Mar 21, 2013

Canadá 1 X 0 EUA

Que eu adoro os EUA, não é segredo, mas eu também amo muito o Canadá e acho que este país tem coisas maravilhosas que deveria exportar por ai.

O nosso sistema de saúde, apesar das muitas e muitas falhas é incomparavelmente melhor que os outros que conheço. Primeiro porque é gratuito e universal: toda a população tem direito a exatamente a mesma coisa. Se no Brasil eu sofria preconceito nos postos de saúde porque tinha carteirinha de vacinação de clínica particular,  aqui no Canadá eu sou simplesmente mais um na fila. E ainda que as pessoas queiram usar o poder econômico para ter privilégios, nao dá porque o sistema é todo público: não tem médico ou clínica particular. Se alguem tentar te cobrar por uma consulta ou exame: chame a polícia porque é proibido.

É claro que o cartão de saúde não cobre todo tipo de tratamento como estética, acupuntura, massagem, etc mas fora algumas exceções é gratuito e igual para todo mundo.

Uma questão que me incomoda bastante nos Estados Unidos é esta paixão nacional por armas. Muita gente gosta de armas por lá e agora andam com camisetas fazendo campanha contra o desarmamento. Muitos amigos que moram nos EUA têm feito estas campanhas também no Facebook. Eu, de minha parte, tenho horror a armas!!! Nunca tive e nunca terei uma e meu marido teria serios problemas se pensasse em trazer uma para casa. No Canadá eu me sinto muito mais segura. Eu duvido que meus vizinhos tenham uma coleção de armas em casa.

Nos EUA eu tb sinto que a questão dos negros ainda é um problema em alguns lugares. Eu acho que eles sofrem preconceito e reagem a ele ou reagem ao preconceito que sofreram e acabam sofrendo preconceito em resposta. O fato é que muitas cidades apresentam uma certa tensão entre as raças, inclusive com separação física das populações, coisa que eu não percebo aqui no Canadá.  Ainda que as pessoas tentem ficar em "guetos" por aqui, normalmente ninguem se incomoda se o vizinho for de outra raça. Se vc chega em um McDonalds de um lugar dominado por indianos, ninguem vai te olhar surpreso ou se sentir ameaçado pela sua presença. É bem diferente.

Outra coisa que chamou muito a minha atenção foi o peso das pessoas! O povo americano está vivendo uma epidemia de obesidade inacreditável. Vc não vê aquela criancinha gordinha, ou a mãe gordinha: as famílias são gordinhas, ou melhor, as famílias são obesas. Uma amiga minha viu em um parque uma cadeira que fica do lado de fora de alguns brinquedos para as pessoas sentarem e verem se vao caber no brinquedo antes de pegar a fila. O mais triste é que é necessario mesmo e imagino que era um problema para o parque ter que dizer para a pessoa que ela não cabia no carrinho. Eu vi pessoas assustadoras e pior, crianças enormes com seus copos da Disney tomando refrigerante o dia inteiro (quem se hospeda na disney ganha um copo e pode enche-lo quantas vezes quiser nas máquinas de bebidas).

Se para nós foi um passeio comendo "porcaria" todo dia mas que era muito mais prático, para grande parte das pessoas que estavam no parque, aquela comida era a comida do dia a dia. E eu fiquei horrorizada de ver as pessoas comendo. Em alguns lugares, 4 refeições eram mais do que suficientes para nós 5. Em outros apenas 3 refeições já seria bom. E quando eu olhava as outras mesas, sentia até enjoo de ver o tanto que o povo comia. Uma pena!

Eu na verdade fico dividida: adoro coisas de lá, amo coisas daqui e não sei dizer qual dos dois eu prefiro. Como não tenho escolha, fica facil decidir, rs. Mas talvez o maior ganho que vamos ter com a cidadania canadense será poder ir visitar o nosso vizinho de baixo sem toda a burocracia!

Mar 18, 2013

Primeiro post e uma das primeiras fotos no Canadá (em 2009)

março/2009
Apesar de São Paulo e São Pedro tramarem contra nossa ida nós conseguimos chegar no aeroporto a tempo. Na radio sul américa transito as notícias eram as piores possiveis, mas o encaixe do quebra cabeça já estava pronto e nem a chuva que inundou São Paulo neste dia 17 de março conseguiu nos segurar.

Foram 7 malas despachadas e mais 5 maletinhas de mão, sem contar as 3 malinhas sem alça (Edu, Helena e Luisa). O voo foi bem tranquilo, as crianças dormiram quase o tempo todo e quando estavam acordados se distrairam bastante assistindo desenho EM INGLÊS!!! Tivemos muita sorte pois o avião não estava lotado e conseguimos duas fileiras com três assentos cada uma, o que facilitou muito a acomodação das crianças. Eu e o Sergio passamos a noite nos revezando e foi uma troca-troca de lugares a noite toda que acabamos não dormindo nem um pouquinho.

A passagem pela imigração também foi super tranquila e a fila estava pequena. Tivemos muita sorte porque depois que fomos chamados a fila cresceu muito e dava até pena de ver as carinhas cansadas das crianças que devem ter viajado a noite toda e ainda teriam que esperar muito ali na fila.

Então, com todos os pacotes em mãos, o Sergio chegou à feliz conclusão de que precisávamos de ajuda e contratamos um senhor para levar nossas malas até o taxis. Pagamos CAD$18.00 mas valeu a pena porque o senhor que realizou o serviço foi muito prestativo e simpático. Em compensação os taxistas (precisamos de 2!!!) estavam mal humorados-mal educados; deu até raiva ter que gastar aquele dinheirão com eles, mas em determinados momentos não dá pra ficar fazendo malabarismos e precisávamos urgentemente chegar em algum lugar e descansar um pouco.

E como mesmo das situações ruins podemos tirar coisas boas... A van de um dos taxistas tinha uma coisa que nunca tinha ouvido falar antes (e acho que no Brasil ainda não tem): o banco de trás tem uma cadeirinha embutida; basta abaixar o encosto do banco e ele vira uma cadeirinha. achei a idéia maravilhosa porque não fica ocupando espaço no carro e não precisa ficar tirando sempre que algum adulto vai sentar ali. O único defeitinho dela é que quando a criança dorme a cabecinha fica sem ter onde se apoiar então acaba não sendo muito confortável para criança pequena, mas ainda assim é muito interessante e o taxista mal educado-mal humorado me disse que existem varios carros por aqui que já vem com este tipo de banco.

Apesar do azar com os taxistas estamos sendo muito bem tratados por todas as outras pessoas e tendo uma sensação de que somos bem vindos.

Estamos em um apartamento mobiliado de dois quartos muito confortável, em Mississauga. É uma espécie de apart hotel com serviço de limpeza uma vez por semana. E não preciso me preocupar com roupa de cama e de banho. Ainda podemos usar todas as facilities do prédio. A diária é um pouco carinha: CAD$95.00 mas eu achei que valia a pena o investimento para proporcionar o máximo conforto para as crianças. O dono do nosso apartamento é super simpático e prestativo e está sendo super tranquilo negociar com ele.

Não sei dizer ainda se quero ficar aqui em Mississauga mas a partir de amanhã vamos começar a pensar no assunto. Hoje o dia foi praticamente perdido porque estávamos (estamos) exaustos. Todo mundo dormiu quase o dia todo e as crianças ainda estão cansadas. Aos poucos estou desfazendo algumas malas e espalhando nossas coisas pelo apartamento. Fomos a um shopping agora a tarde que fica aqui perto mas o cansaço apressou a nossa volta e daqui a pouco todo mundo vai pra cama.

Ainda estamos meio abobados com tudo: quando o avião decolou eu tive uma sensação de tristeza muito grande. De repente pareceu que estávamos fazendo uma loucura, um ato impensado e um medo enorme tomou conta de mim. Mas quando o avião tocou o solo canadense parece que eu já tinha processado tudo e eu senti apenas uma profunda alegria de estar realizando este sonho.

Passamos o dia inteiro emocionados tentando ter certeza de que está acontecendo mesmo. Em varias situações um olhava pra cara do outro e alguém dizia aquela frase:

- Sim, nós já estamos no Canadá!

EUA 1 X 0 Canadá - primeiro post

Dentre as muitas coisas deliciosas que fizemos na Disney, neste march break, uma coisa inevitável foi comparar os EUA com o Canadá. Desde que morei em Atlanta, em 2005, eu virei fã do Tio San e quando resolvi vir para o Canadá eu tinha a idéia de que estava me mudando para um lugar ainda melhor.

Após 4 anos vivendo em Toronto minha imagem do Canadá mudou bastante e muitas vezes eu tenho a impressão de que estou morando em um lugar intermediário entre Brasil e Estados Unidos. Apesar de amar o lugar onde eu vivo e agradecer todo dia a este país pela grande oportunidade (que o Tio San não nos deu), eu vejo muitos e muitos defeitos por aqui. Voltando para os EUA depois de 8 anos foi inevitável relembrar do que tinhamos vivido lá e comparar.

Já na fronteira entre os dois países as diferenças são gritantes. Indo para lá os guardas foram super gentis e simpáticos (apesar do susto no post anterior): eles sorriam, conversavam com as crianças e tudo parecia  muito tranquilo. Na volta pegamos um tiozinho mau humorado, cara fechada, que sequer conferiu se tinham mesmo 3 crianças no meu carro. Poderíamos ter entrado no Canadá trazendo qualquer coisa. O tiozinho queria mesmo era voltar ao seu cochilo.

O fato do avião não ter atrasado nem um minuto para ir ou voltar foi outro diferencial. Toda vez que o Sergio precisa viajar pela empresa, ele já desanima por causa dos atrasos, especialmente da Air Canada.  Nós fomos para Orlando por uma empresa "pequena" chamada Airtran e apesar dos aviões mais antigos, os comissarios e pilotos foram um show de simpatia. e chegar no horário programado com 3 crianças ansiosas para ver o Mickey fez toda a diferença.

E só por termos ido pegar o avião em Detroit, ao invés de pegar em Toronto, nós economizamos mais de mil dolares. Aliás, esta história de economizar nos USA tb é muito interessante. Eu até entendo que os impostos no Canadá sejam mais altos e não me incomodo de paga-los. Mas quando vejo produtos produzidos no Canadá que são vendidos por menor preço no nosso vizinho do sul, eu fico revoltada. Dá vontade de boicotar os produtos canadenses (é a ideia do meu marido, rs)!!! Sem contar que não consigo entender esta história de todos os produtos que são vendidos nos dois paises terem um valor mais alto aqui, sem considerar os impostos.

Tudo bem que houve um tempo em que haviam as diferenças de cambio, mas hj, não vejo sentido nisso. Nós compramos um trenzinho da Lego para o Eduardo por um preço 15% mais barato do que o preço de Toronto antes dos impostos, sem contar que lá o imposto foi de 6% e aqui seria de 13%.

Outro ponto positivo para os USA foi a educação. Muita gente reclama do americano, diz que são arrogantes e bla bla bla, mas eu nunca tive problemas com eles. Do consulado americano no Canadá, passando pela imigração até o final da nossa viagem, os americanos deram um show de simpatia.

Aqui em Toronto, na parada do papai noel, todo ano eu tenho que carregar minhas crianças no colo para eles poderem assistir alguma coisa. O povo chega cedo, é verdade, mas não dá um espacinho pra ninguem e as crianças atrasadas que se danem: mesmo o desfile tendo sido preparado para elas.

No Magic Kingdom (um dos parques da disney) eles tb têm um desfile com carros iluminados e as princesas e outros personagens de filmes. Nós chegamos para o desfile um pouco antes de começar e a aglomeração já estava enorme. Entramos em um cantinho e, já acostumados com o esquema de Toronto, começamos preparar os braços para carregar as crianças.

Primeiro um senhor da cidade de Bufalo olhou para trás e viu o Edu e a Luisa no chão. Ele já começou mobilizar o pessoal que estava na frente dele e todo mundo já ficou super preocupado de onde eles ficariam para assistir ao desfile. De repente do outro lado apareceu uma moça perguntando se eu me incomodava da Helena ficar na frente dela e quando eu vi a Helena já estava lá na frente também. E todo mundo ia se ajeitando e colocando todas as crianças que iam aparecendo para a frente, afinal, esses desfiles são feitos para elas... ou não?

E foi um festival de gentilezas a viagem inteira: não só na Disney, mas tb no aeroporto, no supermercado fora da Disney, no avião... um show.

E para me deixar chocada de vez, nós fomos em um supermercado em Detroit e na saída vimos um cavalinho que funciona com moeda. As crianças correram até ele e quando eu já estava dizendo que não, eu vi: o preço era 1 centavo, isso mesmo: 1 centavo de dolar. E o mais interessante: as pessoas que saiam do supermercado iam colocando ao lado do cavalinho as moedinhas de 1 centavo que recebiam de troco, assim minhas crianças puderam brincar no cavalinho usando as moedinhas que outros consumidores haviam deixado ali do lado. Claro que nós tb deixamos as nossas moedinhas para as proximas crianças.

Me lembrei imediatamente de um parquinho que frequentávamos em Atlanta que tinha varios carrinhos, pazinhas e baldinhos na areia. As crianças chegavam, brincavam e quando iam embora deixavam tudo na areia para a proxima criança.

Não é querendo cuspir no prato que comeu, mas esta cada vez mais dificil ver estas coisas por aqui.

Mar 17, 2013

Susto na imigração americana

Todo mundo diz que entrar nos Estados Unidos é algo tenso, mas duvido que as pessoas estejam se referindo ao que nós passamos!!!

Estávamos na salinha da policia da imigração americana, sendo atendidos por um oficial super simpático de sobrenome latino. De repente, dispara uma sirene e todos os oficiais saem correndo, com arma em punho e largam a gente lá, com cara de tacho, sem saber o que estava acontecendo!
 

O oficial simpático que estava nos atendendo simplesmente soltou nossos passartes e saiu correndo com o revolver na mão. Cena de filme!!! O Sergio já estava se preparando para jogar as crianças no chão e protege-las com o proprio corpo (ele tem assistido muito filme americano, rs).

Então, uma voz avisa que foi um alarme falso e todos os oficiais guardam as armas e voltam às suas posições como se nada tivesse acontecido.

 Eu ainda fiquei um bom tempo com as pernas tremendo e os olhos marejados!

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!