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Deve ser triste não fazer falta

Meu vizinho morreu no inverno! Ele já tinha passado dos 80 há muito tempo e morava sozinho desde que a esposa, com Azheimer, teve que ser internada em uma clinica porque ele não conseguia mais cuidar dela.

Como a vida é irônica ele parou de sair na rua durante os meses mais frios de inverno por medo de cair. E ele tinha razão porque infelizmente este inverno foi terrível e tinha muito gelo nas calçadas. Mas voltando à ironia: ele não saia por medo de cair e caiu na escada de casa! Foi para o hospital e ficou mais de um mês internado, onde acabou falecendo.

E a esposa com Alzheimer, que já estava totalmente imobilizada e conseguindo reconhecer apenas o marido, morreu uma semana depois!

Eu fiquei muito triste, porque mesmo com toda a sua grosseria e arrogância, eu gostava dele: havia um sentimento de pena pela vida dificil que ele teve aqui e um sentimento de compaixão pelo fato de todos na rua o ignorarem ou fugirem dele.

E quando a filha "antipática" se mudou para a casa dele, eu achei que o nossa rua tranquila e amistosa fosse se tornar um lugar um pouco pior. Ela nunca olhou na minha cara e uma vez eu a vi xingando um vizinho aos berros e muitos palavrões. Ela até tinha razao, mas eu me assustei com a baixaria.

O interessante, no entando, foi que nada de mal aconteceu: pelo contrário!

O vizinho que morreu e de quem eu gostava, andava pela rua o dia inteiro controlando a vida de todo mundo, reclamando das crianças, dando palpite, criticando e fazendo fofoca. Verdade seja dita, as nossas conversas não eram exatamente amistosas por parte dele porque ele achava errado eu deixar as crianças brincarem na calçada, reclamava porque eu não fazia meu vizinho cortar a arvore que invade meu jardim, falava mal de todo mundo que passava sem se preocupar se a pessoa estava ouvindo ou nao e s vezes brigava com minhas visitas quando estacionavam na minha driveway!

Mas com ele eu aprendi algumas coisas de jardinagem, conheci algumas lojas interessantes e treinei o meu ingles, rs

A filha que agora mora onde ele morava, ainda não me cumprimenta, mas tb não cuida da minha vida. Nunca a vi brigando porque alguma criança deixou a bola cair no seu jardim ou alguem pisou em sua grama. Não distribui sorrisos para os vizinhos, mas também não fica fazendo fofoca de portão em portão sobre a vida deles.

Por mais que eu tenha ficado triste com a morte do meu vizinho e torcido o nariz para a vinda da filha dele para a minha rua, tenho que admitir que para nós, os moradores, esta bem melhor agora!