que venham como "Private". Só quando estou esperando alguem ligar mesmo ou se estou de bom humor, rs. Ligações de longa distância sem o nome da pessoa tb não costumo atender e quando atendo o telefone e o cara pergunta se sou a Mrs. Barbosa eu já vou logo perguntando se ele está me oferecendo alguma coisa, rs...

Com exceção da escola das crianças, em nenhum outro lugar as pessoas me chamam de Mrs. Barbosa. Quando estou bem humorada eu pergunto o primeiro nome do meu marido: normalmente eles pegam o nome na lista e aqui só aparece a inicial do primeiro nome e o sobrenome. Como eles não sabem se é mulher ou homem, eles chutam, dependendo da voz que atende.

Para tentar diminuir estas ligações exite o National Do Not Call List (DNCL) onde vc cadastra o seu número de telefone fixo ou celular e teoricamente o pessoal do telemarketing não vai te ligar.

Muita gente por aqui sequer abre a porta quando a campainha toca. Também é um bom jeito de se proteger destes "ataques". Eu sempre abro a porta pra todo mundo e tenho uma certa dificuldade de mandar a pessoa embora, mas tenho por principio não comprar nada que venha até mim sem eu pedir e tb não deixo ninguem entrar.

Esta semana a campainha tocou e quando abri a porta tinha uma mocinha sorridente: ela estava passando e viu que a porta do meu carro estava aberta e estava nevando!!! Já pensou se eu tivesse decidido não abrir a porta para estranhos???

Feb 6, 2012

Uma população em crescimento acelerado

Quando estava no Brasil as pessoas não cansavam de se admirar por eu ter 3 filhos. Nesta admiração, muitas pessoas chegaram a ser rudes dando a entender que minha mãe é quem ia sofrer para cuidar das crianças ou insinuavam que eu estava condenando os três a poucas possibilidades já que as coisas no Brasil são caras.

Eu acho que nunca dei uma resposta mal educada porque demorava pra entender o que as pessoas queriam dizer, rs.

Mas a verdade é que eu encontrei o meu lugar no mundo!!! Não sei se isso acontece em todo Canada: nem sei se acontece em toda cidade de Toronto, mas este bairro onde eu moro está em franco crescimento populacional.

Na escola das crianças os filhos únicos são raros: todo mundo tem irmão ou irmã na escola ou se preparando para entrar. 3 filhos é lugar comum e 3 amigas minhas me deixaram pra trás e já estão na casa dos 4 filhos. E as escadinhas têm degraus bem menores que a minha, rs.

O interessante é que quanto mais filhos, parece que mais ativas são as mães. A mulherada anda com a criançada pra cima e pra baixo e a gente vive se esbarrando em aulas de natação, bale, patinação, supermercado.

Os "pestinhas" se encontram e fazem o maior escândalo, como se não se vissem há meses e eu me sinto super em sintonia com os "locais", rs.

A diretora da escola é quem fica super animada. Hoje eu estava conversando com uma das mães grávidas e a diretora passa, ouve a conversa e diz:

- Eu dou o maior apoio para vcs terem muitos filhos e encherem a nossa escola!

E ela tem que nos agradar muito, porque quando uma mãe resolve mudar de escola ja leva quase 2% dos alunos embora.

Feb 4, 2012

Histórias que se criam

O ano começou e o carro do Sergio não fica mais na frente de casa. Um belo dia o vizinho me vê colocando duas malas enormes dentro do carro e sair. Horas mais tarde eu chego em casa e o mesmo vizinho me vê tirando compras do porta-malas (as malas tb sumiram). E então eu começo colocar o lixo, tirar a neve sozinha e sair pra cima e pra baixo com as crianças a tira-colo.

Sim: definitivamente ela está sozinha na casa!!!

Eu contei para 2 vizinhos sobre o Sergio e imagino que eles contaram para metade da rua, rs, mas a outra metade ainda não sabe e tb não consegue esconder a curiosidade. Eles me olham, cumprimentam, falam do inverno maravilhoso, mas não têm coragem de perguntar. E eu de maldade tb não conto!!!

PS: as malas eram de um amigo nosso que foi para o Brasil. Qd ele voltou eu fui levar na casa dele. Nem pensar em trazer homens pra casa quando o Sergio está viajando!!!

Feb 3, 2012

12 coisas que tornaram 2011 um ano memorável!

Este post foi escrito há tanto tempo, que quase perdeu o sentido, mas como este blog é uma espécie de arquivo pessoal, vou publicá-lo só agora!!!

Não posso negar que nós fechamos o ano de 2011 com chave de ouro. Apesar dos pesares, o último mês do ano foi de muita comemoração e esperança aqui em casa. Mas este ano já estava sendo um ano muito bom para mim e eu vou tentar listar 12 coisas boas que nos aconteceram nele.

  1. A presença da Luisa Elena aqui em casa foi muito bom para todos nós. É bem verdade que ela chegou aqui em agosto de 2010, mas tivemos a sua companhia por 6 meses neste ano e foi maravilhoso. Nós sempre nos lembramos dela com carinho e guardamos esta experiência com muita alegria. Não vejo a hora de reencontra-la para colocar as fofocas em dia.
  2. Depois que meu pé melhorou (lembra que eu quebrei o dedo no inicio de dezembro de 2010?), eu fui patinar pela primeira vez na minha vida. No início eu achei que jamais conseguiria ficar em pé sobre os patins, mas contrariando minhas expectativas eu consegui e só cai uma vez. Estou super animada para tentar de novo em 2012 e talvez até fazer algumas aulas de patinação.
  3. Neste ano eu tambem entrei para os enta: completei 40 anos em janeiro. Esta é uma idade estranha porque como diz meu marido, a partir dos 40 é como se comessássemos a descer a ladeira. Mas eu me sinto super bem e feliz. Não tive crises ou medos. Ao contrário, estou em uma fase muito boa da minha vida e a minha idade não atrapalha em nada. Sem contar que me sinto muito mais jovem hj do que há 20 anos atrás.
  4. E neste ano eu tb consegui me sentir muito mais à vontade para conversar e me comunicar em inglês. Até então, eu sempre evitava fazer ligações telefonicas, ficava só ouvindo e sorrindo quando estava em uma rodinha e muitas vezes fugia das pessoas com medo de ter que falar. Não sei muito bem como aconteceu mas de repente eu me vi com a mão levantada, pedindo a palavra no meio de uma reunião de pais na escola. Falei e me fiz entender. Hoje, nem penso no inglês quando tenho que fazer alguma coisa, pedir uma informação ou ir cumprimentar um vizinho.
  5. A nossa socialização também mudou muito em 2011. Não que nós estivéssemos sozinhos até agora, mas no fundo, nós só tinhamos amigos brasileiros. Eu conhecia muitas mães, mas nosso relacionamento era muito superficial, aquele relacionamento de pegar filhos na escola. Agora eu sinto que tenho muitas pessoas de confiança com quem podemos contar, brasileiros e não brasileiros. Além disso, as crianças estão com uma vida social muito intensa, cheias de convites para ir na casa de amigos e sempre recebendo muitas crianças aqui para brincar. E eu me sinto super realizada porque as crianças gostam de vir aqui e muitas delas me perguntam: Mari, posso ir na sua casa?
  6. A ida da Luisa para a escola também foi muito importante. Até então, ela estava muito limitada aos amigos das crianças e alguns amigos brasileiros nossos. E aqui, os pais não têm muita preocupação em agradar todas as crianças. Se a Helena é a amiguinha, o convite é para a Helena e ponto. De certa forma isso é bom porque as crianças precisam ter uma certa individualidade e não precisam ir em todo lugar juntas, mas era muito sofrido para a Luisa ver a Helena toda arrumadinha para um aniversário ou uma tarde na casa da colega e ela ter que ficar em casa. Hoje, ela tem as proprias amigas, as amigas em comum com a Helena e as mesmas oportunidades. Sem contar as 2 horinhas de "solidão" que eu ganhei e que fazem muita diferença.
  7. Este foi um ano pessoalmente especial para mim porque eu aprendi a me preservar. Aprendi a selecionar melhor meus amigos e principalmente proteger mais minha casa e minha familia. Depois de passar por varias situações "complicadas", eu entendi que estava na hora de ser mais cuidadosa. Nem preciso dizer que nossa qualidade de vida melhorou porque ao inves de perder meu tempo com problemas alheios, eu agora uso meu tempo com minha familia. Isso não quer dizer que eu não esteja aberta a ajudar um amigo, mas só me disponho a ajudar quem quer ser ajudado.
  8. Em 2011 nós comemoramos nosso aniversário de 10 anos de casamento. É interessante como o tempo passa e nossa vida muda. Quase nem me lembro como era nossa vida antes das crianças. Passamos 2 anos juntos, só os dois e as vezes a gente não consegue se lembrar de detalhes da casa e da nossa rotina. E conseguimos passar incolumes pela tal crise dos 7 anos que ou não veio ou não conseguimos perceber.
  9. E tivemos Pearl Jam em Toronto: eu não podia perder!!! E foi um show super especial!!! E ao mesmo tempo, foi a primeira vez que as crianças dormiram na casa de alguem sozinhas. Nao é facil deixar os filhos, mesmo confiando totalmente nos anfitriões. Mas foi uma experiencia muito boa para eles e eles se divertiram muito!
  10. O nosso verão foi muito bom: nós fizemos muitas atividades juntos, fomos ás piscinas públicas e parques quase todos os dias ou ficávamos no quintal a tarde inteira. Acho que nunca fiquei tanto tempo do lado de fora de casa. Quando o outono chegou, nós ate ficamos felizes porque estávamos exaustos.
  11. Em dezembro nós organizamos a primeira festa de aniversário com convidados canadenses. Uma coisa é trazer nossos amigos brasileiros para comemorar o aniversario de uma das crianças, outra coisa é fazer festa para 10 crianças canadenses. Foi um aniversário em ingles e eu confesso que estava bem insegura no inicio, mas foi um sucesso e o Edu se divertiu muito.
  12. E claro, o Sergio conseguiu o seu primeiro emprego como engenheiro no Canadá. Nem preciso comentar como isso foi importante, né?

E o ano de 2012 já começou com tudo!!! Parece que vamos ter muita emoção por aqui este ano também!!!

Feb 2, 2012

Peanut free environment (ambiente livre de nuts)

Eu já comentei aqui sobre as alergias a nuts (amendoim e seus parentes) que algumas pessoas têm aqui no Canadá. No início eu achava que era exagero, mas hj eu sei que a coisa é séria mesmo. Na escola das crianças tem uma menina que anda com uma Epipen o tempo, mesmo quando sai da classe pra ir ao banheiro.

Algumas alergias são tão sérias que só do alimento ter sido cortado com uma faça "contaminada" pelos nuts, a pessoa pode ter uma reação alérgica mortal.

Devido a estas alergia, todas as escolas por aqui tomam o maior cuidado com tudo o que se come dentro da escola e desta forma o lanche de todas as crianças tem que ser peanut-free (livre de nuts).

Nos mercados existe uma variedade enorme de bolachas, barrinhas, biscoitinhos que são peanut-free e que vêm com o símbolo ao lado, impresso na embalagem, o que facilita muito a vida da gente na hora de comprar.

E muitos lugares que recebem crianças, como os bufês de festas infantis, são também peanut-free. O local onde fiz a festinha de aniversário da Helena é um exemplo destes lugares. Tudo o que levei para a festa não podia conter nuts.

De qualquer forma, eu teria que fazer uma festa livre dos amendoins e seus familiares porque uma das amigas da Helena é alérgica e a Helena me lembrava disso o tempo todo!!!

O fato é que apesar do número de casos de alergias severas ser grande, não é muito fácil encontrar bolos nut-free que sejam garantidos pelos fabricantes. O que todos os lugares me diziam é que apesar deles não usarem amendoim em seus bolos, eles não podiam garantir que não tenha havido algum tipo de contaminação anterior em algum ingrediente: ou seja, ninguem quer se responsabilizar!!!

Foram dois dias indo de uma doceria a outra, de um supermercado para outro e sempre recebendo a mesma resposta. Só depois de muita gasolina gasta foi que eu descobri que existem locais especializados em alimentos livres de nuts. Por serem especializados, os preços costumam ser bem mais "salgados".

Outra coisa que me disseram nas minhas pesquisas, foi que para garantir que não haja nenhum tipo de contaminação, alguns ingredientes "diferentes" são usados o que altera o sabor dos bolos e que as crianças não gostam muito.

As duas docerias que encontrei aqui perto de casa pediam pelo menos 5 dias para fazer um bolo grande e então desisti e comprei um bolo normal, mas sem nuts. Para me precaver, comprei cupcakes nut-free com garantia!!!

A mãe da menina me tranquilizou em relação ao bolo e eu desesperada vendo a menina comer com o maior gosto!!! Mas no final tudo deu certo!!

Feb 1, 2012

Meu lado mulherzinha

Apesar de ter nascido em uma casa cheia de mulheres (somos 4 irmãs) e eu ser a raspinha de tacho, eu nunca tive o meu lado cor-de-rosa aflorado.

Meu negócio era jeans e camiseta e tudo o que tivesse de mais prático à mão. Ao invés de ler a revista Capricho que a maioria das minhas amigas amavam, eu lia Veja. Na casa de uma das minhas melhores amigas, eu preferia discutir a corrupção do Maluf com o pai dela (malufista), a ficar arrumando o cabelo em frente ao espelho.

Mas, como todo exagero é prejudicial eu me arrependo muito disso, afinal, dava muito bem para falar mal do Maluf com o cabelo arrumado, né?

Eu demorei muito tempo para entender que as coisas podem ser maleáveis e que dá pra fazer de tudo um pouquinho sem se perder na superficialidade. É claro que houve todo um processo de mudança, as coisas foram acontecendo de forma lenta e muitos dos meus preconceitos foram caindo por terra.

Eu que só lia Rachel de Queiroz e Machado de Assis, aprendi a gostar de Sophie Kinsella e entender que não deve ser à toa que o Paulo Coelho faz sucesso no mundo inteiro. Ampliei meu gosto musical e comecei a me divertir com comédias românticas e filmes de princesas. E tudo isso sem precisar abandonar os grandes escritores que eu amava ou me tornar uma pessoa desinformada e fora da realidade.

Claro que minhas filhas me influenciaram muito nestas mudanças, mas eu poderia ter fechado a porta dos contos de fada para elas também. Ao contrário, eu abri este mundo encantado para nós três. Hoje, nós assistimos juntas os filmes das princesas e da Barbie, brincamos de maquiagem, de pintar a unha e eu permito que elas explorem todo este mundo de laços, fitilhos, bolsinhas, sapatos de princesa e roupas cor-de-rosa e purple.

E ainda assim, nesta casa cheia de purpurina, nós conseguimos explorar a Rachel de Queiroz, o Machado de Assis, a política, a corrupção do Maluf (que hj em dia virou coisa de criança mesmo, rs) e todo um mundo de possibilidades.

Definitivamente eu não levo o menor jeito para "mulherzinha-arrumadinha": não tenho paciência nem tempo para isso, mas tento me manter mais alinhada, ser um pouco mais vaidosa e gastar pelo menos alguns minutinhos do meu dia com coisas para mim!!! Tenho tentado sempre passar um lápis nos olhos e um batonzinho de manhã, fazer escova com uma certa frequência e evitado ficar de pijamão em casa o dia inteiro, rs.

Ultimamente, estou sempre pronta pra sair de casa, o que compensa os minutinhos que eu perco de manhã para me trocar. Ainda não consigo ficar horas na frente do guarda roupa escolhendo o que vestir, mas tenho gostado muito desta Mari "ajeitadinha" que eu vejo quando passo pelo espelho!

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!