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Muito alem do peso

 
Eu assisti este documentario ontem e fiquei boquiaberta com tudo o que vi. Varias coisas chamaram muito a minha atenção e eu acabei fazendo as crianças assistirem varias partes do programa porque muitas vezes é dificil explicar a eles que nao da pra comer fast food e refrigerante todo dia.
 
Eu não sou xiita com comida, mas acho que estamos em uma crise terrivel em relação a alimentação. Eu vejo nos supermercados aqui no Canadá, carrinhos cheios de suplementos, enlatados e embutidos, comida congelada de todo tipo, tudo prontinho para colocar no microondas e consumir. E o mais triste é que esse tipo de comida é bem mais barato do que as frutas, verduras e os legumes.
 
As geladeiras estão cheias de promoções não saudáveis, mas quando as frutas estão em promoção, normalmente já estão feias e não duram muito na fruteira.
 
Outra coisa que me assusta é essa loucura por praticidade. Os pais ficam muito incomodados quando as crianças se sujam, as escolas se incomodam quando as crianças fazem sujeira no lanche e assim, as caixinhas e os enroladinhos de microondas acabam virando uma opção super conveniente para facilitar a correria da alimentação. No video tem até uma mãe explicando a facilidade da crianças tomar o Toddinho no carro de manhã. Outra mãe tenta se lembrar qual foi a última vez que a família fez uma refeição em casa, o outro comenta que as refeições são todas feitas diante da televisão, alias não é incomum as pessoas terem uma tv em cada cômodo da casa.
 
O barco da Nestle chega nas regiões isoladas do Norte do Brasil levando uma grande variedade de produtos: farinha lactea, leite ninho, bolachas, leite condensado, enquanto uma outra família explica que vc consegue comprar qualquer coisa nos mercados da cidade, menos frutas, legumes e verduras, que só tem em outra cidade.
 
E acompanhando as escolhas de alimentação destas pessoas todas, eu fui vendo crianças com pressão alta, trombose, problemas no coração e pulmonares, todos causados pelo sobrepeso. Crianças com exames de sangue que deixariam qualquer idoso preocupado com a propria saúde, mas eram exames de crianças!!!
 
Minhas crianças reclamam de algumas regras que eu imponho por aqui e muitos amiguinhos têm uma certa dificuldade em segui-las, mas eu não abro mão de algumas delas. Primeiro que aqui em casa nós temos apenas uma televisão, na sala. O DVD é ligado a ela, o wii também e o cabo também. As crianças precisam negociar o que vão fazer com a tv, assim como eu e o Sergio entramos na negociação.
 
Na sala de estar ninguem come! Quer comer alguma coisa, tem que ir para a mesa da cozinha. Muitos amiguinhos se servem na cozinha e já vao indo para a sala com seu pratinho e copo, mas eu nao me constranjo em avisar que aqui só se come na cozinha.
 
E a TV normalmente fica desligada durantes as refeições. Para esta regra em especial, eu abro algumas exceções. As vezes esta passando um filme diferente, um programa inédito e que eu sei que se eles perderem vao demorar para ver de novo... nestes casos eu até permito que eles comam assistindo tv, mas eles sabem que se se distrairem muito, eu desligo sem negociaçao.
 
E agora, já faz algumas semanas, eu institui o "pelo menos um pedaço" nas refeições das crianças. Tudo o que eu faço eles precisam experimentar pelo menos um pedacinho. As vezes a negociaçao é demorada e cansativa, mas aos poucos eles estao entendendo o espírito da coisa.
Cansei desta história de criança dizendo que não gosta sem nunca ter comido. E quando eu percebo que realmente o negocio não desce, eu pego leve. A Helena por exemplo, não gosta e nunca gostou de brocoli. Quando era bebe, ela  já torcia o nariz pra sopinha que tinha blocoli. Ok, ela esta liberada deste.
 
É irritante ver a criança comendo batata do mc donalds e nao querer comer a batata frita que eu faço em casa. Tomar suco de caixinha e não querer tomar o suco que eu faço com fruta fresquinha!!!
 
E depois deste documentário a vida deles vai piorar um pouquinho: vou começar comprar varios legumes e verduras diferentes para eles conhecerem e experimentarem. Uma criança tem que saber diferenciar um pimentão de uma abacate!