Jul 31, 2015

Mudanças e aprendizados




ou seriam aprendizados e mudanças??

O fato é que estamos deixando Toronto!

Não foi uma decisão fácil, não está sendo fácil a preparação e menos ainda as despedidas. Cada vez que eu saio de casa, cada lugar por onde eu passo, cada coisinha que eu faço, fica sempre aquele pensamento de que pode ser a última vez que eu faço aquilo por aqui, a última vez que converso com aquela pessoa, que faço aquele caminho, que compro naquela loja aqui em Toronto. São milhares de possíveis ultimas vezes e tudo tem um tom melancólico de despedida e saudade.

Nesta cidade eu aprendi de verdade como as coisas funcionam neste Canadá onde eu vivo. Neste pedacinho de Canadá com praticamente 50% de imigrantes, onde a maioria das pessoas vivem em guetos e tentam de todas as maneiras não se adaptar, não cortar os laços com seus países de origem e tentam criar os seus filhos como se ainda estivessem em suas terras amadas.

Eu mudei muito de idéia por aqui: fiz o que dizia que jamais faria, voltei atrás varias vezes, odiei e amei as mesmas coisas em varias situações, as vezes em um mesmo dia. E apesar das críticas, da raiva que as vezes eu sinto, dos milhares de defeitos, das coisas que não funcionam como EU gostaria que funcionassem... eu amo esse lugar com todo o meu coração e vou sentir muitas saudades. muitas saudades mesmo!

Mas navegar é preciso e as vezes precisamos desligar os motores e deixar o barco seguir a correnteza. Viver separada do Sergio não dá mais e aquilo que eu chamava de qualidade de vida, se transformou em sacrifício. Todo domingo é dia de choro no Vale das Pedrinhas! Passamos o dia tensos, torcendo para a hora não passar, mas ao mesmo tempo não aproveitamos as horas que se arrastam.  O domingo termina com crianças chorando, eu chorando, o Sergio chorando e 2 horas e meia de preocupação até o Sergio chegar em seu destino.

E desde Dezembro temos nos questionado se está valendo a pena.  Nestes 3 anos e meio em que o Sergio está trabalhando em Sarnia, as perdas foram imensuráveis. Não é justo comigo, não é justo com as crianças, mas principalmente, não tem sido justo com o Sergio.

Para alegria de todos, resolvemos nos mudar e morar todo mundo junto novamente. Compramos um casa em Sarnia e nos mudamos na primeira semana de Setembro, pouquinho antes das aulas recomeçarem.

Pra variar, a correria está enorme, a ansiedade à flor da pele, muitas emoções, muitas demonstrações de carinho e uma mistura enorme de sentimentos, mas estou feliz, as crianças estão animadas e o Sergio não cabe em si!

Esta semana pretendemos terminar de preparar a casa para vender e quando encontrarmos um comprador, começaremos o longo caminho de empacotar tudo e dizer adeus a estas pessoas tão queridas que transformaram nossa imigração para o Canadá em algo tão maravilhoso!

Uma nova história está prestes a começar na nossa vida: serão as minhas crônicas de Sarnia!

Jul 13, 2015

Eu laio

Hoje a Helena tem jogo e eu não poderei assistir. Infelizmente o jogo da Luisa é no mesmo horário e eu vou deixar o Edu com a Helena e vou levar a Luisa.

H   - Mamãe, será que vou fazer gol hoje?
Eu - Com certeza Helena, porque eu não vou estar lá.
H   - Como vc não vai estar lá, eu posso lie (mentir).
Eu - Por isso que eu vou deixar o Edu com vc.

Edu - Se me pagar bem, eu laio !

Jul 9, 2015

O gene da imigração

São muitos os motivos que levam as pessoas a imigrarem e minha família, pelo jeito, tem o gene da imigração super expresso!

Eu sempre tive muito interesse em conhecer as minhas raízes, de onde vim, quem eram aquelas pessoas corajosas que em tempos tão difíceis se aventuraram em um navio por mais de um mês em direção ao Brasil.

Quando descobri a digitalização dos registros do Museu da Imigração de São Paulo, eu comecei procurar por aquelas pessoas que tanto amo e pouco conheço. Visitei o museu varias vezes e vasculhei a internet de varias formas, mas nunca tinha encontrado nada, ate ontem!

Não sei bem como funcionam estas coisas, mas de repente aparece aquela ideia e as coisas se encaixam.

Eu estava assistindo o programa Estrelas, vejam so, pela internet porque me recuso a ter Globo internacional, rs. a Angelica entrevistava a atriz Laura Cardoso exatamente no Museu da Imigração e elas procuravam pela "família" da Laura e me veio um pensamento de que talvez, por um milagre, uma coincidência, um acidente... os nomes dos meus avos estivessem grafados de forma errada!!!

E então... la fui eu... tentar outras sequencias e possibilidades. Eu olhei vários nomes, um a um, tentando encontrar informações que se encaixassem com as informações que eu já tinha e... ACHEI!!!

Encontrei minha avo paterna chegando de Portugal com minha tia que tinha apenas 3 aninhos.  E depois de mais um dia de procura, eu encontrei minha avo materna, chegando da Itália com toda a família (mae, pai, um irmão, duas irmãs e um sobrinho de 5 anos).

Infelizmente meus avos ainda não foram encontrados mas grande parte da minha historia esta sendo recontada, agora por escrito, com registros incontestáveis. A historia romântica da jovem italiana que conheceu um português no navio e os dois se apaixonaram, infelizmente veio por terra (sem trocadilhos) porque meu avò português não estava naquele navio, naquele dia.

E o caminho percorrido pelos meus avos maternos tb esta sendo modificado. E um quebra-cabeça cheio de pecinhas soltas mas esta sendo muito emocionante juntar cada um desses pedacinhos!

Para os que quiserem se aventurar o link esta aqui.

As vezes a letra do escrevente não eh muito fácil de ser lida, por isso tem tantas informações erradas. Minha avo foi cadastrada como Angiola, ao invés de Angela. Mas pelo nome dos outros familiares foi possível identifica-la.

Vale a pena!

Mantendo o Português das crianças

- Mama, eu posso comer as sereias? - Acho melhor voce comer as cerejas!