Sep 30, 2012

Sexta-feira quente

A última sexta-feira começou como um dia animado aqui em casa: levei as crianças na escola, corri até o supermercado, voltei voando para fazer o almoço e após o almoço eu iria na casa de uma amiga. No final da tarde, alguns amiguinhos das crianças viriam aqui para brincar e eu receberia o meu maridinho exausta mas super feliz para mais um final de semana.

Infelizmente (ou talvez felizmente, quem sabe!!!) as coisas não saíram exatamente como eu esperava e mudaram totalmente o meu final de semana!

Para o almoço eu resolvi fazer quibe e enquanto fazia os bolinhos, tive a infeliz idéia de esquentar o óleo para que fosse mais rápido frita-los quando as crianças chegassem para o almoço! O problema é que fui para a escola e esqueci o óleo no fogo! Foram 45 minutos entre ir pegar a Luisa, esperar o Edu e a Helena e chegar em casa.

Já na porta eu ouvi o alarme de incêndio e só neste momento me lembrei da panela. Quando entrei em casa a escuridão era total: a parede de fumaça negra e densa não permitia se enxergasse nada e fui tateando até chegar na cozinha e constatar que o fogo já estava apagado. O barulho do alarme estava infernal e eu fui desesperada procurar pelo Blue, nosso cachorro, que tinha ficado em casa.

Chamei, chamei, gritei, abri a porta da sala para tentar dispersar um pouco a fumaça e o Blue não apareceu. As crianças estavam apavoradas na porta querendo entrar em casa mas com medo da escuridão e então eu sai e fui chamar minha vizinha.

Ela veio comigo, foi abrindo as janelas, desativou os alarmes (tem um em cada andar da casa) e eu desesperada procurando o cachorro naquele fumaceiro. No desespero, ele subiu para os quartos, justamente para onde a fumaça também foi e estava acuadinho no quarto do Eduardo. Quando eu agachei na porta do quarto, ele veio correndo até mim e foi quando eu percebi que a parede de fumaça começava mais ou menos na minha coxa e ia pra cima. Ele estava abaixo da escuridão, mas não sei por quanto tempo ainda aguentaria.

Depois de pegar o cachorro e abrir todas as janelas e portas, nós saímos de casa e fomos para a casa da vizinha, que muito generosamente improvisou um almoço para as crianças. Levei as crianças de volta para a escola e a vizinha ainda ficou com a Luisa e o cachorro. Quando voltei, encontrei a vizinha de botinha e luvinha segurando uma cesta de produtos de limpeza, escada, vassouras... e acompanhada de uma outra vizinha que ela recrutou.

Fomos para minha casa e começamos a limpeza. Primeiro fotografamos tudo (muito importante!!! ) para quando acionar o seguro e então foi que eu comecei a olhar o estrago!!!! O microondas que fica sobre o fogão estava derretido e algumas partes dele tinham escorrido sobre a base de vidro do meu fogão. O vidro da porta do microondas explodiu com o calor e tinha cacos pela cozinha inteira. E tres portas dos meus armários ficaram danificada: graças a deus não pegaram fogo senão o estrago poderia ter sido desastroso.

E assim, nós três passamos a tarde juntando cacos, limpando as paredes, os armários, o chão, as bancadas... a cozinha inteira, do teto ao piso.

Depois da limpeza, minha vizinha ainda levou o Blue para um banho (ele estava cinza!!!) na casa dela e mais tarde levou as crianças para jogarem video game e tomarem um lanche.

O resutado final foi que a minha casa inteira estava coberta de fuligem: eu tive que limpar todas as superfícies que estavam descobertas. Pra se ter uma idéia, hj, domingo, ainda nao terminei de lavar tudo porque tive que lavar todas as roupas: tapetes, cortinas, leçois, toalhas, forros dos sofás, as roupas que eu tinha dobrado de  manhã, roupas que estavam nos armários da meninas e do Edu (esses armários estavam com as portas abertas). Só as roupas do meu closet que não ficaram sujas porque as portas estavam fechadas. Na cozinha, em compensação, mesmo com as portas fechadas, a fuligem conseguiu entrar e eu tive que lavar toda a louça e limpar todos os armários!!!

Mas nem o trabalho, nem o prejuizo foram tão sofridos quanto a sensação de desespero: ficar imaginando o que poderia ter acontecido, ficar pensando no quanto o Blue não deve ter sofrido com toda aquela barulheira, aquela fumaça...

Eu, agora, fico pensando nas minhas reações e não consigo me reconhecer. Eu fiquei como um boneco sendo levado de um lado para o outro, sem conseguir tomar decisões. Se não fossem as minhas vizinhas eu não sei o que teria acontecido porque eu não conseguia pensar, não conseguia fazer nada, eu estava feito uma barata tonta dentro da minha própria casa. Eu nem sei dizer em que momento a ficha caiu, ou se ela realmente já caiu, rs. Parece que tudo não passou de um sonho e eu só tenho certeza que foi verdade porque sempre que entro na minha cozinha, dou de cara com aquele microondas derretido.

Serei eternamente grata a estas duas pessoas (Lorine and Michele) que alem de me ajudarem a limpar a cozinha, ainda tentaram me acalmar, me contaram histórias engraçadas de pipocas no microondas por 30 minutos ou torta de maça colocada no forno com a embalagem de papelão.

Á noite, o marido da Lorine ainda veio aqui ver se precisávamos de alguma coisa, nos trouxe o telefone do marceneiro que fez os nossos armários e hj veio novamente para saber como estávamos.

Eu nem sei como agradecer tanta atenção e generosidade. Tanto cuidado e simpatia. E foi em um momento tão difícil que eu descobri que tenho pelo menos 2 vizinhos com quem eu posso contar e talvez por coincidência, são os únicos canadenses da rua!

Sep 21, 2012

Orgulho de ser brasileiro

Desde que me mudei para o Canadá, eu tive varias oportunidades de sentir vergonha de ser brasileira: seja em histórias que me contam sobre as trapalhadas de brasileiros no exterior, seja por histórias que estrangeiros me contam sobre violências que sofreram em viagem ao Brasil, seja pelo comportamento que eu presencio de alguns brasileiros sem noção que cruzam o meu caminho.

Assim como muitos brasileiros no exterior, eu fico furiosa quando me perguntam se eu falo espanhol, também detesto quando acham que toda brasileira anda pelas ruas sambando de fio dental e acho um saco ter que explicar que no Brasil também tem brancos.

São vários esteriótipos que nos tornam seres quase extraterrestres. As pessoas acham que os brasileiros são exóticos, que vivemos no meio de florestas cercados por macacos e aves multicoloridas. Todo mundo é feliz no Brasil, está sempre sorrindo, dançando e celebrando a vida apesar da extrema popreza em que vivemos!!!

Quando eles conhecem uma familia como a minha, que está um pouco longe da imagem que todo mundo tem de brasileiro, eles ficam muito confusos!!! Confusos porque nós detestamos carnaval, adoramos música americana, não convivemos com muitos brasileiros e levamos uma vida muito parecida com a deles. Meus filhos falam português fluentemente mas não frequentam nenhuma escola de brasileiro, têm amigos de varios países e culturas diferentes e pra ser sincera, conhecem muito pouco da cultura brasileira.

Mas existe uma coisa em nós, brasileiros, que é diferente. Por mais que a gente não se identifique com os esteriótipos, nós temos um jeito de ser tão peculiar que faz as pessoas se sentirem à vontade, elas se soltam, conversam com menos cerimônia, nos contam coisas intimas que nós não contaríamos (pelo menos não os paulistanos, rs) pra qualquer um.

De uma maneira geral, o brasileiro é mais inclusivo: tanto faz a cor do olho, do cabelo, da pele. Tanto faz o carro, a casa e a marca da roupa!!! Todo mundo é interessante para nós e a gente adora conhecer coisas e pessoas diferentes. No exterior, o brasileiro adora experimentar, é curioso, é gentil, sorridente e faz coisas não muito usuais...

Até as crianças percebem que nós somos diferentes, talvez porque a gente trate as crianças com mais proximidade, sem este papo de senhor e senhora (tem mães que obrigam os filhos a me chamarem pelo meu sobrenome!!!). Que nada!!! Eu sou a Mari ou a Mary ou a Maria, mais conhecida como a mãe do Edu, da Helena e da Luisa. Sabe aquela doida que ajoelha no chão pra ficar na altura da criança e conversa, beija e abraça, deixa eles entrarem no carro pra brincar, deixa eles colarem folhas molhadas nos vidros do carro, levanta a molecada para alcançarem as amoras da árvore e quando as mães chamam e os filhos não obedecem, ela vai lá e traz a criança pela mão (e faz sermão no caminho).

E a mãe que luta boxe com os filhos e os amiguinhos!!! Gente, eu faço isso o tempo todo, alem de dar chute no bumbum e apostar corrida até o carro!

No início, algumas mães olham torto, ficam meio desconfiadas, mas depois de um tempo, até elas ameaçam entrar na brincadeira.

Eu acho que o que o brasileiro tem de melhor é a espontaneidade e quando eu parei de me preocupar com os esteriótipos, com o que os outros iam falar, iam pensar, iam achar... deixei pra lá aquele medo de parecer idiota e voltei a ser simplesmente aquele brasileiro comum que tem aos montes no Brasil, eu comecei a achar super legal ser brasileira.


Sep 12, 2012

Cultura: esta coisa dificil de entender

As coisas culturais são realmente dificeis de se entender e aceitar.

Agora com a história do cachorro eu comecei perguntar para minhas amigas como elas fazem para dar banho nos amigos peludos delas. A grande maioria dá banho na banheira mesmo, como qualquer outro membro da família, tanto as brasileiras como as "estrangeiras".

Pra ser honesta eu ainda fico meio desconfortável em imaginar o cachorro dentro da minha banheira, tomando banho, mas com o tempo pode até ser que eu me acostume com a idéia... assim como me acostumei com a idéia de lavar os tenis na máquina de lavar roupas.

Quando cheguei no Canadá, eu continuei lavando os tenis no tanque, com todas as dificuldades inerentes deste processo. Até os tapetinhos da casa eu lavava à mão. Até que um dia vi algumas amigas comentando sobre colocar o tenis na máquina e depois de alguns questionamentos eu resolvi experimentar e definitivamente aderi totalmente ao método, assim como os tapetes começaram a ser lavados na maquina também.

Agora tem algumas coisas que as pessoas fazem por aqui que não entram na minha cabeça:

- Eu já conheci varias pessoas que dão banho no bebê na pia da cozinha!!! Eu acho horrivel está ideia, tanto para o bebê como para os alimentos que serão posteriormente lavados ali.

- Já ouvi dizerem também que a lava-louça é excelente para lavar tenis! Poxa, desculpe, mas se eu depender disso para me adaptar acho que não vou conseguir nunca.

- E então uma amiga foi almoçar na casa de uma familia ucraniana e eles fizeram perugees (é uma especie de pastel que vc pode cozinhar ou assar. Eu adoro!!!! A moça fez os peruges fresquinhos, mas na hora de fechar os pasteizinhos colava as abinhas com saliva!!! Meu estômago embrulha só de imaginar o que minha amiga passou, afinal, teve que comer e ainda dizer que estava uma delicia!!!

- Não tomar banho todos os dias e não trocar de roupa também me incomoda muito. Eu conheço algumas pessoas que usam a mesma roupa todos os dias da semana e só troca no sábado. E as pessoas falam sobre isso com a maior naturalidade do mundo: "eu tenho que dar banho nela quase todo dia porque ela se suja muito" ou " eu queria ter tomado banho ontem mas o dia foi tão corrido que quando vi já estava tarde: vou ver se consigo tomar hj."

E eu fico pensando nas coisas que eu faço e que eles, "os estrangeiros" devem ficar horrorizados!!!

Sep 10, 2012

Eu e minha boca grande

Assim como as pessoas fazem perguntas repetidas e comentários inoportunos, eu tb cometo meus errinhos... muitos por sinal!

Uma das mães de amiguinhas tinha 3 meninas e ficava babando quando me via chegar com o Eduardo. Eu acho que ela babava em todos os meninos da escola e no início deste ano apareceu grávida novamente. Todo mundo acompanhou aquela gravidez de perto e de certa forma torcendo para ela finalmente ter o menino que tanto queria.

Um belo dia, eu conversava animadamente com ela sobre a gravidez e ela estava falando que não queria saber o sexo da criança, que o que importava era a saúde... aquelas coisas que a gente fala quando está grávida.

E então, Marilena faz um daqueles comentários que deveriam vir acompanhados de um buraco no chão:

- Minha mãe TAMBÉM teve 4 meninas!

No momento que eu falei, eu me arrependi, mas já tinha ido!!! Ficamos as duas sem graça e mudamos de assunto.

No final do ano letivo ela se mudou para Mississauga e perdemos contato. Todo mundo vem me perguntar o sexo do bebê como se fôssemos as melhores amigas do mundo e parece que ela perdeu contato com todo mundo na escola.

Hoje, eu finalmente encontrei uma amiga dela e fiquei sabendo que, a exemplo da minha mãe, ela TAMBÉM tem 4 meninas. Eu até vi a foto da bebê no Facebook dela, mas não tive coragem de convida-la para ser minha amiga. Não sei o quanto ela se lembra daquele TAMBÉM mal empregado na nossa conversa.

Sep 6, 2012

São gêmeas?

Essa talvez seja a pergunta que eu mais ouça em qualquer lugar que eu vá!!! A Helena e a Luisa têm 18 meses de diferença entre si, mas a Helena tem um tipo físico mignon e a Luisa é mais encorpada, digamos assim.

Como as duas têm praticamente o mesmo tamanho (a Helena ainda é um pouco maior) todo mundo pergunta se elas são gêmeas.

Talvez por eu conviver muito com as duas, eu consiga perceber a diferença entre elas e é muito nítido pra mim que a Helena é mais velha e mais madura, mas pode ser que para quem somente bateu os olhos nas duas, estas diferenças não fiquem muito claras.

O problema é que as meninas andam incomodadas com isso.

Sempre que as pessoas perguntam se elas são gêmeas em ingles, uma delas repete a pergunta em tom de "saco cheio" em português, rs. As pessoas não percebem, mas eu sei que elas cansaram desta história.

Mas se a resposta negativa finalizasse a conversa, tudo ficaria bem. O problema é que as pessoas continuam no mesmo assunto:

- "Logo, logo a mais nova vai passar a mais velha, né?"

E ainda completam diretamente para a Helena:

- "Vc tem que comer tudo pra ficar forte, senão sua irmazinha vai ficar maior que vc!"

Como se o fato dela comer mais fosse fazer alguma diferença na estrutura dela!!! O máximo que pode acontecer é ela ficar roliça!!! Mas tem certos comentários que são feitos para serem ignorados ou respondidos com um sorriso amarelo (minha especialidade nestas ocasiões).

Sep 5, 2012

Socialização

Com todas as leituras em relação ao cachorrinho que está chegando, eu descobri que a socialização para os animais de estimação é muito importante. Eles precisam entrar em contato com muita gente diferente e tb outros animais para não serem medrosos, inseguros ou agressivos com estranhos.

E de repente me deu um click de que com crianças é exatamente a mesma coisa! Algumas crianças simplesmente são atiradas: o Eduardo e a Luisa são assim. Raramente a Luisa fica intimidada em um ambiente estranho e o Eduardo, nunca. Eles chegam, já começam conversar com as crianças e adultos, se sentem em casa em qualquer ambiente.

Já a Helena... é bem mais reservada. Quando chegamos em um ambiente que ela não conhece, normalmente ela fica perto de mim ou de um dos irmãos. Se alguem fala com ela, ela responde baixinho quase escondendo o rosto e precisa de um tempo para se sentir à vontade.

Mesmo em lugares que ela já conhece, se não vê alguem conhecido de pronto, ela fica receosa: não gosta de ser a primeira a chegar, rs.

O que fiz com ela e consequentemente com os irmãos, foi expor todos eles a muitos ambientes diferentes. Eu fui uma criança tímida e uma adolescente bicho do mato. Muitas pessoas me consideravam metidinha porque eu estava sempre seria, e mal sabiam elas que eu estava na verdade com medo de que alguem viesse conversar comigo. Foi sofrido, mas tão sofrido, que eu luto todos os dias para mudar e mais que isso: luto todos os dias para que meus filhos não passem por todas as situações que passei por causa desta timidez.

Muitas vezes a Helena não queria entrar em uma aula, ou ir para a piscina porque estava com vergonha do professor ou não conhecia ninguem. Todo início para ela era um parto: chorava, me abraçava, dizia que não queria mais ir, pedia pra eu cancelar a matrícula (mesmo sem saber o que isso significava, rs).

Eu nunca cedi: sempre ia com ela até a porta, conversava muito, abraçava, beijava, bla bla bla, mas ela tinha que entrar sozinha. Acho que a única vez que entrei com ela foi em uma aula de balet, que ela me fez entrar e dançar. Mas neste caso eu até a entendo: a professora era uma "estrela" de comerciais de tv aqui do Canada e se mantinha muito distante das crianças. Ainda assim, na segunda aula a Helena teve que entrar sozinha e encarar a estrela!

Hoje eu percebo que ela continua tímida, reservada, ainda precisa de um tempo quando chega em um ambiente novo, mas já não chora mais no primeiro dia e consegue fazer amiguinhos com certa facilidade. Ela adora dançar e cantar e sempre quer plateia (coisas que eu adorava fazer escondida).

Ontem foi o primeiro dia da Helena no grade one: agora ela fica período integral na escola e entra pela porta das "crianças maiores" e não mais com os pequenos. Ela foi toda orgulhosa para o patio com o irmão e nem me pediu para acompanha-la até a escada.

Eu é que fiquei lá em cima, quase chorando de ver a minha menininha virando gente grande e resolvendo as coisas sozinha. Ela chegou, já foi procurar a fila da classe dela, cumprimentou algumas amigas e depois me deu aquele tchau significativo: "vai mamãe... vc está me fazendo pagar o maior mico com esta choradeira."

A Luisa foi quem estranhou! Ela ainda está com os pequenos e ficou encostada na grade olhando a "big sister"!


Sep 4, 2012

A família vai crescer, mas a minha barriga não...

Bom, pelo menos eu espero que a minha barriga não cresça, mesmo comendo feito uma louca!!!

Mas o fato é que minha vidinha anda monótona e sem  muito o que fazer, então nós resolvemos comprar um cachorrinho para movimentar as coisas por aqui!!!

Todo mundo me diz que eu sou louca, mas... eu acho que sou mesmo!!!

Nós iremos busca-lo dia 22 de setembro, com 8 semanas de vida. Enquanto isso, para me matar de ansiedade a dona do canil me manda fotos semanais dos cachorrinhos.

Eu nunca tive cachorro de raça antes: nunca me preocupei com estas coisas e então tudo é novidade pra mim. Mas desta vez nós estudamos muito os prós e contras, fizemos uma pesquisa extensas sobre ter cachorro aqui no Canadá e chegamos à conclusão de que precisávamos de segurança.

Eu quero dizer que:

- Precisamos de um cachorro que seja absolutamente manso e que adore crianças!!! Além das minhas 3 crianças, minha casa sempre tem amiguinhos visitando!!! Sem contar que sempre fazemos caminhadas, vamos aos parques e agora ainda inventamos de começar acampar... enfim, passamos o verão outdoor e é claro que nosso amigo canino vai nos acompanhar para todo lado!

Não quero correr o risco de ter um cachorro que possa morder alguem por aí. Com esta preocupação, nós acabamos escolhendo entre duas raças: Labrador Retriever ou Golden Retriever.

Depois de uma vasta pesquisa e de ler varias vezes os best seller: Labrador Retriever for Dummies e Golden Retriever for Dummies (eu empresto se alguem quiser), chegamos à conclusao de que o Golden era o cachorro ideal para nossa família.

E nas nossas pesquisas, nós descobrimos que esta raça apresenta uma propensao para varias doenças genéticas, então...

- Precisávamos de um cachorro saudável. Para isso tinhamos que encontrar um criador de confiança que nos vendesse um cachorro saudável, que não cruzasse  os cães aleatoriamente. Aliás, este é um grande problema dos pet shops. Os cachorrinhos são cruzados sem o menor cuidado: são praticamente fábricas de cachorrinhos em massa.

O que acaba acontecendo é que cruzam os pais com os filhos, irmãos entre si e acabam provocando o aparecimento de varios tipos de problemas genéticos!

E no caso do Golden isso seria um problema enorme porque estes cães já tem varios problemas genéticos conhecidos. Comprar um cachorro em qualquer lugar poderia nos trazer um enorme sofrimento de ver o cachorro sofrer, e um enorme rombo no nosso orçamento porque tratamento veterinario aqui é super caro e nós não íamos largar o cachorro sem tratamento (e não vamos, rs).

 Então foi super importante pesquisar bastante antes de nos decidirmos por um criador que nos pareceu bastante responsável.

Tão responsável que ainda corremos o risco de ficar sem o cachorro!!!!

Pois é, além de ir visita-los e conversar longamente com a dona do canil, eu ainda tive que responder um questionário enorme e uma amiga minha teve que mandar uma carta de recomendação para ela.

Fora isso, temos que esperar até o cachorro completar 8 semanas para poderem separa-lo da mãe e com esta idade, eles vão fazer um teste de personalidade no cachorrinho (meu amigo Leo não acreditou, mas é a pura verdade!!!!). Através deste teste, a dona do canil vai decidir qual cachorrinho eu vou poder trazer para casa.

Segundo ela, no meu caso, com 2 crianças pequenas e muitas crianças visitando, o ideal é um cachorro mais calmo, que não fique muito "aceso" com as crianças e consiga se acalmar sozinho.

O problema é que se nenhum dos cachorro preencher os critério que ela acha "adequados" para minha família, ela pode decidir não me vender o cachorro!!!!

Bom, se minha mãe ler este post, EU TENHO CERTEZA ABSOLUTA  que ela vai dizer: Que frescuraiada pra comprar uma porcaria de um cachorro!!!! (calma, ela adora animais, mas não gosta de "frescura").

Mas é isso: a criadora é super cautelosa para vender os filhotes na tentativa de evitar que os donos acabem abandonando o bichinho, maltratando ou colocando-o para cruzar aleatoriamente para ganhar dinheiro. E é claro que ela tb está protegendo o negócio dela!

E então, procurando por um criador, eu encontrei varios sites, varias entidades com cachorros abandonados precisando de um lar. A crise foi grande em pensar que enquanto meu cachorrinho bem cuidado, que teria, com certeza, um lar maravilhoso, está vindo aqui para casa, outros cachorros sem a mesma sorte poderiam ter sido adotados por nós.

É uma crise terrível, que ainda bate de vez em quando e eu não sei sinceramente o seria o mais correto a ser feito!!! A única coisa que eu tenho certeza é que não devemos NUNCA comprar cachorro em Pet Shop.

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!