Mar 9, 2015

To read list

Como toda as pessoas que têm mania de comprar livros, eu não consigo ler
tudo o que compro. E pra piorar minha situação, as bibliotecas de Toronto são maravilhosas e totalmente interligadas.

Qualquer livro pode ser reservado pela internet e em alguns dias um exemplar estará esperando por mim na minha "home branch" (a biblioteca que eu escolhi para ser "minha". Essa facilidade fez com que eu começasse a ler muitos livros que não tenho, mas não fez com que eu parasse de comprar livros, o que me causa muita ansiedade. Ver os livros não lidos na estante me causa uma certa culpa, mas sempre tenho que ler os da biblioteca porque tenho apenas 3 semanas para ficar com eles (9 semanas se ninguém mais tiver reservado o mesmo livro e eu conseguir renova-los as 2 vezes a que temos direito).

Pra aliviar um pouco estes sentimentos confusos, eu fiz a minha listinha com todos os livros que ainda não foram lidos e tento intercalar um e outro. Encontrei a idéia no Pinterest e adorei: é fácil e tira aquele sentimento de culpa por não ter lido ainda aquele livro que ganhei de presente no natal ou aquele outro que paguei um pouco mais caro e não abri.

Depois de ter acadado de ler um livro que eu não conseguia parar de ler (Pictures of you - Caroline Leavitt), qualquer livro vai ser meio chato, já sei!!! Por isso decidi ler agora um livro da mesma autora que acabou de chegar da Library. Vamos ver...

PS: Da mesma forma que compro muitos livros pra mim, eu compro muitos para as crianças também e eles acabam tendo o mesmo problema com os livros da biblioteca e os da estante. Por isso fizemos uma listinha para cada um com o To be read infantil. Esta funcionando super bem e muita coisa que estava esquecida nas estantes deles, foram redescobertas e espero que em breve estejam lidas!

Mar 5, 2015

A necessidade de aprender a dizer não

Não existe nada mais libertador do que dizer NÃO quando precisamos ou queremos. Dizer não é uma necessidade básica na vida das pessoas e eu já sofri muito pela minha dificuldade em negar alguma coisa para alguém. Pode ser um convite, pode ser um favor, um empréstimo ou qualquer outra coisa.

A pessoa que não sabe dizer não sofre muito. Sofre no momento em que não teve coragem para dizer o que tinha que ser dito e, continua sofrendo até o momento em que consegue se livrar da situação: vai no evento, empresta o que foi pedido, traz a encomenda sem noção do amigo ou diz um não disfarçado atrás de uma mentira.

As vezes para evitar o não a pessoa concorda e depois foge: não atende celular, não "lê" os e-mails, não "recebe" as mensagens no FB e se duvidar, para de atender a porta para não ter que enfrentar a situação.

Ou deixa tudo acertado com um SIM enfático e na hora H manda uma mensagem que sempre começa com "desculpa, mas eu vou ter que ..." seguida por uma história cheia de detalhes enumerando todos o motivos pelos quais ela tem que dizer não neste momento.

Eu já fiz muito isso e eu precisei de 3 filhos e uma mudança de país para conseguir me livrar dessas situações. Comecei meu treinamento com o pessoal do telemarketing.  No Brasil esse pessoal me atormentava e eu acaba pedindo pra pessoa me ligar em outro horário: além de prender a pessoa, eu ficava vários dias sem atender o telefone na esperança de que a pessoa desistisse: as vezes funcionava, outra vezes o Sergio tinha que resolver o problema.  Aqui no Canadá eu tive que me desenvolver sozinha e hj tiro de letra.

Mas com amigos eu ainda tenho algumas travas e ainda me meto em situações. O mais triste é que meus "sins" não envolvem somente a minha pessoa!!! Sabe aquela história de fazer promessa pro outro pagar??? Então, muitas vezes eu faço isso com as crianças ou com o Sergio. Marco playdates com criança chata, aceito convites para eventos que não tem nada a ver com minha família ou passo por situações desagradáveis mesmo sabendo com antecedência que vou ter problemas. E tudo sempre começa com a minha inabilidade de dizer que NÃO.

Para melhorar minha vida e nossa vida, minha resolução (tardia) de ano novo foi a de aprender a dizer não. Posso inventar uma desculpa, posso ser gentil, posso até usar o bom e velho NÃO QUERO! NÃO POSSO! NÃO VOU!, assim, curto e grosso. Mas meu desafio é chegar no final do ano sem aquela culpa de não ter resolvido um problema quando ele foi criado, aquela raiva de me sentir obrigada a fazer o que não quero, ou pior, ver minha família fazendo o que não quer.

2015 vai ser o meu ano do não! Assim, quando vc ouvir falar que eu fiz alguma coisa, pode ter certeza que foi de coração, foi porque eu queria fazer e a minha família inteira estava feliz por eu ter dito SIM!

Mar 1, 2015

Mudando a fase do video game: adolescência

Estamos em uma fase super difícil com o Eduardo!!! Eu me lembro muito bem quando passei por este processo: muito "velho" para fazer certas coisas e muito "jovem" para fazer outras!!! Eu sofri muito nesta fase porque ninguém na minha família tem a minha idade e eu acabava sozinha.

Minhas irmãs eram bem mais velhas e já faziam coisas que eu nem podia sonhar, enquanto meus primos, bem mais novos, podiam fazer coisas que já não eram tão legais para uma menina do meu tamanho. Na minha transição para a adolescência as frases que eu mais ouvia eram "vc é muito nova pra isso" ou "vc já passou da idade".

Foi um tanto traumático!!!

Com o Eduardo eu tento fazer diferente: conversa, conversa, conversa.

Eu deixo que ele seja criança e faça as mesmas frescurinhas e brincadeiras que as meninas, mas explico os limites e não o deixo se expor em público. E quando é algo que ainda não é para a idade dele, eu explico o mais claramente possível porque não vou deixa-lo fazer.

Por enquanto este meio de comunicação está funcionando super bem e tem sido até divertido.

Apesar de ser um menino muito tranquilo, eu consigo perceber varias alterações no comportamento dele: as vezes algumas reações mais agressivas por motivos bobos. As vezes inseguranças "sem sentido"... choros sem explicação. Algumas noites ele vai pra minha cama e pede pra dormir comigo. Ele diz algo tipo "em breve eu vou crescer e não vou mais poder dormir aqui."

E eu digo: "Não, em breve vc vai crescer e não vai mais querer dormir aqui."

Eu tento apoiá-lo e compreende-lo: tento me lembrar de quando passei por tudo isso e mais ou menos tento fazer o que gostaria que tivessem feito comigo. Quero que ele saiba que estou aqui ao lado dele, mas espero que ele entenda que tb estou aprendendo e que ser o adolescente é tão difícil quanto ser o pai de um adolescente!!! Não vai ser fácil pra ninguém!

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!