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Comer é muito bom!

Que eu me lembre, eu nunca fui muito enjoada para comer. Talvez seja porque meu pai não gosta muito de coisas exóticas e minha mãe acabava sempre ficando entre o arroz-feijao-bife-salada ou arroz-feijao-frango-salada.

Mas de vez em quando ela variava e fazia umas coisas diferentes que eu amava como:

- pimentão recheado com carne moida.
- beringela a milanesa com molho de carne moida.
- bife de panela.
- bistequinha bem fritinha.
- carne com batata.
- linguiça com batata.
- sardinha à milanesa.

Tudo sempre acompanhado do arroz branco, feijão carioquinha (porque paulista que é paulista come feijão carioquinha) e salada de alface com tomate, pepino, couve de vez em quando.

Mas como deu pra perceber, carne era todo dia e eu confesso que ainda hj tenho dificuldade em preparar uma refeição sem carne. Sempre acho que está faltando alguma coisa.

O problema da comida da minha mãe é que ela sempre faz também legumes (como cenoura, beterraba, abobrinha, mandioquinha, jiló dentre outros) refogados ou bem cozidinhos e eu nao sei muito bem porque, eu detesto coisas refogadinhas. Aquela consistência meio molenga, que desmancha na boca, pode ser muito gostoso em um chocolate, mas quando se trata de legumes eu detesto. Conclusão: eu sempre acreditei que não gostava de cenoura, beterraba, abobrinha e outros mais...

Acontece que quando me casei eu percebi que quem pilotaria o fogão na minha casa seria eu, mas que o marido apesar de ser um zero à esquerda na cozinha (naquela época, que fique claro!!!), era um grande incentivador à mesa. O Sergio sempre comeu de tudo: qualquer gororoba que eu preparava ele comia e ainda dizia com sinceridade:

- Está bom, está gostoso sim!

Com o tempo eu fui aprendendo a diferenciar o "está bom." do "está bom!" e do "está bom!!!!!!". Mas não me lembro de nenhuma vez ele ter dito que não estava bom ou não ter comido (vc se lembra, Sé???).

E com este incentivador sempre presente, eu comecei me animar na frente do fogão. Eu confesso que tenho uma certa inércia na hora de começar a preparar o jantar, mas assim que acendo a primeira boca do fogão a inspiração aparece e até eu me surpreendo de vez em quando com algumas coisas que eu faço e que quase matam o casal de tanto comer.

Mas o bom de tudo isso, foi que aos poucos, eu fui experimentando receitas novas, vendo outras possibilidades para diferentes vegetais, testando coisas mais saudáveis por causa das crianças e descobri que eu AMO:

- arroz com cenoura.
- salada de beterraba ralada.
- abobrinha fritinha no azeite com alho ou gratinada com queijo.
- espinafre no arroz ou cru (espinafre canadense que é bem mais suave que o brasileiro).

E hj, depois de 11 anos de casada - recem completados e esquecidos :( - eu como praticamente de tudo. É raro o vegetal que eu possa dizer: "esse eu não como de jeito nenhum". Só preciso ainda testar o jiló, que nunca comi e que refogadinho como a minha mãe faz eu não tenho a menor vontade de provar, mas que de repente, em uma receita diferente...

Agora, de tudo o que a minha mãe faz, uma das coisas que eu mais amo é a alcachofra. É engraçado porque muita gente sequer sabe como comer este vegetal que eu acho MARAVILHOSO e que aqui em toronto é caríssimo!!! Mas sempre que eu encontro, eu dou um jeito de comprar e fazer recheada mais ou menos do jeitinho que minha mãe faz. E cada folhinha que eu como me traz uma lembrança maravilhosa da minha infância com minha família em volta da mesa da cozinha (só a alcachofra conseguia fazer todo mundo sentar à mesa, rs) molhando ora uma folhinha ora um pouquinho do recheio no molhinho de vinagre-oleo-sal.

Pra minha tristeza, este é o único prato que faz meu marido incentivador torcer o nariz quando eu sirvo o jantar. A sorte dele é que é dificil de achar, então eu acabo não fazendo muito!!