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O valor do dinheiro

E cimagesomo ensinar para as crianças o valor do dinheiro? Como mostrar para eles que as coisas que jogamos fora, que desperdiçamos, que estragamos por descuido, na verdade é dinheiro rasgado indo pro lixo?

No final de semana recebemos uns amigos aqui em casa e as meninas (minhas e a dos amigos) brincaram no basement. No domingo, eu encontrei as bonecas da Disney (Bela, Rapunzel and Ariel) rabiscadas com canetinha. Tudo bem que a canetinha que eu compro é daquelas laváveis, mas e se não fosse? Teria estragado as bonecas e elas não são super baratas!

Eu fiquei furiosa nem tanto pelos rabiscos nas bonecas, mas pela falta de amor ao que eles têm. Quantas e quantas vezes eles esqueceram os controles do video game jogados no chão da sala? Quantas vezes eu encontrei giz perdido no quintal depois da chuva? Ou brinquedos espalhados no chão? Frutas com uma mordidinha jogada no lixo?

Comecei falar com eles, mostrar que tudo o que temos em casa teve um preço, custou alguma coisa e o dinheiro para pagar tudo isso não veio do céu ou da árvore da fortuna. Levei-os ao relógio da luz para mostrar que cada lâmpada esquecida acesa faz o reloginho girar e cada volta significa dinheiro indo embora. Contei que cada passeio, cada restaurante, cada ida no supermercado ou a uma loja qualquer significa dinheiro indo embora.

Mostrei o lixo orgânico (nós separamos todo o lixo) e falei do desperdicio de comida que temos porque eles muitas vezes não comem as coisas que eu preparo e que tudo aquilo significa dinheiro.

Enfim, foi o maior sermão da montanha! Mas no "final" da conversa eu percebi que as coisas não estavam exatamente claras para os três, especialmente para as meninas que são menores.

Fui no jardim e peguei uma plantinha inteira, com raíz e tudo e fiz dela o salário do papai no final do mês!  Mostrei a plantinha para eles e disse que o papai recebe uma plantinha daquelas no final do mês de trabalho. E ele vai pagando todas as contas e gastos da casa com as folhinhas daquela plantinha.

As crianças foram me dizendo quais os gastos que temos em casa e eu tirava algumas folhinhas para pagar:

- luz.

- água.

-prestação da casa.

- gasolina do carro.

- supermercado.

- roupas.

- livros.

Até que as folhinhas acabaram e então eu expliquei que ele só vai receber outra plantinha no mês seguinte. Se usarmos todas as folhinhas (dinheiro) sem critério, não vamos conseguir fazer tudo o que gostariamos de fazer. Se ao inves de gastar 4 folhinhas com a luz, nós gastarmos só 3, teremos uma folhinha a mais para comprar outra coisa.

Perguntei a eles o que a gente gasta quando lava roupa: água, luz, sabao e a própria roupa...

E falei que se lavarmos menos roupas gastaremos menos água, menos luz, menos sabao e a roupa vai durar mais. Sobrarão mais folhinhas para comprarmos outras coisas.

A carinha deles foi emocionante: eles estavam entendendo do que eu estava falando e começaram dar sugestões de como diminuir os gastos desnecessários.

Quando eles entenderam a parte do dinheiro eu comecei falar do meio ambiente e do impácto que o lixo, a energia elétrica, os poluentes têm no planeta em que a gente vive. E que alem de destruir a natureza, matar os animais, mudar o clima, ainda muda a nossa vida, o ar que respiramos, os alimentos que comemos. 

Ficamos mais de uma hora sentados na frente da garagem conversando com aquela plantinha, agora sem folhas, na mão. E os três super atentos ao que eu falava, dando idéias e exemplos. A partir desta conversa nós decidimos que as crianças vão receber uma mesada (semanada) para cada um aprender a gastar, guardar, compartilhar, emprestar dinheiro. Varias lições de economia para ensina-los que o papai faz muito sacrificio morando em Sarnia, longe de nós, para ver o  nosso dinheiro indo para o ralo sem necessidade.